Delegação da UE na ONU satisfeita com recandidatura de Guterres a secretário-geral

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O representante permanente da União Europeia (UE) junto da Organização das Nações Unidas (ONU), o sueco Olof Skoog, considerou a liderança e a recandidatura de António Guterres como secretário-geral muito positivas.

“Acho que são boas notícias que o secretário-geral tenha anunciado a sua disponibilidade para um segundo mandato. A liderança que ele mostrou é muito muito positiva” declarou Olof Skoog em conferência de imprensa virtual, em que a agência Lusa participou.

Segundo o representante permanente europeu, as prioridades da União Europeia “são muito alinhadas” com as do secretário-geral.

Algumas das prioridades para a delegação da UE dentro da ONU, com sede em Nova Iorque, são as vacinas contra a covid-19, a atual crise económica e social mundial, as tensões entre potências, direitos humanos e clima.

“Tenho a dizer que ele [António Guterres] olha para a UE com um papel de moderador em assuntos mundiais, que projeta uma abordagem diferente sobre o multilateralismo”, disse Olof Skoog, dando o exemplo das discordâncias entre China e Estados Unidos.

“Visto que a tensão entre China e Estados Unidos tem travado muito na ONU, a União Europeia representa uma abordagem diferente, que o secretário-geral pensa que é um modelo de muitas maneiras”, declarou o embaixador sueco.

Olof Skoog disse à imprensa que teve uma conversa longa com o secretário-geral na quarta-feira, em que um dos pontos abordados foi como o conjunto europeu dos 26 tem o potencial de ser um “poder regulador” a vários níveis, para além da “necessidade de voltar a normas internacionais em muitas áreas”.

A ordem internacional com regras engloba também o ciberespaço e, desta forma, a UE serve como um modelo no que diz respeito à regulamentação da internet, acrescentou o diplomata, que representou a Suécia e a União Europeia em vários pontos do mundo, como Indonésia, Colômbia e Venezuela.

Em muitas questões, “somos um parceiro para ter liderança nestas prioridades”, considerou o representante da UE, exemplificando o grande investimento (com cerca de 850 milhões de euros) na plataforma Covax para as vacinas, criada pela ONU.

Acerca da pandemia de covid-19 e da distribuição de vacinas, “muito mais ainda pode ser feito”, disse Olof Skoog, tanto a nível interno da UE, como a nível global com outros países fora do bloco.

“Olhamos para a Organização Mundial da Saúde para liderar, mas certamente, trabalhando com o secretário-geral para ver o que pode ser feito”, declarou o antigo presidente permanente do Comité Político e de Segurança da UE.

Na questão de alterações climáticas, Olof Skoog disse que o secretário-geral reconhece “a forte influência” das ações e liderança da União Europeia nos compromissos assumidos por outros Estados-membros da ONU.

“Devemos continuar a liderar e pedir a outros que nos sigam no que diz respeito a objetivos ambiciosos de emissões zero [de dióxido de carbono]”, disse o representante permanente da UE.

O antigo primeiro-ministro António Guterres, atual secretário-geral da ONU, declarou-se disponível para um segundo mandato no passado mês de janeiro.

O processo para a seleção do secretário-geral é conduzido pela Assembleia-Geral da ONU, que já pediu aos Estados-membros que apresentem candidaturas.

Vários líderes de países europeus, como a Alemanha e o Reino Unido, já mostraram o seu apoio a António Guterres para um segundo mandato, de 01 de janeiro de 2022 até ao final de 2026.

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