Emigração de venezuelanos pode atingir 7 milhões em março de 2022

O Governo da Venezuela está em contactos para retomar o diálogo com a oposição.

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A crise política, económica e social da Venezuela que se arrasta há vários anos, continua a levar milhões de venezuelanos a abandonarem o seu país. Aliás, a Organização dos Estados Americanos (OEA) alertou recentemente que o êxodo de venezuelanos poderá atingir os 7 milhões até ao primeiro trimestre de 2022, superando os 6,7 milhões do êxodo da Síria.

A Madeira, tal como tem feito ao longo dos últimos anos, tem também acolhido centenas de pessoas que decidiram fugir às diversas situações de instabilidade económica e social da Venezuela. De acordo as informações disponibilizadas ao JM por Rui Abreu, diretor Regional das Comunidades e Cooperação Externa, a Região, em 2020, recebeu cerca de 600 venezuelanos, lusodescendentes e luso-venezuelanos. No entanto, o responsável adverte que, destas pessoas, muitas ficaram por pouco tempo, acabando por regressar à Venezuela. De referir também que no ano passado, devido à pandemia, houve poucos voos com destino à Madeira.

Segundo diversas organizações, 5,6 milhões de venezuelanos abandonaram o seu país desde 2015, fugindo da crise.

O Governo venezuelano, do Presidente Nicolás Maduro, está em contactos para retomar o diálogo com a oposição, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega (MNEN), um dos países facilitadores do processo.

“A Noruega confirma que o Governo da Venezuela e a Plataforma Unitária da Venezuela se encontram em fase final de conversações exploratórias, com o objetivo de iniciar negociações, no México, facilitadas pela Noruega”, anunciou o MNEN na sua conta do Twitter.

A confirmação tem lugar depois de na semana passada o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, anunciar que o seu país estava disponível para ser sede de novas negociações entre o Governo de Maduro e o setor maioritário da oposição, liderado por Juan Guaidó.

No passado domingo, Nicolás Maduro exigiu como condição para avançar no diálogo que esteja representada toda a oposição ao seu regime, revelando, no entanto, que “vão bem” as negociações com o setor aliado de Juan Guaidó.

Nicolás Maduro explicou, durante as eleições primárias do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo), que o Governo fez “um conjunto de exigências” para um eventual diálogo com a oposição, começando pelo “levantamento imediato de todas as sanções criminosas contra a economia e a sociedade venezuelana”.

Em segundo lugar, exigiu “o reconhecimento das autoridades legítimas e constitucionais da Venezuela”, e depois “a renúncia à violência, à conspiração”.

O governante venezuelano referiu ainda que “na Venezuela há muitas oposições” e que desde 2019 e 2020 “têm surgido novas lideranças na oposição, lideranças muito distintas das que se conheciam no passado”.

Recorde-se que em 2016, o Vaticano propôs a realização de encontros de diálogo entre o Governo de Nicolás Maduro e a oposição. No entanto, em 2018, as negociações falharam e nelas participou o ex-presidente José Luís Rodríguez Zapatero, de Espanha.

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