Emigrantes contaram as suas histórias e expressaram as suas necessidades no Fórum Madeira Global 2022

0
10

No âmbito Fórum Madeira Global 2022, sob o tema ‘O Futuro das Comunidades’, que decorre no Centro de Congressos da Madeira, realizou-se uma mesa redonda, moderada pela jornalista Marta Caires e reunindo Alberto Viveiros, dirigente associativo na Venezuela, Cristina Andrade Correia, consultora financeira no Reino Unido, Filipe Santos, diretor do Centro de Estudos de História do Atlântico, Rigo 23, artista plástico, muralista e pintos em São Francisco, e ainda Rui Abreu, diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa.

Filipe Santos constatou que “as mobilidades dos madeirenses são uma constante estrutural da história da Madeira e desde o século XV que os madeirenses começaram a emigrar, inicialmente para outras ilhas, como Açores, São Tomé e Canárias”, centralizando atenções no século XIX, em que o Brasil foi o destino preferencial, até ao século seguinte em que a emigração foi mais generalizada. E sim, ainda mal tínhamos procedido ao povoamento e já estávamos a emigrar. Filipe Santos considera que a recente leva de emigrantes que regressaram à Madeira já não deverá pensar em voltar, mas admite que muitos possam no futuro regressar à Venezuela.

Para Alberto Viveiros, emigrante já de quarta geração, explicou como é que não tendo nascido na Madeira, tem essas relações à Região. “Sempre tive aquela simpatia em casa de fazermos este trabalho de continuarmos com as nossas tradições e cultura e desde os 14 anos comecei o trabalho no Centro Português”, partilhou, sentindo-se agradecido por esse cuidado dos seus antepassados em não deixar esquecer as origens, revelando que “sinto-me português, madeirense e também venezuelano”, espelhando um pouco o conteúdo da plateia, que o aplaudiu nesta sua afirmação.

Cristina Andrade Correia, por seu turno, pertence a outra geração de emigrantes, mais atual, deixando a Região com qualificação. “Fui à procura de um investimento em termos de carreira, trabalhar num banco português no reino Unido, mas pude constar desde o início histórias extremamente enriquecedoras, de pessoas que chegaram lá sem nada e que conseguiram construir uma grande qualidade de vida”, sintetizou, revelando-se sempre “muito próxima da comunidade portuguesa”. Diz que “a cultura em termos económicos é bem distinta, para melhor, no Reino unido”, detetando pessoas que foram sujeitas a umas dificuldades e que encontraram fórmulas de trabalho” e sucesso.

Rigo 23 é uma outra face da emigração, no caso no âmbito artístico. Diz que ele próprio tem uma tradição de emigração na família. Lembrou os primórdios da sua própria emigração, a partir de uma série de televisão da altura, o ‘Bonanza’, que o atraiu para outros m undos. “Não foi uma emigração por motivos financeiros”, partilhou, referenciando que o ilhéu “comtempla por natureza essa necessidade de saltar. Sinto-me atraído por esse abismo, que todos os ilhéus se deparam”, até porque “o madeirense tem uma curiosidade muito grande pelo que não conhece”.

Rui Abreu ouviu estes relatos, sintetizando que “vamos continuar a fazer história, porque a Madeira é muito mais do que um pontinho no Atlântico, e está representada em dezenas de países por esse mundo fora. A Madeira não seria nada sem as suas Comunidades”. O diretor regional lembra que hoje a emigração é distinta e mesmo os lusodescendentes “já nem todos prosseguem as atividades que eram tradicionais dos pais”. De resto, indo ao encontro do que dissera pela manhã José Cesário, em que evidenciou que hoje a emigração urbana suplanta em muito a emigração rural, que esteve nos primórdios deste fenómeno.

Em cima da mesa estiveram problemas transversais a todas as comunidades e que se arrastam no tempo, como seja a morosidade enfrentada na rede diplomática, que precisa ser reformulada, mas também a revisão da lei eleitoral, com todos os intervenientes a considerem ser necessário um círculo eleitoral para os emigrantes, no que diz respeito a eleições legislativas regionais, tanto no que concerne à Madeira como aos Açores.

Muitas críticas, ainda, ao desempenho da TAP, com reivindicações de ligações aéreas à África do Sul, já que foram já normalizadas as ligações a Caracas, com Paulo Cafôfo, entre outras constatações, a reconhecer que esse é um problema que terá que ser resolvido a breve trecho, revelando que teve já uma reunião com a CEO da transportadora aérea nacional nesse sentido.

Equivalências académicas, maior proximidade do poder autárquico com as Comunidades e uma estratégia mais concertada, entre dos governos da República e regionais, quer na captação de investimentos, quer no apoio a uma franja de emigrantes que hoje está “mais envelhecida e empobrecida”, conforme foi salientado, foram outras temáticas comuns ás diversas intervenções.

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here