Conselheiro quer “rigor, precisão e frontalidade” na avaliação dos portugueses na África Do Sul

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O conselheiro da diáspora madeirense na África do Sul, José Luís da Silva, apelou ao Governo para avaliar com “rigor, precisão e frontalidade” a situação em que vivem centenas de portugueses na África do Sul.

“O Governo português precisa de ser informado da situação dos portugueses na África do Sul com rigor, precisão e frontalidade, não é dizer que está tudo muito bem, que se está a tratar do assunto, que os portugueses são pessoas muito valentes, isso não chega”, declarou José Luís da Silva à Lusa.

O conselheiro madeirense referiu que a crescente criminalidade no país e o problema recorrente dos violentos tumultos, saques e vandalismo, que afetou em julho pelo menos uma centena de negócios portugueses na província de Gauteng e em KwaZulu-Natal, “tem de ser encarado com dureza e realismo”.

“Não pode haver fantasias, e não podem fazer promessas que depois não se podem cumprir, que isso é ainda mais grave”, frisou.

José Luís da Silva sublinhou que a comunidade portuguesa radicada há mais de três gerações no país vive “certamente bastante preocupada”.

“Não digo que esteja em pânico que não é o caso, mas está muito preocupada com o futuro e o curto prazo porque o que aconteceu recentemente já aconteceu há três anos”, acrescentou.

Em 2019, pelo menos 20 comerciantes portugueses foram também alvo de violentos ataques xenófobos, pilhagens e vandalismo que sacudiu a região metropolitana de Joanesburgo.

“Na altura, alertei as nossas autoridades, pedi que houvesse um grupo de trabalho para se anteciparem estas situações, que pudesse dialogar com as autoridades provinciais, com a polícia e até mesmo com o ministro da Polícia, mas nada foi feito, porque na ótica das nossas autoridades a situação não se iria repetir”, referiu o conselheiro madeirense radicado em Joanesburgo.

“Infelizmente, não estamos preparados porque não queremos estar preparados”, vincou.

O conselheiro frisou que o impacto da recente onda de violência “será muito difícil de avaliar num curto espaço de tempo”, notando que além de prejuízos materiais “muito elevados”, existem também “danos psicológicos” porque as pessoas “perderam o seu modo de vida”.

“Já falei com muita gente aqui e o estado psicológico destas pessoas é realmente algo que terá de ser atendido”, frisou.

José Luís da Silva defendeu que o Governo português “tem que deslocar para o terreno pessoal técnico devidamente habilitado”, salientando que a embaixada deve procurar identificar as pessoas afetadas e comunicar com os concidadãos na África do Sul através das redes sociais e da tertúlia das academias do bacalhau, que os “políticos gostam de frequentar”.

“As jornadas pantagruélicas têm que acabar porque vêm para aqui é para trabalhar, e a comunidade já se cansou de ouvir discursos e promessas falsas”, adiantou.

O conselheiro madeirense considerou que a recente nomeação de um adido social para a África do Sul “só peca por ser tardia”, devido à falta de conselheiro social “há quase 12 anos”, salientando que a missão do novo técnico será “muito difícil” tendo em conta a dimensão da comunidade estimada em 450 mil portugueses e lusodescendentes no país, a maioria com ligações à Madeira.

“O maior desafio é a situação em que vivem centenas de portugueses, não apenas em Joanesburgo, (…) ele não pode passar o tempo num escritório, terá de ir para a rua constatar pessoalmente as necessidades e carências das pessoas por forma a avaliar a situação no terreno e terá de ter assistentes sociais profissionais para o ajudar numa tarefa que é extremamente difícil”, referiu.

A embaixada de Portugal, em Pretória, convocou os conselheiros portugueses, incluindo os da diáspora madeirense na África do Sul, para um primeiro encontro de trabalho na quinta-feira, na capital sul-africana.

“Espero que seja delineado um plano de trabalho, que não seja só conversa fiada, que seja realmente uma oportunidade para se começar a delinear uma linha de ação do adido social que certamente terá de contar com o apoio dos conselheiros locais, aqueles que se interessam, mas o que me preocupa também é que há conselheiros de país que só aparecem para festas, almoços ou reuniões que não sejam de trabalho”, declarou José Luís da Silva.

O novo adido social Diogo Franco, nomeado em junho, chegou recentemente ao país para trabalhar a partir do consulado-geral em Joanesburgo, a maior área de jurisdição consular portuguesa no país, em regime de comissão de serviço por um período de três anos.

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