“Devemos continuar com o legado dos nossos pais

O médico luso-descendente quer fazer um intercâmbio médico, na área da cirurgia bariátrica, com especialistas em Portugal

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Jean Carlos de Abreu
deabreujean@gmail.com

O médico cirurgião luso-descendente Agustín Vieira trabalha na zona Leste da Venezuela há 21 anos como director da unidade de Cirurgia do Hospital Luís Razzeti de Puerto La Cruz, no estado Anzoátegui, a instituição médica mais importante da zona.

Este profissional da Saúde nasceu no estado Aragua e é filho de portugueses naturais da Ponta do Sol, Madeira. Estudou Medicina na Universidade de Carabobo, em Maracay. Já fez diversas pós-graduações na área do transplante renal e em cirurgia bariátrica. “Fiz a minha especialização no Clínico Universitário de Caracas e no Brasil, onde me especializei em problemas de obesidade.”

Actualmente, Agustín Vieira, para além de atender pacientes e ter a responsabilidade da unidade cirúrgica, dá aulas na Universidade do Oriente na cadeira de cirurgia.

Quanto ao trabalho que realiza diariamente no hospital, supervisiona e atende pacientes obesos.

Ser mais humano

“Há que trabalhar mais com os pacientes que sofrem de obesidade mórbida. Devemos inculcar-lhes hábitos saudáveis e fazer com que mudem a sua forma de pensar”, diz Vieira, sublinhando que a sua unidade de trabalho conta com ajuda de psicólogos e da endocrinologia.

Segundo o cirurgião, “há falsas crenças de que tudo se resolverá com uma operação”. Por isso, ressalta o facto de que o paciente deve mudar a sua forma de pensar.

Luso-descendentes pioneiros

Agustín Vieira explicou que foram médicos luso-descendentes que fundaram a unidade de cirurgia bariátrica no Hospital Razetti. “Temos sido pioneiros na zona Leste do país em criar esta unidade médica num hospital público, onde as pessoas não pagam nada.”

Do seu ponto de vista, a comunidade portuguesa reduziu em cerca de 30 por cento, devido às diversas vicissitudes socioeconómicas que se apresentaram nos últimos tempos na nação.

“Os jovens luso-descendentes devem tentar ultrapassar a cultura e a língua. Durante 50 anos, com a emigração, os lusos que chegaram cá trabalharam para tentar seguir em frente com a família, dar-lhes um futuro melhor. Agora, há que continuar com esse trabalho. A ideia é continuarmos a nos integrar com os venezuelanos e evitar a desagregação”, disse. “Devemos continuar com o legado dos nossos pais”, acrescentou

Agustín Vieira disse ainda que os portugueses contribuíram muito para as diferentes culturas onde residem, e manifestou o seu interesse em fazer um intercâmbio médico com Portugal, mais especificamente na área da cirurgia bariátrica. Este médico luso-descendente faz parte da associação de Médicos Luso-descendentes da Venezuela (Asomeluve) e reiterou que “um intercâmbio deste tipo servirá de experiência para formar os médicos que praticam este tipo de operação”.

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