Cónego luso-venezuelano Marcos Gonçalves presidiu à missa patronal de Nossa Senhora do Monte na ilha da Madeira

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A missa em honra da Assunção de Nossa Senhora do Monte, celebrada no passado sábado, 15 de agosto, foi presidida pelo cónego luso-venezuelano Marcos Gonçalves, vigário-geral da Diocese do Funchal. O bispo titular, D. Nuno Brás, não esteve presente por se encontrar na Venezuela no âmbito de uma visita e missão pastoral às comunidades portuguesas, após os sismos que afetaram aquele país no passado dia 24 de junho.

Desde a sua nomeação como vigário-geral da Diocese do Funchal, a 24 de julho de 2024, o também pároco da Sé Catedral desta diocese é o primeiro sacerdote nascido na Venezuela a assumir a segunda posição em importância dentro da Igreja Católica nesta jurisdição eclesiástica da Região Autónoma da Madeira.

Gonçalves é igualmente o primeiro sacerdote luso-venezuelano a presidir à festividade de Nossa Senhora do Monte. A Madeira é uma região insular que acolhe numerosos cidadãos venezuelanos devido aos laços fraternais e culturais que a ilha mantém com a Venezuela, país que concentra a maior diáspora madeirense no mundo e que conta com clérigos venezuelanos de origem portuguesa.

Durante a homilia, o presbítero Gonçalves saudou as autoridades civis, militares, académicas e municipais presentes, bem como os peregrinos, emigrantes e demais fiéis. Destacou que a afluência à festividade demonstra que a fé continua a ser um património vivo na Madeira e um sinal de unidade para o povo. O sacerdote recordou a origem da devoção a Nossa Senhora do Monte, associada à tradição segundo a qual a primeira criança nascida na ilha, chamada Adão, terá mandado construir uma capela naquele local. Acrescentou que, ao longo dos séculos, os habitantes da Madeira têm recorrido a esta devoção mariana em momentos difíceis da sua história, como sismos, aluviões e epidemias.

Ao centrar a reflexão no mistério da Assunção de Maria, o cónego explicou que este acontecimento simboliza a vitória sobre a morte e constitui um sinal de esperança para os cristãos. Segundo o sacerdote, contemplar Maria elevada ao céu ajuda os fiéis a compreender que foram criados para a vida eterna, uma esperança que deve traduzir-se num maior compromisso com a vida terrena, ao serviço dos outros e da justiça.

O sacerdote fez um apelo a viver ativamente a fé, sublinhando que esta deve manifestar-se num testemunho concreto através da conversão pessoal, do serviço ao próximo e da transformação do ambiente. Também alertou para a tendência de procurar a felicidade na riqueza, no sucesso ou no poder, assinalando que apenas o amor de Deus sacia o coração humano.

Na parte final da homilia, o cónego exortou os fiéis a tomar decisões práticas como colocar Deus em primeiro lugar, perdoar, servir, educar os filhos na fé e cuidar dos mais vulneráveis. Concluiu encomendando à intercessão de Nossa Senhora do Monte a Diocese do Funchal, o bispo D. Nuno Brás, os sacerdotes, as famílias, os jovens, os idosos, os doentes e os emigrantes da Madeira, em especial os radicados na Venezuela que sofreram os recentes movimentos telúricos. Pediu ainda proteção para as autoridades públicas da região, a fim de que exerçam a sua missão com sabedoria, justiça e espírito de serviço ao bem comum.

A festa de Nossa Senhora do Monte remonta aos primórdios do descobrimento da ilha da Madeira e é uma das celebrações populares mais concorridas do arquipélago. A devoção dos habitantes está ligada a uma aluvião ocorrida em 1803 que causou a morte de aproximadamente mil pessoas, facto que motivou a Diocese do Funchal a proclamar, no ano seguinte, Nossa Senhora do Monte como padroeira da Madeira.

Um sacerdote que une a Venezuela e Portugal através da fé

Marcos Fernandes Gonçalves nasceu na cidade de Caracas, na Venezuela, em setembro do ano de 1975, e a sua família regressou à ilha da Madeira quando ele tinha 6 anos de idade. Durante a celebração das suas missas costuma rezar pela nação caribenha e pelos emigrantes venezuelanos, e inclui a leitura do Evangelho em idioma espanhol.

A sua ordenação sacerdotal realizou-se a 26 de julho de 2003. No ano de 2006 foi nomeado reitor da Igreja do Largo do Colégio e em 2008 ficou designado como diretor do Gabinete de Informação da Diocese do Funchal, funções que exerceu até ao ano de 2023. Durante esse período, a 18 de outubro de 2019, foi elevado a cónego.

A partir do ano de 2013 assumiu as funções de pároco na igreja de São Martinho até ao ano de 2020, quando o bispo D. Nuno Brás o nomeou pároco da Sé Catedral do Funchal. O cónego é padrinho do grupo musical Tradiciones, integrado por luso-venezuelanos radicados na Madeira, que interpreta aguinaldos, parrandas e vilancicos nas missas do parto para evocar os costumes venezuelanos na ilha.

Durante a sua trajetória como pároco de São Martinho editou dois livros: um sobre o centenário da igreja e outro em banda desenhada sobre a história da localidade. Posteriormente, na Sé Catedral do Funchal, recebeu a 22 de novembro do ano de 2021 a relíquia de São José Gregório Hernández das mãos do cardeal Baltazar Enrique Porras Cardozo, e tem oficiado várias missas em honra da Virgem de Coromoto, padroeira da Venezuela.

Por: Marcos Ramos Jardim

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