Empresários venezuelanos preocupados com agravamento da crise económica

0
829

Lusa

A Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Caracas criticou ontem que o Governo venezuelano atribua a escassez de produtos e a alta inflação no país a uma «guerra económica», manifestando preocupação pelo agravamento da crise económica venezuelana.

«A Câmara de Comércio, Indústria e Serviços (CCC) vê com alarme e deceção as últimas medidas tomadas pelo Governo [intervenção administrativa nos negócios de comércio] porque representam a insistência num erro, que é acreditar que efetivamente está sugerida uma guerra económica e dar por certa a má-fé dos atores privados», refere um comunicado daquele organismo.

Segundo a CCC, as razões da inflação e da escassez de produtos no país são «a instrumentação de um modelo económico, o socialismo do século XXI, que, com controlos e obstáculos, devastou a capacidade produtiva privada do país, apostando que o capitalismo de Estado e a disposição unilateral das receitas petrolíferas pudessem compensar e substituir a atividade privada».

«Esse modelo ‘estatista’ [de Estado] não dá resultados. As empresas públicas não produzem e as receitas petrolíferas não se transformaram em novas capacidades. Agora, com a queda das receitas petrolíferas estamos indefesos perante os efeitos da crise (…). A inércia das políticas que fracassaram e o aumento do terror económico barram as poucas oportunidades que ficam», vinca a CCC.

Para a estrutura dos empresários, «sem Estado de direito e respeito pelos direitos de propriedade a crise económica aprofundar-se-á».

«Há problemas de escassez que aumentaram na mesma medida em que as políticas económicas foram demonstrando ser inviáveis. O mesmo aconteceu com a inflação. Os comércios não estão a obter lucros com as imensas filas diante das suas portas, pelo contrário, as filas impedem a lógica livre de comércio e a qualidade do serviço ao cliente», sublinha a CCC.

Para a CCC, «há que restaurar a confiança, respeitando os direitos de propriedade e as demais garantias dos cidadãos, definir uma política cambial que permita a livre obtenção de moeda estrangeira no país, permitir que as empresas trabalhem com custos e preços reais, evitar a intervenção administrativa indevida e a fixação forçada de preços, inferiores aos custos».

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here