Curiosidades do melhor destino insular do mundo

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O que chamamos de Ilha da Madeira é, na verdade, um conjunto de diversas ilhas. Apenas duas delas são habitadas: a Ilha da Madeira, que é a maior de todas, e Porto Santo, que possui belíssimas praias. As demais ilhas e ilhotas são divididas em dois grupos, as Desertas e as Selvagens, e são áreas protegidas, com muitas belezas naturais.

Embora a Ilha da Madeira seja parte de Portugal, ela fica a sudoeste do país, em meio ao Atlântico. Com isso, ao olhar no mapa, você verá que ela está mais próxima da África do que do continente europeu. Mas a diferença é pouca: o litoral marroquino fica a cerca de 725 quilômetros do madeirense, enquanto o sul de Portugal está a pouco mais de 850 quilômetros da ilha. A distância, no entanto, parece maior do que é na realidade. Um voo de Lisboa a Funchal, a capital da Madeira, tem duração de uma hora e meia.

A maior ilha do arquipélago da Madeira está cheia de histórias para contar. Conheça algumas curiosidades sobre o ‘jardim do Atlântico’.

 

Tradição do fogo-de-artifício

A tradição do fogo-de-artifício na Ilha da Madeira remonta ao século XVII. Já nesta altura, a passagem de ano era assinalada com fogueiras que se acendiam, iluminando e preenchendo de cor e de brilho os lares madeirenses. Mais tarde, no século XVIII, a comunidade inglesa residente na ilha introduziu o lançamento dos foguetes para marcar o início do Ano Novo.

Um século depois, o banqueiro madeirense João José Rodrigues Leitão optou por recriar esta tradição e a verdade é que, a partir daqui, as famílias abastadas da ilha começaram a competir umas com as outras, no lançamento dos foguetes, promovendo assim um espetáculo de fogo-de-artifício que se alastrava até às zonas mais altas da cidade.

O espetáculo pirotécnico servia, já na altura, para prolongar, pela noite dentro, as comemorações nos salões de baile.

Este espetáculo foi crescendo ao longo dos anos e ganhando mais adeptos até alcançar, em 2006, o reconhecimento internacional de “Maior Espetáculo de Fogo-de-Artifício do Mundo” pelo Livro de Recordes do Guinness.

 

Varrer dos armários

No dia 15 de janeiro, os madeirenses celebram o Santo Amaro e dedicam esta altura ao “varrer dos armários”. Trata-se de uma tradição popular que dita o fim das festas natalícias na Madeira, data em que as famílias desmontam os presépios e todas as decorações natalícias, partilhando e saboreando as últimas iguarias.

O concelho de Santa Cruz assinala esta efeméride, em homenagem ao seu padroeiro, através da realização de uma animada festa popular madeirense – “arraial” – naquela cidade.

 

O Entrudo

O Entrudo constituía uma brincadeira de loucas correrias, incluindo batalhas de água, de farinha e ovos, antes de surgirem as batalhas de serpentinas. No Funchal existia uma área particularmente animada na Terça-Feira Gorda, onde decorria este alvoroço: situava-se bem no centro da cidade, num troço da Rua da Carreira, entre o Largo da Igrejinha e a Rua de São Francisco, alongando-se, por vezes, até à Travessa do Freitas. A folia durava três horas e quem se atrevia a atravessar esta área sujeitava-se às regras do Carnaval, sendo que nem os polícias escapavam a estes “ataques”.

Todo este ambiente era vivido intensamente e o desfile, que começava às 14 horas, era sempre aguardado com ansiedade. As «partidas» de Carnaval, o cortejo de mascarados e de calhambeques sem capota e a multidão nos passeios, nas varandas e janelas, davam cor, alegria e animação a esta moldura de folia carnavalesca. Uma tradição que foi extinta no final da década de 40 do século XX.

