Conselhos para evitar ‘o síndrome de classe turística’

Os especialistas advertem para a possibilidade de aparecer a Doença Trombo Embólica Venosa (ETEV) quando o trajecto é de quatro horas ou mais.

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O projecto ‘Wright’, um estudo levado a cabo pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no qual se fala sobre os perigos mundiais das viagens, determinou que existem probabilidades elevadas de que algumas pessoas mais susceptíveis desenvolvam a Doença Trombo Embólica Venosa (ETEV) quando fazem trajectos de mais de quatro horas de avião, automóvel ou autocarro.

O denominado ‘síndrome da classe turística’ está ligado aos transtornos causados pela limitação de movimentos durante os trajectos longos. Alguns dos sintomas que podem surgir são a sensação de inchaço nas pernas, formigueiro, dores e enjoos. Se estes sintomas se agravarem, podem levar à chamada ‘trombose do viajante’, que acontece com o aparecimento de trombose nas veias das pernas, geralmente em pessoas que têm uma alteração da coagulação ou sofreram uma trombose prévia, segundo explicam os peritos.

O vice-presidente de Flebologia e Linfologia da Sociedade Espanhola de Angiologia e Cirurgia Vascular, Fidel Fernández, explicou as dificuldades que o sangue tem para regressar ao coração quando se permanece muito tempo na mesma posição. “As artérias levam o sangue com muita pressão e velocidade, mas a capacidade aspirativa do coração é muito débil (a capacidade de sucção para activar o regresso do sangue às veias). No caso das pernas, fica dificultada pela gravidade, pois ao estar sentado, o sangue tem de subir até chegar ao coração”, sublinhou.

Para conseguir este retorno venoso, o especialista explica que cada vez que nos movemos, contraímos os músculos que comprime as veias, e ao estar ordenada a direcção do fluxo por estas válvulas, o sangue progride na direcção adequada, ou seja, para o coração.

Alguns dos conselhos dados pelos especialistas para evitar este tipo de doenças são: Exercícios de flexo-extensão durante alguns minutos a cada hora, movendo braços e pernas e levantando a ponta dos pés; vestir roupa pouco justa, de fibra natural, que permita a transpiração; beber muitos líquidos (excepto álcool e café, já que estes favorecem a desidratação); dar um pequeno passeio pelo avião, comboio, ou fazer paragens ao longo de uma viagem de carro, para estirar as pernas; não colocar pacotes ou malas debaixo do assento; não cruzar as pernas de forma prolongada; fazer alongamentos e passeios após a viagem.

Em casos de alto risco, com prévia prescrição do médico, pode estar indicada “alguma medida mais intensa, como a utilização de meias curtas de compressão elástica, ingerir um fármaco anti-coagulante ou usar heparinas de baixo peso molecular”. O especialista propõe ainda aproveitar as férias para mudar hábitos de dieta, modificar os hábitos de exercício, praticar natação e a aplicação de cremes de efeito frio ou massagens directamente com creme frio, já que diminui a congestão, inchaço e cansaço das pernas.

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