Curiosidades sobre o escritor Gabriel García Márquez

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Revista Galileu .- Um dos maiores escritores da América Latina, o colombiano Gabriel García Márquez, carinhosamente chamado de “Gabo”, é um dos maiores nomes do gênero “realismo mágico”. Nascido em Aracataca no dia 6 de março de 1927, García Márquez tem como obra-prima o romance Cem Anos de Solidão. Mas escreveu também obras de não ficção, como Notícias de Um Sequestro e Relato de Um Náufrago, e outro romances famosos como O Amor nos Tempos de Cólera e Memórias de Minhas Putas Tristes.

Criado principalmente pela avó materna, cresceu ouvindo histórias imaginativas e supersticiosas, que anos depois inspiraram sua obra literária. Além de escritor, García Márquez teve uma relevante carreira no jornalismo e no ativismo de esquerda, sendo amigo íntimo de Fidel Castro. Foi o terceiro escritor latino-americano a conquistar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1982, e morreu aos 87 anos na Cidade do México, em 17 de abril de 2014, vítima de câncer linfático.

Jornalista brilhante: Antes de ser reconhecido como escritor, Gabo teve uma longa carreira no jornalismo entre 1947 e 1980. Trabalhou como repórter, colunista, crítico de cinema, correspondente internacional em jornais e revistas como El Espectador, El Heraldo, El Independiente, Momento, em países como Colômbia, Venezuela, Cuba, Estados Unidos e França. Em 1974, foi cofundador da revista Alternativa, que durou até 1980. Também criou a Fundação Novo Jornalismo Ibero-americano (FNJI), em Cartagena de Índias. A experiência no jornalismo proporcionou duas de suas grandes obras de não ficção: Relato de Um Náufrago, publicado pela primeira vez em 14 edições do El Espectador, em 1995; e Notícias de Um Sequestro, livro reportagem de 1996.

Família vende tudo: A obra-prima de García Márquez, que o catapultou para a fama, só foi publicada graças ao sacrifício da esposa do autor, Mercedes Bacha. O livro foi escrito na Cidade do México em 18 meses, e concluído em 1966. No ano seguinte, uma editora argentina se interessou em publicá-lo. Quando o casal foi ao correio enviar o manuscrito, descobriu que a remessa custaria 83 pesos – e eles só tinham 45. Enviaram somente metade e, ao chegarem em casa, Mercedes pegou seus eletrodomésticos, penhorou tudo e enviou a outra parte com o dinheiro. “Agora, só falta o romance ser ruim”, disse a ele, com raiva. Não era. Sem nenhum tipo de campanha, os 8 mil exemplares publicados em junho se esgotaram nos primeiros 15 dias. Até hoje, o livro já vendeu mais de 30 milhões de cópias em 40 idiomas.

Briga com Vargas Llosa: Os dois maiores escritores da América Latina, Gabriel García Márquez e o peruano Mario Vargas Llosa se conheceram em 1967, em Caracas, durante uma premiação literária. Rapidamente descobriram coisas em comum, como terem sido criados pelos avós maternos, relacionamentos problemáticos com os pais e, acima de tudo, a paixão por William Faulkner. A amizade durou até 1976, quando, em um cinema no México, Llosa surpreendeu García Márquez com um soco cruzado de direita. Até hoje ninguém sabe os verdadeiros motivos da agressão, mas especula-se que tenha sido por divergências políticas: Gabo não escondia que era fã e amigo de Fidel Castro, enquanto Llosa cultivava um crescente desprezo pelo socialismo cubano.

Nobel de Literatura: García Márquez foi o terceiro escritor latino-americano a ser condecorado com o Prêmio Nobel de Literatura, entregue pela Academia Sueca. Foi laureado em 1982 “pelos seus romances e contos, em que o fantástico e o real se combinam num mundo densamente composto pela imaginação, refletindo a vida e os conflitos de um continente”. À época, já havia publicado 10 livros, entre romances, contos e não ficção, incluindo Cem Anos de Solidão.

Amor ao cinema: Além do jornalismo e da literatura, o escritor foi um grande entusiasta e promotor do cinema. Entre 1965 e 1985, foi roteirista de oito filmes. Também sempre foi aberto a permitir a adaptação de suas obras em película ou para a TV. Por sua relação íntima com Fidel Castro e o regime socialista em Cuba, ajudou a fundar em 1985 a Fundação do Novo Cinema Latino-americano (FNCL), sediada em Havana e presidida por ele até 2014. A FNCL é uma referência regional na formação de profissionais de cinema, TV e audiovisual.

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