 

Baile da Rosa

As origens da Festa da Flor remontam ao “Baile da Rosa”, festa organizada pela primeira vez em 1954 pelo Ateneu Comercial do Funchal. Essa festa caracterizava-se por um baile que marcava o início da primavera e incluía uma exposição-concurso de flores.

Foi em 1979 que se realizou a primeira Festa da Flor, forma encontrada para potenciar o valor da flor como fator de dinamização turística. Este tornou-se num belíssimo evento ao ar livre, onde se realçam as manifestações criativas do povo madeirense.

Nesse ano comemorava-se o Ano Internacional da Criança e a Direção Regional do Turismo, para dinamizar um pouco mais o evento, concebeu a tradição do passeio infantil até à Praça do Município para as crianças aí construírem o “Muro da Esperança”. Esta atividade uniu-se ao Cortejo da Flor e à exposição de flores, manifestações artísticas que se mantêm até aos dias de hoje.

Esta é uma data perfeita para desfrutar de uma Madeira ainda mais bela, já conhecida pela sua espetacular natureza, pela sua rica cultura e pela sincera hospitalidade do seu povo.

 

Cristovão Colombo

Cristóvão Colombo se deslocou pela primeira vez à ilha da Madeira em 1478, incumbido de comprar 2.400 arrobas de açúcar. Desde a descoberta do arquipélago que ocorreram diversos ciclos económicos na Madeira, sendo o “Ciclo do Açúcar” talvez um dos mais emblemáticos pelo número de comerciantes atraídos pelo então muito cobiçado “ouro branco”.

Mercadoria muito apetecida e apreciada nas grandes metrópoles europeias, a sua produção captou a atenção de inúmeros comerciantes europeus, incluindo o patrão do jovem Colombo.

O porto comercial do Funchal era na época uma capital cosmopolita de um Mundo em expansão, onde comerciantes e aventureiros das mais diversas nacionalidades partilhavam conhecimentos e curiosidades.

 

Carlos de Habsburgo

Foi a 1 de abril de 1922 que faleceu na Madeira, o imperador Carlos de Habsburgo, I de Áustria e IV da Hungria, que aqui viveu exilado entre 19 de novembro de 1921 e 1 de abril de 1922. Durante o tempo em que permaneceu na Madeira, residiu na Quinta do Monte, atualmente denominada Quinta Jardins do Imperador.

Na Casa dos Romeiros, junto à Igreja de Nossa Senhora do Monte, onde o seu corpo se encontra sepultado, está patente ao público uma exposição permanente sobre a vida do ex-imperador da Áustria e ex-rei da Hungria.

 

Churchill na Madeira

Winston Churchill, o célebre primeiro-ministro britânico da 2.ª Guerra Mundial, passou 12 dias de férias na Madeira, em janeiro de 1950, e deixou marcas profundas no turismo da região.

O Reid’s Palace Hotel endereçou o convite no verão de 1949, para assinalar a sua reabertura após a 2.ª Guerra Mundial e Winston Churchill chegou à ilha no dia 1 de janeiro de 1950, a bordo do navio Durban Castle. Vinha acompanhado da esposa, da filha mais velha, de duas secretárias, um criado pessoal, um guarda-costas e ainda do coronel Frederick Deakin, que o assessorava na escrita das memórias.

No dia 8 de janeiro de 1950 deslocou-se a Câmara de Lobos, sete quilómetros a oeste do Funchal, num automóvel Rolls Royce da família Leacock. Num recanto, à entrada da vila, montou o cavalete e a tela, sentou-se e pintou a baía e o ilhéu. O fotógrafo Raul Perestrelo imortalizou o momento e, atualmente, o local é designado por Miradouro Winston Churchill.

Este ilustre visitante deveria permanecer na Madeira até 16 de janeiro de 1950, mas alterou o seu regresso para o dia 12, por causa da antecipação das eleições gerais em Inglaterra para fevereiro desse ano. Deixou a ilha a bordo de um hidroavião da companhia inglesa Aquila Airways, tendo a esposa e a filha regressado na data inicialmente prevista.

