Carla Carvalho: «Não tinha planos de voltar à selecção»

Atleta licenciou-se em Gestão de Negócios na West Virgínea University Institute Technology

0
1071

Uma luso-descendente integrou a selecção feminina da Venezuela que participou na Copa América – Equador 2014. O seu nome é Carla Carvalho, que  nasceu em Caracas, a 19 de Setembro de 1990. O pai é natural da Ilha de Madeira, mais especificamente da freguesia do Faial, mas a mãe é uma venezuelana filha de lusitanos. Actua em campo na posição de avançado centro e a área é o seu habitat natural. Luis Figo e a alemã Mia Hamm são os seus ídolos futebolísticos.

Os primeiros passos no futebol foram dados no Colégio Simón Bolívar e no Colegio Jean Piaget. Ao terminar o secundário, esteve a estudar inglês. E, em 2009, partiu para os Estados Unidos para estudar na West Virgínea University Institute Technology, onde se licenciou em Gestão de Negócios. “A experiência de viver e estudar foi excelente. Outra cultura no tema desportivo. Estás na universidade porque jogas futebol. Mas tens que estudar porque se não o fazes, não jogas e se não jogas, não te dão a bolsa. Futebolisticamente, é genial. Entre as mulheres, o futebol é o desporto predilecto lá e as pessoas preferem apoiar mais as mulheres que os homens”, comentou.

O salto profissional não se revelou simples. “Tentei. No entanto, era complicado fazer o ‘draft’, apesar de não lhe dedicar muito afinco. Isto é, se corria bem, corria. Mas além disso, a minha ideia sempre foi regressar à Venezuela”, explicou.

No país do Tio Sam, o futebol feminino é maioritariamente dirigido por mulheres. “Quem me levou como bolsista para lá foi um homem (Florín Martin) mas todas os treinadores que tive foram mulheres. Lá, os treinadores são mais anímicos. Algo como “vou tirar o melhor de ti mas com a tua atitude”. Claro porque tendo uma boa atitude, podes treinar melhor”, acrescentou.

Crystal Dye foi a DT que mais a influenciou. Apesar de que a sua relação com ela não fosse boa. “Havia uma guerra de morte entre ambas, não lhe caía para nada bem. Ela, de alguma forma, sacava o melhor de mim. Fazia um passe mau num treino e era a única que me corria, com as demais não lhe passava o mesmo. Então, misturámos as emoções com o que podia dar mais e jogava bem. Considero que dava o melhor de mim”, disse.

A sua ‘alma máter’ está caracterizada por receber pessoas de diferentes nacionalidades. “Sempre foi considerada como internacional. A minha companheira de quarto era alemã. Depois tive uma mexicana; havia canadianas, uma rapariga escocesa, uma jamaicana que corria muito, uma equatoriana, uma colombiana, entre outras”, relatou.

O grupo de jogadoras era muito unido e foi recebida como mais uma. “A minha universidade não é grande, é pequena. Mas, como toda a equipa: Muita amizade. À parte do futebol, saíamos juntas sempre, tal como aqui. Claro, o grupo era mais unido porque o tempo de convivência era maior”, observou.

O seu percurso antes de ir para os Estados Unidos é resumido assim: “No colégio, era o Jean Piaget,  era futebol de salão contra meninos. Depois, fui para o Santo Tomás de Aquino, que foi o que recomendaram ao meu pai; aqui estive jogando Lides e o torneio sub-17. Depois, a selecção do distrito, em 2005. O passo seguinte foi o Gulima, em Los Teques e em 2006, mudei-me para a Universidade Católica Andrés Bello, onde estive na segunda e primeira divisão entre 2007 e 2008; inclusivamente vencemos o Abertura e o Clausura”.

Preparar-se academicamente nos Estados Unidos era algo que tinha em mente desde há algum tempo. “Isso foi um problema, que eu procurei sozinha (risos). Os meus pais estavam muito motivados e apoiaram-me sempre no desporto. Mas, com essa ideia louca de ir viver para lá devido a que ninguém da minha família havia vivido lá, o meu pai disse-me que me apoiaria mas que me tocaria a faze-lo, e eu não sabia nada de inglês. Outro aspecto: Sempre fui muito independente e o que quero, consigo”, relatou.

Estreou-se na selecção nacional num torneio na Guiana Francesa. Tinha 15 anos. “Portei-me demasiado mal. Pensei que não me chamariam mais, devido às travessuras de criança. Fazia os guerra de comida, despejávamos águas em cima umas das outras. Éramos insuportáveis (risos). Em 2008, esteve com Rolando Bello; em 2009 e agora, com Kenneth Zseremeta”, contou.

Não esperava estar no plantel que viajou para o Equador para disputar a Copa América. “Foi uma surpresa, quase como que um milagre. Planeei a minha vida com respeito ao que vou fazer no futuro. Não tinha planos de voltar à selecção e como estava a febre das raparigas da sub-17. Não o esperava. No entanto, dei o  melhor para ficar”, indicou.

“Os domingos são sagrados; o 13 de Maio, a Virgem de Fátima e comemos cozido, bacalhau, entre outros pratos; a minha mãe faz broas de mel. Muito tradicionais ainda. Inclusivamente, as minhas tias ainda falam português, nada de castelhano”, comentou.

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here