A imagem desta semana é de Carlos Sampaio Garrido, que foi embaixador em Budapeste, Hungria, durante 1944. Recebeu postumamente a medalha de ‘Justo entre as Nações’ pela sua acção de protecção e salvamento de judeus húngaros durante a Segunda Guerra Mundial. A distinção foi decidida a 2 de Fevereiro de 2010 pela Yad Vashem – Autoridade Nacional para a Memória dos Mártires e os Heróis do Holocausto, criada pelo Estado de Israel em 1953.

Licenciado em Ciências Económicas e Financeiras, iniciou a carreira diplomática como adido em leis, a 24 de Dezembro de 1901, no Serviço Geral dos Negócios Comerciais e Consulares. A 27 de Julho de 1939 estava a trabalhar na capital da Hungria.

Em 1944, as tropas alemãs ocuparam a Hungria e instalaram um novo governo que tinha Dome Sztojay como chefe. As perseguições aos judeus intensificaram-se com o confiscar de bens, uso obrigatória da estrela amarela, encerramento em guetos, entre outras coisas.

A 23 de Abril de 1944, respondendo a um pedido dos aliados para reduzir o nível de representação diplomática em Budapeste, António de Oliveira Salazar chamou Sampaio Garrido, deixando no seu lugar o encarregado de negócios, Teixeira Branquinho. A 28 de Abril, pelas cinco da manhã, a residência oficial de Portugal em Galgagyörk foi assaltada pela Gestapo húngara. Os hóspedes foram presos e levados para o posto de polícia central de Budapeste. Garrido também foi detido e instintivamente quis ajudar os hóspedes. Não se intimidou e pediu à polícia a libertação imediata dos detidos, alegando a extraterritorialidade da residência do embaixador.

Sampaio Garrido partiu para Berna a 5 de Junho, levando consigo a sua secretária judia, e lá continuou a orientar o encarregado de negócios, Teixeira Branquinho, no apoio aos judeus. Estes por sua vez enviavam-lhe listas com nomes para que lhe dessem asilo político em Portugal. Branquinho obteve de Salazar, através de Garrido, a autorização para dar passaportes portugueses a judeus húngaros, com a condição de que tivessem uma relação familiar, cultural ou económica com Portugal ou Brasil (naquela altura, Portugal representava este país diplomaticamente). Foram concedidos cerca de 1000 documentos de protecção, dos quais 700 passaportes provisórios que não indicavam a nacionalidade portuguesa. Entre as pessoas ajudadas por Garrido encontravam-se cinco membros da famosa família Gabor, incluindo Magda Gabor, actriz e ‘socialaite’, que se diz que foi amante de Sampaio Garrido. Estavam também as suas irmãs, as estrelas de Hollywood Eva Gabor e Zsa Zsa Gabor.

Além disso, recebeu várias condecorações importantes: Ordem Militar de Cristo, a 5 de Outubro de 1934; Oficial da Ordem de São Tiago da Espada, a 27 de Outubro de 1934; Cavaleiro das Ordens de Isabel a Católica de Espanha, Gustavo Wasa da Suécia e da Coroa da Prússia.

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here