Departamento de Português da UCV celebra 20 anos

A comunidade estudantil e o corpo docente organizaram workshops e conferencias sobre a língua portuguesa

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O CORREIO presenciou as actividades realizadas no âmbito do aniversário do departamento de português da UCV e conversou com diversos participantes, que não só mostraram a sua visão da semana de aniversário, como também deram as suas opiniões no que diz respeito ao desenvolvimento português, as suas expectativas profissionais, assim como o apoio da casa universitária e várias entidades lusas.

815 lugares preenchidos em menos de 5 minutos

“A melhor maneira de celebrar o aniversário do departamento foi promovendo o idioma, gerando debates e ampliando conhecimentos”, assinala Lucius Daniel, director da Escola de Idiomas da UCV desde 2008. Para Daniel, ao longo deste anos, “duas metas cumpridas foram a contratação de pessoal e ter um espaço adequado para as aulas”. A par do curso em idiomas, estão os cursos oferecidos ao público em geral, “cuja procura é cada vez maior e significou um árduo trabalho satisfazê-la. Com efeito, há uns anos, os lugares eram marcados pela internet e acabavam em 20 minutos, a convocatória seguinte foi de 15 minutos, e este ano, demorou menos de cinco minutos, tempo durante o qual os 2500 pessoas aspiravam entrar na quota de 815 lugares”, explica.

Promovendo a investigação

“20 anos de funcionamento é um feito muito importante, sobretudo porque no seu desenvolvimento não só se dão aulas mas também se promove a investigação e a cultura”, afirma a professora Digna Tovar, que coordena as aulas do idioma português na Escola de Idiomas da Universidade Central de Venezuela. Nestes eventos, contaram com a colaboração de várias entidades bastante comprometidas. “Tivemos o valioso apoio da embaixada de Portugal na Venezuela, do Instituto Camões, do Centro de Língua Portuguesa e de CIAL. Obrigada pela colaboração.”

CIAL premeia a excelência

A Escola de Idiomas CIAL, situada em Lisboa, ofereceu um chamativo prémio para quem ganhar um concurso sobre língua e cultura portuguesa, “que consiste num curso intensivo mais a estadia, o que me permitirá conhecer melhor o idioma, praticar a pronúncia e aprender a forma de vida em Portugal”, explicou a vencedora, Vanessa Días, filha de emigrantes madeirenses. “Durante as provas, estive um pouco nervosa porque sabia a importância que tinha demonstrar os meus conhecimentos e poder ganhar esse extraordinário prémio patrocinado pela CIAL. Para além disso, queria receber um livro de poemas de Sofia de Mello e um dicionário do acordo ortográfico, de muita utilidade pois estuda a tradução.

Conhecendo a lusofonia

Os estudantes participaram com evidente entusiasmo nos eventos do aniversário. Um deles foi Otoniel Carrasquel, jovem que está no primeiro ano de Idiomas, Inglês e Português. “Nestas actividades, conhecemos a história do departamento, estabelecemos ligações com outros países lusófonos do mundo e aprendemos sobre temas tão interessantes como as diferenças entre as variantes portuguesa e brasileira, assim como as internas em cada um destes países.”

Tudo isto é essencial para alguém que, como Carrasquel, gosta tanto do idioma. “Escolhi português porque é uma língua com um auge tremendo, é uma ferramenta que me vai ajudar muito como profissional, e, ainda que não tenha família portuguesa, sinto-me muito identificado com o idioma.”

Legado cultural

José Luis Hernández, estudante do primeiro ano de Idiomas Modernos, escolheu o português como uma das suas especialidades. “Conheci o idioma através de um intercâmbio cultural há três anos, num encontro de organizações não governamentais realizado em El Salvador, onde tive contacto com brasileiros. Decidi estudar a língua como curso, e quando cheguei à escola, e ouvi a variante de Portugal, decide-me pelo sotaque europeu.” Também se sentiu motivado pela história, a maneira como o país influenciou o mundo, o desenvolvimento como navegadores e até na gastronomia.” Hernández espera que tudo isto continue a ser explorado em futuros eventos da Escola, “porque aprendemos muito e aprendemos não só com os professores que dão as aulas e as conferências mas também partilhamos com outros estudantes interessados na língua.”

Venezuelanos entusiasmadosRainer SousaRainer Sousa, coordenador do ensino do idioma da embaixada de Portugal na Venezuela, participou na semana de aniversário. Para ele, “foi muito significativa porque reflectiu o esforço que se fez estes anos, demonstrou o laço entre o Instituto Camões com a UCV e agora com a CIAL, uma escola de idiomas muito importante em Portugal, que ofereceu um prémio para um estudante desta universidade que tanto contribuiu para o ensino da língua”. Expressou ainda estar satisfeito “pelo entusiasmo das gerações jovens por aprender português, especialmente por aqueles que não têm sangue português, que são venezuelanos crioulos, isso enche-me de orgulho.”

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