Dia de Portugal

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Alberto João Jardim

10 de Junho 2022, passados 879 anos desde a Fundação de Portugal (Tratado de Zamora, 4 Fevereiro 1143). O que pode dizer quem, como eu, tem uma vida pública de oposição ao Sistema Político da Constituição de 1976?

Oposição para a qual o 25 de Abril de 1974 me deu Liberdade.

Meio século após o 25 de Abril, o positivo conseguido no domínio dos Direitos, Liberdades e Garantias, vem sendo corroído por um imobilismo, conservadorismo e reacionarismo de um Sistema Político inadequado, nascido já há 46 anos do mundo tanto ter mudado, bem como do conformismo e covardia de então ante novas ameaças fascistas.

Há que rever a Constituição da República!

Hoje, por inércia criado um vazio religioso, o socialismo instalou-se como «religião» laica «oficial» do Estado. Bandeira e pretexto dos que, PARADOXALMENTE recorrem ao Relativismo e à preguiça produtiva, sem ambições, nem Ideais, interessados apenas em «comer e beber», alienados por uma comunicação “social” que, tanto por sorna como por necessidades financeiras, lá vai alinhando com o poder político.

Hoje, em Lisboa, as televisões generalistas foram apenas COVID, hoje são Ucrânia e Costa/Marcelo. Nada mais existe, e muito menos conta.

Uma nova actividade económica, o assistencialismo, até dá para empregar gente sem ter de trabalhar muito, pagar «administrações», facultar viaturas e dar mediatismos a sequiosos de tal.

Na União Europeia, este Portugal que entrou tarde, mas que é Estado há mais séculos que quase todos os outros e que concretizou a Renascença europeia nos mares e outros continentes, na UE, Portugal sobrevive em «apagada e vil tristeza», meramente esmoler e sem fibra para as mudanças de fundo, para se distinguir como País que quer as mudanças imprescindíveis e inadiáveis. Claramente rendido e parceiro dos nacionalismos centralistas dos Estados-Membros após a crise financeira de 2008, se não quer mudar internamente, muito menos quererá o necessário federalismo europeu!

Reacionário, este Portugal, sempre enganado por mitos e ignorâncias, vê agora nas Autonomias Políticas insulares os novos Adamastores! É a trágica cultura colonial de séculos. Nem no século XXI a «classe política» de Lisboa, sempre diferente das Élites – não aprendeu.

Conservadora, de uma ponta política à outra, só se afirma pelo exercício de um poder político entendido como «puro e duro», porque necessita de mostrar «quem manda».

Sendo a «classe política de Lisboa» diferente das Élites nacionais, não consegue entender que Portugal, continente e insular, precisa de ser um Estado consensual que a todos aceite e respeite nos respectivos Direitos à Diferença e ao governo próprio.

Com os Estados ex-colónias, Portugal mascara a arrogância, «perdoando-Lhes dívida». Enquanto às Regiões Autónomas, exige-as com juros.

Portugal vive também na ilusão igualitarista, onde a Igualdade não é entendida como de Direitos, de Deveres e de Oportunidades, mas algébrica, como se todos os Seres Humanos não fossem diferentes entre Si e como se o Mérito de cada um não tivesse que ser considerado e recompensado.

Daqui, embora paradoxo, mais produto da ambição individual enlouquecida, serve-se mediaticamente o exibicionismo de patetas, para escancarar a boca dos basbaques.

Meio século após Abril, um «sistema educativo», cheio de tontarias incivilizacionais, desmotivou a Produtividade, desarmou a Disciplina Democrática e estabeleceu exigências impossíveis num Estado que a «plebe democrática» quer «patrão» e não de Democracia Social.

Meio século após Abril, um «cultura» estatizada sustenta e é confundida com taras e exotismos minoritários, que não são Cultura evolutiva e progressista, nem maneira portuguesa de estar no mundo.

Hoje, 10 de Junho de 2022, eis Portugal sem Ideais, conformado à mediocridade, rendido ao consumismo que não pode aguentar, sem vontade de trabalhar e de produzir, exigindo cada vez mais de uma União Europeia também em declínio se não se Lhe acode, fé tonta no «socialismo».

Um Portugal vivendo dia-a-dia numa «informação» genérica, rafeira e parcial, censória mesmo, propositadamente imposta pelos Poderes que controlam o poder político. E, vencido, aceitando que Lisboa continue a pisar o resto que eles, aí, querem considerar «paisagem».

Hoje, os Heróis portugueses, ou são aqueles que tiveram de ir para o estrangeiro, a fim de aí poderem se distinguir, ou são profissionais de modalidades desportivas.

É num Portugal assim, que qualquer Homem ou Mulher livre tem o Direito de não querer estar!

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