Chefe da diplomacia portuguesa coordena grupo interministerial sobre crise na Venezuela

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AGÊNCIA LUSA

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, anunciou hoje no parlamento que assumiu a “condução política” do acompanhamento da crise económica, política e social na Venezuela, que envolve vários ministérios e serviços do Estado.

“Dada a gravidade das circunstâncias e os riscos, eu assumi pessoalmente a condução deste dossiê”, anunciou hoje o ministro, durante uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

O governante esclareceu depois que o acompanhamento da situação atual da Venezuela “obriga a uma coordenação de natureza interministerial”, que envolve o Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas também outros ministérios e serviços do Estado.

“Temos trabalhado continuamente e muito intensamente, aumentando os recursos disponíveis da nossa rede consular, aumentando as responsabilidades do nosso embaixador e dos cônsules-gerais no domínio do relacionamento com as comunidades”, disse.

A nível bilateral, Lisboa e Caracas mantêm os encontros regulares, estando a próxima reunião da comissão mista “indicativamente marcada para julho”, na capital venezuelana, adiantou.

Sobre a comunidade portuguesa e lusodescendente na Venezuela, com centenas de milhares de pessoas, Santos Silva afirmou que “não é um alvo especial nem tem sofrido nenhuma hostilidade particular”, mas o facto de muitos se dedicarem ao comércio deixa-os “mais expostos aos riscos de insegurança”.

O Governo tem dedicado “especial atenção” aos “dois ou três casos” que ocorreram nos últimos dias envolvendo padarias propriedade de portugueses, disse o ministro, mencionando que “pelo menos dois foram sujeitos a medidas de intervenção ou de autoridades ou dos chamados coletivos mais ou menos oficiosos”, situações que configuram “ameaças à propriedade e que merecem uma chamada de atenção”.

O ministro referiu que, no ano passado, os consulados portugueses de Caracas e Valência realizaram 109 mil atos consulares, mais 13 mil que no ano anterior.

O secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, referiu que foram colocados 17 novos funcionários na Venezuela.

O Estado português presta apoio social a 77 idosos carenciados naquele país, além de associações de cariz social e detidos.

Além disso, o Governo “tem os planos de contingência devidamente atualizados”.

Portugal tem mantido abertura para dialogar com todas as autoridades venezuelanas e Santos Silva considera que a “profunda clivagem política” entre o Governo, liderado por Nicolás Maduro, e a Assembleia, é “motivo de preocupação”, bem como os “evidentes sinais de deterioração económica e social, com hiperinflação e rutura de bens essenciais”.

A nível económico, o ministro referiu que, pela primeira vez, algumas empresas portuguesas estão a encontrar problemas nos pagamentos, enquanto a TAP observa “atrasos sistemáticos de transferências de divisas”.

Na audição, todos os grupos parlamentares comentaram a grave crise política e económica que a Venezuela atravessa.

O deputado do PSD José Cesário alertou que, entre a comunidade portuguesa, “reina o autêntico pânico” e que a situação se agravou “de forma tremenda nos últimos meses”.

Já o socialista Paulo Pisco chamou a atenção para a “crise humanitária profunda, aumento da criminalidade e insegurança” naquele país.

Filipe Lobo d’Ávila (CDS) criticou o ministro, considerando que se limitou a apresentar “generalidades” sobre a situação na Venezuela, sem concretizar o que está a ser feito pelo Governo.

Pelo PCP, João Oliveira fez votos que os problemas sejam ultrapassados rapidamente e elogiou o executivo pela forma como está a acompanhar a crise, enquanto o bloquista Pedro Filipe Soares disse esperar que não sejam necessárias medidas de contingência.

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