 

Celebração da independência dos EUA com vinho madeira

A celebração da independência dos Estados Unidos, no dia 4 de julho de 1776, foi comemorada com um brinde de vinho Madeira.

Muitas foram as personalidades, estadistas e personagens míticas, que se deixaram deslumbrar por este vinho, de que são emblemáticos exemplos George Washington, Thomas Jefferson e Winston Churchil, sem esquecer as referências ao vinho Madeira em obras literárias, tais como as de Shakespeare, Tolstoi e Dostoievski, assim como a paragem de Napoleão a caminho do exilio para levar um tonel para a ilha de Santa Helena.

Para ficar a conhecer melhor este néctar dos deuses, nada melhor que participar na Festa do Vinho Madeira e testemunhar uma tradição centenária que faz parte da história do mundo!

 

Carros de bois

Até o final dos anos 70 do século XX circulavam na avenida do Mar os típicos carros de bois, para gaudio dos residentes e dos visitantes. Este carro sem rodas, construído em vime e madeira, cujos assentos apresentavam tecidos de vivas cores, deslizava como um trenó e era puxado por dois bois guiados por um boieiro (vestido de branco, com botas chãs e chapéu de palha). O boieiro acompanhava-se de Sabia que…um candeeiro para iluminar o caminho na falta de iluminação pública.

Reza a história que o primeiro carro de bois construído na Madeira, em 1477, pertenceu ao capitão inglês C. Balkey.

Até o primeiro quartel do século XX, este era o meio de transporte mais usado no Funchal e estava classificado em duas categorias: carros de luxo e carros modestos. Os primeiros destinavam-se ao serviço do turismo, casamentos e funerais, e os segundos eram utilizados em todas as outras situações.

Os carros de bois, entretanto, entraram em desuso por razões higiénicas e pelas circunstâncias próprias do desenvolvimento regional.

 

Comboio no Funchal

Havia um “Caminho de Ferro” do Monte, que era percorrido na altura pelo “Comboio do Monte” ou “Elevador do Monte”, ligando a Rua do Pombal, no Funchal, ao Terreiro da Luta, no Monte, numa extensão inclinada de 3,911 km.

Os estudos para o “Caminho de Ferro” do Monte foram concebidos em 1886, pelo engenheiro Raul Mesnier Ponsard, e o primeiro troço até a Levada de Santa Luzia foi inaugurado a 16 de julho de 1893. Em 1894 entra em funcionamento a locomotiva a vapor, importada da Alemanha, e em 1912 o comboio chega finalmente ao Terreiro da Luta, localidade situada a 850 metros de altitude.

A 10 de setembro de 1919, quando o comboio subia em direção ao Monte, deu-se uma explosão na caldeira de uma locomotiva, acidente que ocasionou a sua inoperacionalidade até 1 de fevereiro de 1920.

A 11 de janeiro de 1932 ocorreu um novo acidente, desta vez suscitado por descarrilamento. A partir de então o caminho-de-ferro caiu em desuso, sendo considerado perigoso.

Aliando este facto ao eclodir da II Guerra Mundial e ao consequente decréscimo no número de visitantes à Madeira, a companhia que explorava este meio de transporte faliu. A última viagem do comboio realizou-se em abril de 1943.

 

O Orquestrofone

Um Orquestrofone é um instrumento musical mecânico, e o que se encontra na Madeira foi fabricado em 1900, por Limonaire Frères na França.

Integrado nas coleções do Museu Quinta das Cruzes, no Funchal, o orquestrofone é constituído por uma enorme estrutura em madeira, belissimamente decorado, e possui um sistema mecânico de leitura de cartões perfurados, acionável por manivela, que emite o sinal para os diversos instrumentos, permitindo a reprodução musical.

Estes instrumentos, que estiveram desde sempre vocacionados para a difusão musical pública (cinemas, feiras e salões de baile), foram largamente divulgados na Europa a partir de finais do século XIX/início do século XX. O Orquestrofone foi muito utilizado, em substituição de músicos, na animação de bailes e de festas ao ritmo de polkas, valsas e de outras músicas.

