Disco “As canções da casa escura” de António Manuel Ribeiro já a venda

António Manuel Ribeiro edita a 9 de abril o seu novo disco a solo As Canções da Casa Escura. O tema Amor Perdi serve de introdução. «Em As Canções da Casa Escura reúno canções que fui guardando para o tempo certo, espécie de colheita em repouso, sem barrica de carvalho. Chegaram até hoje; juntei-as agora e adoro a sua coerência, vindas de diferentes ilhas da inspiração e dos episódios que vamos visitando nesta fisicalidade. Solitário gravei, num período de confinamento social por imposição sanitária», conta-nos António Manuel Ribeiro.

E porquê um disco a solo nesta altura e não da sua banda de sempre, os UHF? António Manuel Ribeiro responde-nos que «estamos parados, a música parou  no contacto direto com o público, o palco e o espetáculo. Os nervos. Nos UHF, porque temos um selo editorial próprio e independente, vencemos este vazio com a edição de 3 discos ao vivo ao longo do ano 2020. Mas continuamos parados, depois do segundo confinamento decretado em Janeiro. Os concertos remarcados para Março e Abril foram adiados para Maio, para o verão e já um para 2022. Podíamos continuar a editar discos ao vivo, temos mais uns 7 ou 8 concertos gravados, mas estaríamos a fazer mais do mesmo, sem risco. Por isto, escolhi avançar com um disco a solo, revelando um leque de canções que guardei ao longo dos anos, a que juntei quatro novas canções gravadas sem um ensaio – os músicos adaptam-se há muito às situações de crise. havia um fio condutor, o outro lado de mim sem UHF».

O «curioso» nome do disco As Canções da Casa Escura tem uma razão muito particular «era um título que andava comigo há muito tempo. A ‘casa escura’ era o sítio para onde a minha mãe me enviava quando eu, em miúdo, rebelde e traquinas, me portava mal, segundo o conceito de uma mãe disciplinadora. Estas canções não saem da casa escura da pandemia, mas de um cofre onde guardei preciosidades. Há canções neste disco que poderiam entrar nos álbuns dos UHF, mas seriam diluídas no todo. Este disco, apesar do tempo que levou a ser feito, é coerente nos vários anos e épocas em que foi escrito. Gosto muito deste trabalho», declara António Manuel Ribeiro.

Mais um facto curioso desta edição: o single Amor Perdi sai no exato dia do álbum As Canções da Casa Escura de onde faz parte. Mas do que trata este single? Uma história de qualquer um de nós? Autobiográfico? A explicação de António Manuel Ribeiro é simples «ao contrário de uma escritora da moda que um dia afirmou numa entrevista que as suas histórias são pura ficção sem nada dela dentro, nego, em absoluto, esse conceito. Este disco sou eu com as minhas crises existenciais, os amores e os desamores, a ironia crítica e  a alegria de um sujeito igual a todos os que o ouvem e ressentem as canções como histórias da sua própria vida. A música popular é universal por este fator – na diferença, todos somos iguais.