Cavaco Silva defende que o país “muito beneficiou” com Durão Barroso na CE

Durante a condecoração que entregou a Durão Barroso, considerando-a "uma justíssima homenagem"

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O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu, terça-feira, 4 de Novembro, que «Portugal muito beneficiou» por ter um português na presidência da Comissão Europeia, durante a condecoração que entregou a Durão Barroso, considerando-a «uma justíssima homenagem».

«Portugal muito beneficiou pelo facto de termos à frente da União Europeia um português, conhecedor da realidade portuguesa, conhecedor do mundo, e com o prestígio de Durão Barroso», afirmou Cavaco Silva antes de entregar ao ex-presidente da Comissão Europeia o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique.

Numa cerimónia na Sala das Bicas, no Palácio de Belém, em Lisboa, a que assistiu o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o Chefe de Estado português disse que, «como poucos» pode «testemunhar quanto Portugal beneficiou da acção» de Barroso à frente da Comissão.

«Sempre prestou uma cuidada atenção aos problemas do nosso país, procurou ajudar Portugal na resolução das dificuldades que enfrentou, mobilizou apoios para que Portugal pudesse alcançar objectivos pretendidos, abriu portas para o desenvolvimento económico e social de Portugal», disse.

«Basta mencionar que o feliz resultado que Portugal conseguiu nas negociações sobre o quadro financeiro plurianual também se deve ao doutor Durão Barroso, tal como o alargamento das maturidades e a descida das taxas de juro dos empréstimos que Portugal obteve no quadro do programa de ajustamento», defendeu.

Cavaco Silva começou a sua intervenção afirmando que a condecoração que por si foi entregue é uma «justíssima homenagem» ao presidente da Comissão Europeia nos últimos 10 anos, reputando-o de «o cargo internacional mais elevado alguma vez exercido por um português».

«Fê-lo com elevada competência, com sabedoria e dedicação ao projecto europeu. Prestigiou Portugal, muito ajudou Portugal», frisou.

«No Portugal contemporâneo não encontramos outro político português que tenha obtido tão grande relevo e com grande influência na cena internacional», reforçou.

Cavaco Silva lembrou o antigo presidente da Comissão Jacques Dellors, enumerando os desafios do seu mandato, para concluir que o tempo de Barroso «foi talvez mais exigente e mais complexo».

De acordo com o Chefe de Estado português, Barroso «desempenhou um papel decisivo para que Europa ultrapassasse as crises por que passou na última década», com a aprovação do Tratado de Lisboa, que pôs fim a um «impasse político e institucional», encarando o alargamento de 15 para 28 estados membros, e na «crise financeira das dívidas soberanas, que pôs à beira da ruptura a zona do euro e pôs mesmo em causa o próprio projecto da integração europeia».

Cavaco sublinhou que o ex-presidente da Comissão «foi um grande impulsionador do novo modelo de governação económica da zona do euro» e «da criação de instrumentos de apoio aos países com graves problemas de desequilíbrios económicos e financeiros, como foi a criação do mecanismo europeu de estabilidade», bem como impulsionou «a criação da união bancária».

«Quem se der ao trabalho de ler os documentos verificará que não foi por falta de visão do presidente da Comissão Europeia, nem do Parlamento Europeu, que a União Europeia não colocou mais cedo como prioridade o crescimento económico e emprego em paralelo com a consolidação orçamental», defendeu.

Além do primeiro-ministro, estiveram presentes na cerimónia, entre outros, os ministros do CDS Pires de Lima (Economia), Assunção Cristas (Agricultura) e Mota Soares (Solidariedade, Emprego e Segurança Social), o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, e o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Marques Guedes, e a antiga ministra das Finanças de Durão Barroso Manuela Ferreira Leite.

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