Carlos Marques
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Manuel da Silva Oliveira, conhecido em toda a Venezuela como o fazedor de gelados dos mil e um sabores, dono da Geladaria Coromoto, no estado Mérida, detém o recorde do número de sabores produzidos até hoje: São mais de 855 sabores diferentes.

Um deles, o ‘Correio de Venezuela’, contém cerejas vermelhas e verdes, pêssego e vinho do Porto, e é a sobremesa por excelência da comunidade portuguesa.

Silva nasceu a 27 de Outubro de 1930, na freguesia de Souto da Feira, em Santa Maria da feira, Aveiro. Decidiu emigrar para a Venezuela em 1953, chegando primeiro a Caracas, onde trabalhou em pastelarias e cafés. Foi nesta cidade que conheceu a esposa, Anastacia Pereira, meridenha com quem teve três filhos. Em 1968, decide fixar-se em Mérida, onde arrendou um pequeno café.

Mas o negócio não corria bem a este português, pelo que um dia um familiar da esposa incitou-o a comprar uma ‘barquillera’ e a dedicar-se à venda de gelados. Ele comprou a ‘barquillera’, que foi das primeiras a sair na época, adquiriu produtos que lhe foram recomendados e arriscou-se no negócio. Ao fim de um tempo conseguiu criar o primeiro sabor, o de abacate. Teve dúvidas em colocá-lo à venda, mas conseguiu vendê-los.

Em 1981, inaugura a geladaria a que chamou de Coromoto, devido à sua grande devoção à Virgem de Coromoto, padroeira da Venezuela, e ao índio Coromoto.

Daí em diante, a imaginação e criatividade não pararam, e deu nomes a cada sabor que ia nascendo. «Não percebia nada de gelados, tudo aconteceu a pouco e pouco, as ideias foram saindo». Sabores a ‘jojoto’, cachorro-quente, arroz com frango, mariscos, ‘auyama’, são alguns exemplos. Há ainda os que chamou de RCTV, lua-de-mel, malta, há o de morango com nata e mais outras centenas de sabores que o tornaram conhecido internacionalmente. Entrou no Guiness em 1991, com a loja de gelados com mais sabores disponíveis no mundo.

Oliveira foi visitado por pessoas de todo o planeta, por muitos jornais e revistas de países como a Itália, Alemanha, Portugal, Espanha, Suíça, Estados Unidos. «Há uns dias esteve aqui um casalinho da Rússia, e cada um me deixou um bilhete do seu país… deixam-me tantas coisas», conta.

Já foi condecorado pelo governo venezuelano, câmaras de comércio e muitas empresas privadas, pela marca de interesse turístico e pela sua geladaria ser um ponto obrigatório para centenas de pessoas.

Foi ainda condecorado a 29 de Janeiro de 2000 como Feirense do Ano, num acto da associação civil ‘Amigos das terras de Santa Maria da Feira’, no Centro Português de Caracas.

Sempre guardou as suas receitas com zelo, mas quando chegou à sua criação número 300, decidiu ensinar uma filha, Ermelinda da Silva Ramírez, e os seus empregados. Os sabores são criações de que o mundo desfruta na cidade dos cavaleiros e em Faro, no Algarve (Portugal), geladaria que abriu com o filho mais velho, e que tem o mesmo nome da geladaria da Venezuela.

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