Brasileiros em Portugal – de volta às raízes lusitanas

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Numa época em que o número de imigrantes brasileiros em Portugal bate recordes, dados divulgados no início deste ano pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) apontam para um aumento de 13,6% em relação a 2020, ou seja, neste momento a comunidade brasileira em terras lusitanas é composta por mais de 200 mil pessoas, números que a elevam a maior comunidade imigrante em Portugal, a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) analisou há pouco tempo este fenómeno no livro Brasileiros em Portugal – de volta às raízes lusitanas.

Escrito pelos investigadores Alanni Barbosa e Álvaro Lima, a obra com a chancela da FUNAG, um dos principais centros brasileiros de estudos e divulgação de documentos e notícias sobre relações internacionais, divulga dados importantes sobre o fenómeno migratório entre o Brasil e Portugal.

O livro analisa a relação interdependente entre as nações irmãs, permeada pela migração dos seus povos ao longo do decurso histórico. No caso concreto do fluxo migratório do Brasil para Portugal, a partir de 2010, a publicação destaca a “emigração brasileira em grande escala”, impulsionada por aspetos de atração de Portugal e de fatores de repulsão do Brasil, que vivencia “severos problemas econômicos e sociais”.

Segundo os autores, a “população migrante brasileira, diferentemente de outros grupos, não é expulsa de sua terra natal por tragédias climáticas, conflitos humanitários, pobreza absoluta ou guerras”, os emigrantes brasileiros “buscam, em grande maioria, melhores condições de vida para si e para seus familiares”.

Malgrado as causas da imigração brasileira, Portugal, tradicionalmente país de emigração, encontra por via da dinâmica migratória brasileira das últimas décadas, uma oportunidade singular de desenvolvimento, de inversão do paradigma da balança migratória e do processo acentuado de envelhecimento da população.

Um desses melhores exemplos de oportunidades e potencialidades encontra-se plasmado na cidade de Braga, no norte de Portugal, que em contraciclo com a tendência nacional, tem vindo a crescer em termos populacionais. Atualmente com mais de 193 mil habitantes, segundo dados preliminares dos Censos 2021, a também conhecida como “cidade dos arcebispos”, assistiu na última década a um crescimento de 137% da população brasileira, passando a comunidade brasileira local de 2596 para 6168 pessoas.

Conhecida como o «novo eldorado dos brasileiros», a capital do Baixo Minho, fruto do fluxo migratório canarinho, não obstante o mesmo ter contribuído para uma crescente inflação da procura de imóveis e do preço das rendas, tem assistido ao incremento de vários negócios de brasileiros e a um reforço da mão obra que escasseia no mercado.

Como sustenta, Ana Sofia Santos Quintino, na tese Efeitos demográficos e económicos das migrações em Portugal: o caso da Segurança Social, os efeitos da dinâmica migratória no território nacional, como é o caso do fenómeno brasileiro em Braga, são do ponto de vista demográficos “positivos, contribuindo para atenuar os efeitos do envelhecimento e do declínio populacional. Em relação à evolução futura do subsistema de pensões de velhice conclui-se que os saldos financeiros em percentagem do Valor Acrescentado Bruto da economia são menos negativos quando se considera o contributo das migrações do que na ausência da dinâmica migratória”.

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