Emigrante português em Toronto acolhe sírios para mostrar integração

"Nós, portugueses, somos um povo de imigrantes e conhecemos as barreiras e dificuldades quando entramos num país novo”, justificou

0
1018

CORREIO/LUSA

Uma das famílias de refugiados sírios no Canadá vai ser acolhida por um emigrante português em Toronto, que quer dar um exemplo de integração de estrangeiros no país.

«Nós, portugueses, somos um povo de imigrantes e conhecemos as barreiras e dificuldades quando entramos num país novo. Já temos toda uma estrutura em Toronto e no Canadá, mas a comunidade síria ainda tem muito trabalho pela frente para criar toda uma estrutura», diz, justificando o seu empenho neste processo.

O emigrante português desvaloriza o risco de serem terroristas, considerando que a aposta deve ser na integração social dos recém-chegados, que fogem da guerra civil na Síria.

«Acredito profundamente que no geral não há nenhuma ligação com outros factores que são a fonte dessa crise. Estamos a lidar com famílias que estão à procura de oportunidades», explica.

Todo o processo de avaliação dos «é rigoroso e demora o seu tempo», salienta Pedro Barata, que integra um grupo de dez famílias que vai patrocinar o acolhimento de refugiados sírios.

No seu caso, tem a responsabilidade de acolher quatro elementos de uma família que devem ficar definidos até Fevereiro do próximo ano. Para já a primeira preocupação é «encontrar uma residência para hospedar» os recém-chegados.

«Neste momento presumimos que somos nós a assumir inteiramente os custos durante um ano pela família de quatro elementos, tivemos que deixar garantias financeiras de um ano de patrocínio para podermos avançar com a candidatura para o acolhimento», diz.

O Governo Federal canadiano prevê acolher 25 mil refugiados sírios até ao final de Fevereiro de 2016, cerca de 10 mil chegam a Toronto e Montreal até final deste mês.

Segundo o luso-canadiano este número «não é elevado mas sim realista», pois identifica-se com o país (Canadá) «humanista e solidário», que acolhe «aqueles que necessitam», até pela sua história de um país de paz.

«Esta é a forma como o Canadá sempre se devia comportar, que é derrubar barreiras de indiferença e ter uma visão colectiva e multicultural, de apoio á próxima geração de imigrantes», frisou.

Pedro Barata é vice-presidente de Comunicação da United Way de Toronto e da região de York, uma organização não governamental (ONG) que disponibiliza serviços sociais para os que necessitam.

O emigrante também mostrou satisfação pela política do novo Governo Federal (liberal) em apostar numa maior abertura na política externa e de imigração, pois nos últimos dez anos, durante a governação conservadora o Canadá «deu muitos passos atrás», mas neste último mês sob a liderança do Justin Trudeau «tudo mudou».

«Pessoalmente estou muito satisfeito com esta nova política do nosso governo, em mais um exemplo humanístico», diz, acrescentando: «Não se trata de pessoas que estão apenas à espera de melhores oportunidades, mas sim de pessoas que estão a fugir de uma guerra, em situações de crise. Não vai ser perfeito, vão haver erros, mas a perfeição não pode ser uma barreira ao progresso».

Os refugiados já começaram a chegar ao Canadá, com o aeroporto internacional de Toronto, com um movimento diário de 100 mil pessoas, a disponibilizar um terminal especial só para refugiados, que vai estar em funcionamento até Fevereiro do próximo ano.

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here