Beneficências portuguesas com menos fundos devido à covid-19

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As instituições de beneficência luso-venezuelanas foram das organizações mais afetadas pela paralisação da pandemia da covid-19 devido à quebra das contribuições económicas da comunidade para o seu funcionamento, segundo fonte do setor.

O alerta foi dado em Caracas por Renato Amaral, um técnico de turismo, que está a organizar almoços de convívio de portugueses, para, além de compartilhar momentos de amizade, angariar fundos para distintas organizações de beneficência.

“As instituições de beneficência foram as mais afetadas neste retrocesso provocado pela pandemia. Houve uma ausência dos aportes que se faziam para que pudessem sobreviver no dia a dia”, disse.

Renato Amaral falava à agência Lusa à margem de um dos almoços de convivência do novo “Grupo dos Panas”, que teve lugar à porta fechada, no Centro Português de Caracas, cuja participação foi feita por listagem e com compatriotas que já foram vacinados contra a covid-19.

“A comunidade sempre está presente com aportes às instituições. […] Na Venezuela (apesar da pandemia) fazemos coisas que beneficiam instituições e pessoas carenciadas”, disse.

Segundo Renato Amaral, nos “meses passados, da pandemia, as instituições pararam um pouco” e objetivo destes encontros é “manter os laços de amizade e partilhar momentos”.

“E (além da ajuda social) queremos manter viva a esperança e o laço de portuguesismo que há na nossa comunidade portuguesa”, disse.

Renato Amaral disse que o grupo integra atualmente “45 ‘panas’”, explicando que na Venezuela se chama “pana” àquele “amigo, confidente com quem se pode contar nos bons e maus momentos”, um “título que se dá a esses amigos profundamente amigos”.

“Isto não teria o mesmo sabor se nos convívios, nos almoços que fazemos, não destinássemos uma percentagem para fundações de caridade, hospitais, beneficências, como o lar da terceira idade e para os meninos com cancro”, disse, sublinhando que é importante contribuir “com uma fatia para aliviar” as carências que existem em algumas instituições.

Por outro lado, o comerciante David Neves explicou à Lusa que a comunidade está a tentar “reunir-se e esquecer um pouco a tragédia que a pandemia representa”.

“Queremos reencontrar-nos, compartilhar a amizade e bons momentos, a nossa cultura e tradições, e no Centro Português que é a nossa casa por tradição”, disse, sublinhando que devido à covid-19 há mais de ano e meio que os encontros entre amigos estavam suspensos porque o clube tem estado fechado.

No encontro esteve também o dirigente associativo luso-venezuelano Alberto Viveiro, para quem é importante que os portugueses se reúnam, façam convívios, para “juntar dinheiro para ajudar outras pessoas e instituições”.

“A pandemia tem impedido fazer este tipo de convívios e como outros grupos não tinham a possibilidade de se juntar, começámos a reunir-nos três, quatro e cinco amigos e hoje somos quase 50”, disse.

Este lusodescendente sublinhou que o grupo “tem um nome muito engraçado” e que “’panas’, uma maneira de chamar os amigos” reúne fundos para o Lar da Terceira Idade e o Hospital J. M. de Los Ríos (venezuelano).

“O grupo nasceu na pandemia, mas esperamos que continue durante muitos anos”, frisou.

Desde março de 2020 que a Venezuela está em confinamento preventivo da covid-19 e atualmente tem um sistema de sete dias de flexibilização, seguidos de outros sete dias de confinamento rigoroso.

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