Conselheiros Madeirenses apelam à sensibilidade e direitos da emigração

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Sónia Goncalves / Correio / Lusa .- O Conselho da Diáspora reuniu-se no dia 8 de agosto de 2017, no Funchal, para discutir vários temas de interesse. O encontro, presidido pelo Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, Sérgio Marques, permitiu a cada um dos 12 conselheiros oriundos de várias partes do Mundo apresentar as preocupações do país que representam.

Reconhecendo o esforço feito pelo Governo Regional e Nacional para apoiar os luso-venezuelanos que retornam ou chegam pela primeira vez a Portugal, o Conselho da Diáspora subscreveu «a orientação da União Europeia na condenação da violência e no respeito pela integridade institucional e pala Constituição Bolivariana de 1999, mas insiste em manter abertos todos os canais diplomáticos com as instituições diplomáticas», defendendo negociação entre as partes para conseguir o regresso à normalidade democrática.

O Conselho da Diáspora enalteceu a criação do Gabinete de Apoio ao Emigrante da Venezuela, que tem como objetivo “a promoção” e a “adequada reintegração social” dos emigrantes e luso-descendentes regressados do país à região autónoma.

O conselheiro Aleixo Vieira, presente na última reunião, debruçou-se sobre vários temas, como direitos de equivalência profissional e académica na Região e em Portugal; migrantes afetados pela falência dos bancos Banif e BES, tecendo fortes críticas ao governo pela insensibilidade como tem tratado o assunto relacionado com os lesados, especialmente na Venezuela e na África do Sul. No encontro, foram ainda debatidas medidas para apoiar a emigração venezuelana que, aquando da realização da reunião, vivia momentos de tensão, sendo importante referir que uma proposta de moção do governo madeirense contou com a plena aprovação dos conselheiros. Também propôs a necessidade de criar uma figura representativa da emigração no parlamento regional, pois atualmente 45 deputados representam 250 mil madeirenses que residem na ilha e cerca de três milhões de madeirenses que vivem na Diáspora nunca tiveram um representante na assembleia regional.

O Conselho da Diáspora Madeirense é um órgão consultivo do Governo Regional em que os Conselheiros são escolhidos pelo próprio governo. São ao todo 21 conselheiros distribuídos entre alguns países e regiões onde a imigração madeirense é representativa, em quantidade ou em ações. Deles apenas 3 são mulheres, e duas delas são do Brasil. O Conselho se reúne uma vez por ano logo após a realização do Fórum Madeira Global, encontro criado com o objetivo de contatar os madeirenses espalhados pelo mundo e dar a conhecer suas ações.

Para a Venezuela, foram nomeados três representantes que têm diferentes experiências na comunidade lusitana.

  1. José Aleixo Vieira Mendonça tem 52 anos e é natural do Funchal. Emigrou para a Venezuela em 1982. É empresário. Paralelamente dedicou-se ao jornalismo participando em diversos projetos de portugueses que trabalhavam na divulgação de notícias da comunidade luso-venezuelana. Na década de noventa começou a colaborar com o ‘Diário de Notícias’ da Madeira, na divulgação de reportagens e noticiário diverso sobre a presença dos madeirenses em terras de Simón Bolívar. Em 1999 com outros portugueses e com o apoio do jornal madeirense, criou o jornal ‘Correio de Caracas’, depois rebatizado ‘Correio da Venezuela’.
  2. José Francisco Fernandes de Freitas tem 44 anos, é natural da cidade-capital de Caracas, técnico superior (TSU) em Mecânica de Manutenção pelo Instituto Universitário de Tecnologia Industrial, é cantor e empresário. Fundou em 1995 a organização “Musical Aries”. Desempenhou vários cargos dirigentes no Centro Social Madeirense em Valência, tais como Presidente da Direção e membro do Conselho Fiscal daquela associação. Pertenceu ao Conselho Consultivo Consular de Portugal na cidade de Valência. Recebeu em 2010 a Comenda “ Sol de Carabobo” concedida pelo Estado de Carabobo.
  3. Paulo Mariano de Sousa Aljustrel tem 62 anos de idade, nasceu em Caracas e é licenciado em engenharia civil pelas universidades de Santa Maria (Venezuela, 1984) e de Coimbra (Portugal, 1991). Complementa as licenciaturas com os cursos de Administração de Empresas e Elementos da Gestão de Construção na Universidade Metropolitana de Caracas. É membro do “Colégio de Engenheiros de Venezuela”. Foi diretor, em três períodos diferentes, do Centro Português em Caracas. Também já foi diretor no Instituto Português de Cultura. É conselheiro da Direção do lar da terceira idade “Padre Joaquim Ferreira”, em Los Anaucos (Miranda). Foi coordenador (ad honorem) do projeto e construção deste lar, o que lhe mereceu em 2004 o Diploma e Medalha (Grau Ouro) de Mérito das Comunidades Portuguesas outorgada pelo secretário de Estado das comunidades portuguesas, assim como a condecoração «Cecílio Acosta» em primeira classe que outorga o Governador do Estado de Miranda. Está ligado à comissão organizadora do Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses na Venezuela, desde o ano 1999, sendo atualmente o seu Presidente.

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