Comunidades portuguesas: Chega elege dois deputados, AD e PS um cada

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A contagem dos votos no estrangeiro está fechada. Já na madrugada desta quinta-feira, o site do Ministério da Administração Interna revelou que o Chega venceu com 18,30% dos votos, seguido da Aliança Democrática (PSD/CDS/PPM) com 16,79% e do PS com 15,73%.

Os quatro mandatos, eleitos pelo estrangeiro, vão ser distribuídos da seguinte forma: o Chega elege dois deputados, a AD e o PS um cada. Como resultado, a coligação, liderada pelo PSD, vai manter a vantagem, que conseguiu no território nacional, de dois deputados sobre o PS. A AD passará, assim, de 79 para 80 mandatos, e o PS, de 77 para 78. A bancada do Chega sobe de 48 para 50 parlamentares.

No círculo da Europa, o Chega vence, com 42.972 votos, o que representa 18,31% dos votantes, e elege José Dias Fernandes para o Parlamento. O PS, em segundo lugar, com 38.061 votos ou 16,22%, consegue manter Paulo Pisco na Assembleia da República.

Pelo círculo fora da Europa, tradicionalmente de direita, a AD foi a força partidária mais votada, com 22,90% dos votos, o que permite eleger o antigo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, que regressa, assim, ao Parlamento. O Chega em segundo, com 18,31% dos votantes, elegeu Manuel Alves, que foi militante do PSD. Deste modo, Augusto Santos Silva, cabeça de lista pelo PS pelo círculo fora da Europa e ainda presidente da Assembleia da República, não será reeleito.

A participação dos emigrantes neste sufrágio vai atingir valores recorde: 21,56% face aos 11,42%, do sufrágio de 2022, tendo em conta 1.541.464 eleitores dos dois círculos no estrangeiro. A contagem dos boletins arrancou às 17h e demorou mais do que o previsto, uma vez que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) decidiu alargar o prazo para a entrega de votos das 17h às 19h. Já depois das 18h, chegaram ao Centro de Congressos de Lisboa, onde decorre todo processo, mais 13 mil cartas, 11 mil das quais oriundas do Brasil.

Europa: Chega em primeiro com a força dos votos da Suíça e Luxemburgo

A vitória do Chega na Europa foi suportada essencialmente pelos votos da Suíça. Com a contagem concluída dos votos dos três consulados (Genebra, Zurique e Berna), o partido de André Ventura foi a força política mais votada, recebendo 16.226 votos, o que corresponde a mais de um terço (32,62%) dos votantes. No Luxemburgo, os emigrantes também dão a maioria ao Chega, que alcança 2.676 votos ou 19,61% dos eleitores que votaram.

O PS, a segunda força mais votada, tem sobretudo o apoio dos emigrantes da Alemanha, França e Reino Unido e Irlanda do Norte, que contribuíram, respetivamente, com 4.061 votos (20,07%), 15.779 votos (18,59%) e 5.670 votos (15,22%) para dar a maioria as socialistas.

Na Bélgica, PS e Chega ficaram quase empatados, ainda que com uma ligeira vantagem dos socialistas. Assim, o partido de Pedro Nuno Santos teve 965 votos, o que significa que 17,93% dos emigrantes deste país que votaram escolheram o PS. O Chega alcançou 934 votos ou 17,36%.

A AD, que não conseguiu eleger, teve a preferência dos emigrantes de Espanha que atribuiu 2.135 votos à AD, que ficou, assim, em primeiro lugar, com 24,65%, naquele país.

Fora da Europa: AD ganha nos EUA, Canadá, China e África e empata com Chega no Brasil

A AD ganhou o círculo fora da Europa, sobretudo à conta dos votos dos EUA e Canadá que deram primeiro lugar à coligação liderada pelo PSD. 2.194 votos emigrantes nos Estados Unidos votaram na coligação PSD/CDS/PPM, o que representa 20,11% dos votantes. Em segundo lugar, surge o Chega com 1.219 votos ou 11,17%.

Nos restantes países da América, a AD fica em primeiro. Os emigrantes deram 1.184 votos à coligação, liderada por Luís Montenegro, o que se traduz em 34,46% dos eleitores que foram votar. Os socialistas surgem em segundo, com 453 votos ou 13,18%.

O Canadá também prefere a AD. 2.576 emigrantes portugueses a viver neste país preferiram a AD, o que corresponde a 19,64% dos votantes. Em segundo, ficou o PS com 1.884 votos ou 14,36%.

A China sustentou, do mesmo modo, o primeiro lugar da AD ao dar a maioria dos votos à coligação, liderada pelo PSD: 2.306 votos, o que corresponde a 37,45% dos votantes. Na segunda posição, ficou o PS com 745 votos ou 12,10%.

Os emigrantes dos países da Ásia e Oceânia, exceto China, deram igualmente a maioria dos votos à AD: 1.886 votos, o que representa 31,50% dos votantes. O PS ficou em segundo, com 801 votos ou 13,38% e o Chega em terceiro, com 482 votos ou 8,05%.

Nos países de África, a AD consegue nova vitória. A maioria dos emigrantes decidiu dar o voto à coligação, liderada por Luís Montenegro, que angariou 1.084 votos ou 31,12%. Em segundo lugar, o PS conseguiu 803 votos ou 23,05%.

No Brasil, AD e Chega começaram por estar empatados, mas o partido de André Ventura acabou por sair vitorioso com 13.724 votos, o que corresponde a 24,61% dos votantes. E a AD, que ficou bem segundo, obteve 11.406 votos ou 20,45%.

A vantagem do Chega foi sobretudo conseguida em Rio de Janeiro noutras cidades brasileiras que foram influenciadas pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que apelaram ao voto no partido de extrema-direita. Neste consulado, o Chega, ficou à frente da AD com 8.512 votos ou 26,28%. Em segundo, a AD ficou com 6.124 votos ou 18,91%.

Já o consulado de S. Paulo deu a maioria à coligação, liderada por Luís Montenegro: 5.282 votos ou 22,59%. Em segundo e a uma curta distância da AD, o Chega colhe 5.212 votos ou 22,29%.

Em relação aos votos nulos, a taxa de anulação foi de 36,68%, o que significa que 122.327 boletins foram desconsiderados. A falta de cópia do cartão de cidadão do eleitor tem sido apontada como a principal razão para a anulação dos votos.

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