Fins do Lago: «Estou certo de que haverá espaço para aprofundar as relações bilaterais entre Portugal e a Venezuela»

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O novo embaixador de Portugal na Venezuela, João Pedro Fins do Lago, elogiou na sexta-feira a comunidade portuguesa local, instando-a a recuperar o nível das relações entre ambos os países, «que sofreram uma redução assinalável».

«Os empresários portugueses e luso-venezuelanos encontraram neste país inúmeras oportunidades de investimento e contribuíram muito para o seu progresso e para a sua modernização. Queremos não só manter, mas aumentar esse contributo que os portugueses dão à sociedade e à economia venezuelana, com benefícios para todos», disse o diplomata.

João Pedro Fins do Lago falava no Centro Português de Caracas, na noite de sexta-feira, para centenas de portugueses que participaram nas celebrações locais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e do 64.º aniversário daquela instituição.

«É do conhecimento comum que, devido a vários fatores nos anos mais recentes, as relações entre os nossos países sofreram uma redução assinalável. Não obstante, tenho confiança que nos próximos anos, aproveitando as oportunidades que se antecipam, possamos aproximar-nos dos níveis alcançados no início da década passada», frisou o embaixador.

João Pedro Fins do Lago começou por explicar que «as relações bilaterais entre Portugal e a Venezuela vêm de longa data e, ao longo dos tempos, foram cimentando uma amizade profunda e fraterna entre o povo português e o povo venezuelano».

«São relações que se caracterizam hoje, como no passado, pelo profundo respeito mútuo entre os povos, culturas e tradições. Estou certo de que haverá espaço para (…) aprofundar mais ainda os laços entre ambos os povos na sua marcha comum, feita de muito trabalho em direção a uma prosperidade maior e a um futuro melhor», disse, recordando que «num passado ainda recente, as relações económicas e empresariais entre Portugal e a Venezuela foram bastante frutíferas».

O diplomata recordou Luís de Camões e as celebrações do 10 de Junho e explicou que Portugal «se orgulha da sua cultura, da sua língua, da sua antiga história, da epopeia marítima única que, pela fibra e clarividência dos portugueses, atravessou oceanos desconhecidos».

«Levou o nosso povo aos quatro cantos da terra, numa diáspora sem igual», acrescentou.

O diplomata congratulou-se com o facto de quase 8.000 alunos, na maioria lusodescendentes, aprenderem português na Venezuela e revelou que a ambição é atingir entre 8.500 e nove mil alunos já no próximo ano letivo.

Explicou, por outro lado, que «a comunidade portuguesa e lusodescendente na Venezuela é a maior comunidade de origem europeia» num país que acolhe «quinhentos mil lusitanos».

«A comunidade portuguesa na Venezuela é vista como um exemplo. Em muitos casos, na terceira ou quarta geração está profundamente enraizada na sociedade venezuelana, que a respeita e estima. Isso mesmo me fizeram sentir os venezuelanos com quem me tenho encontrado desde que aqui cheguei, desde o comum cidadão das ruas de Caracas até as mais altas cúpulas do Estado venezuelano», disse.

O diplomata destacou ainda a «imensa admiração, o exemplo de perseverança, ética de trabalho e honestidade» como todos se referem à comunidade lusa local.

«A importância da comunidade portuguesa neste país é reconhecida pelo Governo português. Há algumas semanas, o senhor secretário de Estado das Comunidades Portuguesas escolheu a Venezuela como primeira viagem oficial fora da Europa. (…) Foi um gesto que nos deixou gratos, porque teve o simbolismo de reconhecer a importância desta nossa comunidade», disse.

Sobre o 64.º aniversário do Centro Português de Caracas, Fins do Lago destacou ser uma casa que «continua de modo exemplar a servir a comunidade», mantendo um espírito jovem e de iniciativa em constante renovação e permanente reinvenção.

«Este magnífico Centro Português de Caracas, a maior associação portuguesa de todo o mundo da diáspora, é um grande exemplo de modernidade, não apenas por causa das magníficas e belíssimas instalações, mas também pelas múltiplas e diversas atividades desenvolvidas no desporto, na recriação, no ensino, na assistência à saúde, nas relações entre os sócios e as suas famílias», sublinhou.

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