Autobiografia de um Imigrante: «Higino Faria»

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Em 1921, Higino Faria emigrou para a Califórnia não para viver uma história de êxito, mas sim de fracassos. Assim o resenha na sua obra “Retalhos duma vida incrível”, uma narração trágico de todas as suas desventuras como imigrante depois de abandonar o seu trabalhos como missionário na Congregação Missionária do Espírito Santo, em Portugal, para casar-se e tentar a sorte nos Estados Unidos.

No entanto, o professor Francisco Costa Fagundes, no seu ensaio “A experiência imigrante dos portugueses nos Estados Unidos, através das suas autobiografias, observa que Faria não parece saber distinguir entre os seus infortúnios e as vivências próprias de um imigrante de qualquer lugar e época, como a separação familiar, falta de dinheiro, emprego e habitação; mas que foram consideradas pelo autor como verdadeiras desgraças.

Após narrar o milagre que Faria assegura ter presenciado pessoalmente em Fátima em 1917, este homem dá rédea solta à sua pluma para confessar a reclusão da sua mulher e da sua filha numa instituição de saúde mental, a sua prisão por um crime que assegura não ter cometido e a crise financeira que viveu durante a Grande Depressão que se originou nos EUA a partir da queda da bolsa a 29 de Outubro de 1929, e que ficou conhecida com a “terça-feira negra”.

No prólogo de “Retalhos” está escrito pelo Padre João de Oliveira, que identifica a obra como o ‘calvário’ de Faria por causa de uma vida desventurada e repleta de fracassos. Desde o ponto de vista do professor Costa Fagundes, o Padre João demonstra uma certa afinidade com o tom trágico da autobiografia ao citar do texto original as seguintes linhas: Apenas deixar uma pobre lembrança à minha querida família e aos muitos amigos a quem tanto devo e também para quem quiser abrir os olhos e ver nesta pequena amostra o que é a vida neste vale de enganos: Conhecendo os meus trambolhões, poderão evitar os seus (vii).

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