Hoje constitui uma peça de grande interesse patrimonial, não só por ser uma raridade no mundo dos instrumentos musicais mecânicos, mas também por documentar uma época exuberante, visível nas suas decorações neo-barrocas, nos seus bonecos mecânicos (autómatos) e nos seus estilos musicais.

Ao visitar a Madeira aproveite para descobrir esta raridade músico instrumental.

 

Bandeira azul no Porto Santo

A praia do Porto Santo é detentora de Bandeira Azul há quase três décadas. Desde 1992 que a Ilha Dourada tem ostentado o galardão Bandeira Azul, atribuído anualmente às praias que cumprem um conjunto de critérios de natureza ambiental, de segurança, de informação, de sensibilização ambiental e de conforto para os utentes.

Para além da sua fantástica praia e do seu clima seco e estável, a ilha do Porto Santo – primeiro descobrimento português realizado no século XV e local de residência do navegador Cristóvão Colombo –, apresenta-se como um destino multifacetado que oferece atividades paralelas à praia, como o hipismo, o golfe, os passeios a pé ou as massagens terapêuticas tendo por base as areias medicinais.

 

Primeira viagem hidroavião

A primeira ligação aérea entre a Madeira e a Inglaterra aconteceu em março de 1949, num voo experimental da companhia aérea “Aquila Airways” realizada no hidroavião “Hampshire”, trazendo a bordo altas individualidades portuguesas e estrangeiras.

Esta viagem foi o início de uma prestigiada carreira regular de hidroaviões entre a Madeira, Lisboa e Inglaterra, que teve a duração de nove anos, terminando em 1958 por razões financeiras.

De referir que, nos primórdios do desenvolvimento turístico do destino Madeira, os turistas oriundos deste mercado chegavam à Madeira unicamente através de ligações marítimas.

 

Pesca grossa

Na ilha da Madeira, autêntico viveiro subaquático, é muito comum a prática desportiva de pesca grossa, sendo a ilha considerada como um dos melhores destinos do mundo para tal.

É já longa a tradição da participação da Região no Campeonato Mundial de Pesca ao Blue Marlin, tendo alcançado por três anos consecutivos (de 1995 a 1997) o primeiro lugar deste evento, respetivamente, por Jess Miller, Steward Campbell e Mike Day.

Nas últimas edições do campeonato, foram marcados e libertados cerca de 100 Blue Marlins nos mares deste arquipélago. Este foi considerado como um dos melhores anos de sempre a nível mundial e a melhor edição para a Região.

 

Um craque “Made in Madeira”

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro nasceu no Funchal a 5 de fevereiro de 1985, tendo começado a sua carreira nas categorias de base do Clube de Futebol Andorinha de Santo António.

Em 1995, foi para o Clube Desportivo Nacional e o seu sucesso com a equipa levou-o a assinar com o Sporting Clube de Portugal por duas temporadas.

O talento precoce de Ronaldo chamou a atenção de Sir Alex Ferguson, treinador do Manchester United. Em 2003, quando tinha apenas dezoito anos, Ronaldo assinou um contrato com o clube inglês.

Ronaldo tornou-se no maior marcador numa temporada na história do Real Madrid, por quem assinou para a temporada de 2009/2010, e é o Capitão da equipa portuguesa de futebol. Em abril de 2012 foi considerado o jogador de futebol mais valioso do mundo e nunca esqueceu a terra onde nasceu, apoiando diversas iniciativas lúdicas e desportivas do seu bairro natal: a Quinta Falcão.

Percorra as ruas da cidade do Funchal e aventure-se a conhecer as raízes humildes de um craque que continua a fazer história nas páginas do futebol mundial, visitando igualmente o seu museu, localizado na Avenida Sá Carneiro, onde estão em exposição todos os troféus que o internacional português recebeu até o dia de hoje.

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