Danny regressa às origens

Jogador luso-venezuelano retorna ao Marítimo, onde teve a formação que fez com que fosse o primeiro descendente luso a jogar no Mundial de futebol

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Foi no bairro El Güire, da urbanização Santa Fe, que Danny Alves começou a dar os primeiros passos e também a pontapear uma bola de futebol. Apesar de ser fã de beisebol e basquetebol, desportos que sempre jogou com os seus amigos na Venezuela, este ‘venezuelano’, filho de portugueses naturais da Madeira, sempre mostrou ter um grande potencial, responsabilidade e dedicação na hora de jogar futebol.

Foi este potencial que despertou a atenção de Chico Fernandes, levando-o logo para a Madeira, quando ele ainda não tinha 15 anos de idade. Os seus primeiros dias na ilha, na casa de sua avó, não foram fáceis: apesar de estar sempre na companhia de tios, primos e outros parentes, Danny diz que chorou muito. No entanto, o desejo de realizar o seu grande sonho deu-lhe a força necessária para seguir em frente.

Agora, o médio madeirense, que foi anunciado como um novo reforço do Marítimo, regressa a uma casa que lhe é bem conhecida, não tivesse sido na freguesia de Santo António, ond eo Marítimo tem as instalações e campos de treino, que o atleta se formou para o mundo do futebol. Conhecido maritimista, Danny saiu da Madeira para o Sporting de Portugal com apenas 19 anos de idade, pouco depois de ter sido lançado na primeira equipa por Nelo Vingada. Desde então, construiu uma carreira sólida, repleta de momentos de grande nível, como os títulos em solo russo ou as internacionalizações pela seleção nacional.

Com passagens pelo Sporting e Dínamo de Moscovo, foi no Zenit de São Petersburgo, na Rússia, que Miguel Danny se destacou, depois da formação azul-turquesa ter despendido qualquer coisa como 30 milhões de euros pelo seu passe, à época a mais cara transferência interna de sempre do futebol russo.

Ao longo de nove temporadas servindo o Zenit, o médio criativo alinhou em 248 jogos e apontou 67 golos, tendo deixado a equipa em 2017 para rumar para o Slavia de Praga, na República Checa. Não menos importante foram as suas participações na selecção portuguesa: esteve presente no torneio de Toulon em 2003, na qualificação da Europa de Sub-21, no Europeu, nos Jogos Olímpicos de 2004 e no Mundial da África do Sul.

 «Foi o meu primeiro mundial, jogar o primeiro jogo foi uma coisa que sonhei desde criança. Nunca pensei que iria conseguir. Nasci na Venezuela e espero que um dia a Venezuela chegue ao Mundial, porque o seu futebol está a melhorar bastante e vai crescer ainda mais com os jogadores que jogam na Europa. Mas jogar num Mundial, a titular, logo no primeiro jogo, contra a Costa do Marfim, foi espectacular», garantiu recentemente numa entrevista ao jornal ‘Expresso’.

Agora, aos 34 anos, Danny volta a envergar a camisola verde-rubra: o internacional português  disse estar “feliz e orgulhoso” por voltar ao Marítimo e garantiu que vai ajudar o clube da I Liga Portuguesa de Futebol. «Estou bastante feliz e super orgulhoso de voltar a uma casa que conheço bem. Fui bem recebido pelos meus colegas, pelo presidente, pela direção. Espero ajudar a equipa a concretizar os objetivos para este ano e venho com toda a vontade e humildade de ajudar», afirmou na apresentação à comunicação social.

Danny jogou pela última vez no Marítimo na época 2003/04, por empréstimo do Sporting, e voltar à Madeira era um sonho, que foi facilmente concretizado, apesar de ter outras propostas do estrangeiro. «Foi com muita emoção e alegria que voltei a pisar o relvado dos Barreiros e neste momento da carreira só podia jogar em dois clubes, no Zenit ou no Marítimo. Voltar a casa e ao Marítimo é algo que eu sempre sonhei. A única equipa em Portugal onde podia jogar era no Marítimo. É a equipa do meu coração, a que me lançou no campeonato português», referiu.

O começo de uma história de sucesso

Danny foi apresentado na companhia do seu pai, Carlos Alves, na antiga sede do Marítimo da Venezuela, na urbanização Los Chorros de Caracas, ao treinador Chico Fernandes, formador das camadas jovens do Marítimo da Madeira, que participava com uma equipa de jovens no ‘Mundialito’ da Venezuela. Luzia franzino, mas as suas palavras reflectiam desde o primeiro momento querer e ambição de ter sucesso no futebol em Portugal.

O primeiro treino de apresentação foi feito no Centro Português de Caracas em jogo particular. Posteriormente, a equipa de jovens do Marítimo da Madeira participou num jogo amistoso na Casa Portuguesa de Aragua e foi aí que Danny não só convenceu o treinador Chico Fernandes, como também a todos os companheiros da equipa e comitiva de diretores.

Convencer a mãe do atleta a deixá-lo ir foi muito mais difícil, mas Danny foi persistente e não desistiu do seu sonho. Foi com o apoio do pai que a mãe cedeu para deixar o filho partir. Foram dias muito duros e difíceis para a família em Caracas, mas foi o começo de uma história cheia de sucessos que até hoje faz os venezuelanos e portugueses se sentirem orgulhosos.

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