‘El Hatillo’ e Academia do Bacalhau na despedida de Paulo Cafôfo

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Agostinho Silva
asilva@dnoticias.pt

Paulo Cafôfo, presidente da Câmara do Funchal, teve uma despedida apoteótica da Venezuela, com uma homenagem da Academia do Bacalhau de Caracas e um encontro com o ‘alcalde’ do município de El Hatillo. O autarca regressa hoje ao Funchal.

“Nunca senti tanto Portugal como o senti aqui na Venezuela», confessou o autarca na noite de terça-feira, durante o encontro mensal da Academia do Bacalhau de Caracas, onde Paulo Cafôfo foi homenageado pelo presidente José Luis Ferreira e restantes ‘compadres’ daquela organização.

A Academia do Bacalhau de Caracas é uma das seis dezenas de academias espalhadas pelo mundo, sendo a que maior número de membros tem registado (mais de 400). Para além dos momentos de lazer que proporciona, as academias destacam-se pelo facto de proporcionarem ajudas concretas a diversos necessitados, em todo o mundo. No caso da Academia do Bacalhau de Caracas, onde pontificam membros com estatuto social e empresarial de elevado destaque, o principal beneficiado é o Lar de Idosos Pe. Joaquim Ferreira, cujo funcionamento é financiado pelos empresários que integram a academia caraquenha.

Na última tertúlia, realizada terça-feira no Salão Gales, na capital venezuelana, a Academia do Bacalhau de Caracas prestou uma homenagem ao presidente da Câmara do Funchal e ao Bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC). O autarca madeirense aproveitou para evocar as capacidades da comunidade portuguesa, por saber adaptar-se às especificidades da Venezuela e por «fazerem» Portugal nesta latitude. «Não temos petróleo, a nossa riqueza são os portugueses e tudo aquilo que fazemos pelo mundo», disse o autarca, dando como exemplo a «obra» que a comunidade lusa tem na Venezuela.

Razão mais do que suficiente para que o autarca tivesse repetido o apelo para que os emigrantes vejam a sua terra — a Madeira e o Funchal em particular — como «terra de oportunidades», na qual poderão dar um contributo decisivo para o desenvolvimento de Portugal.

Por seu turno, o Bastonário dos Técnicos Oficiais de Contas confessou que regressava a Portugal com «uma imagem completamente diferente» da que tinha antes desta deslocação à Venezuela. «Portugal está a tantos quilômetros, mas está aqui tão bem representado».

Domingues de Azevedo, que voltou a destacar-se pelo seu dom de oratória, terminou a sua intervenção com nova alusão subtil à situação actual na Venezuela: «Não desanimem! Desanimar é morrer!»

Encontro em El Hatillo
Pouco antes de deixar Caracas, esta quarta-feira, Paulo Cafôfo deslocou-se ao município de El Hatillo, onde residem mais de 100 mil habitantes, com muitos portugueses incluídos. O autarca funchalense teve um curto encontro com David Smolansky Urosa, ‘alcalde’ que gere actualmente os destinos do município que é conhecido pela seu rico artesanato, mas sobretudo é um município quase auto-suficiente na gestão dos seus recursos.

Cafôfo e Smolansky trocaram impressões sobre o funcionamento do município, convergindo inevitavelmente para a importância da comunidade portuguesa no funcionamento do comércio local. Os dois autarcas estabeleceram pontes para um relacionamento mais próximo, a médio prazo.

TAP E RTP PREOCUPAM EM CARACAS

A situação político-social na Venezuela degrada-se a cada dia. A comunidade luso-venezuelana tenta manter-se afastada dos conflitos internos, mas é evidente o descontentamento com o rumo que o país está a levar, o que se consubstancia na falta de produtos para comercializar, o que prejudica directamente milhares de madeirenses comerciantes em toda a Venezuela.

Apesar da gravidade dessas situações, os emigrantes portugueses preferem referir-se a questões que directamente envolvem Portugal. São os casos da TAP e da RTP, que não estão a «respeitar» a comunidade luso-venezuelana.

Queixam-se os emigrantes do facto da RTP Internacional ter alterado o horário de emissão do Telejornal da RTP-Madeira, que antes passava em diferido pelas 20 horas em Caracas, e que agora só pode ser visto quase de madrugada. «Esqueceram-se que a maioria dos madeirenses tem de levantar-se cedo, pelas 5 ou 6 da manhã, para poderem estar nos seus negócios», confessaram-nos. «Menos mal que temos o DIÁRIO online, onde podemos ter acesso a toda a informação sobre a Madeira.»

A TAP é outra fonte de preocupação na Venezuela. Para o Panamá, por exemplo, a companhia aérea pratica preços a rondar os 500 euros, mas para a Venezuela aquele valor triplica, no mínimo. «A TAP quer ajustar contas com a Venezuela usando o nosso dinheiro», queixam-se alguns luso-venezuelanos.

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