Espírito empreendedor está no sangue

Situação político-económica da Venezuela trouxe à Madeira luso-venezuelanos que seguiram as pegadas dos seus pais, criando o seu próprio negócio. Apenas entrevistamos quatro destes, e somamos 14 novos postos de trabalho!

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Sónia Gonçalves

Numa altura em que muitos venezuelanos e luso-venezuelanos optaram pela Madeira como um sítio seguro para viver, longe da instabilidade política e económica que a Venezuela oferece, o CORREIO recolheu alguns testemunhos junto de jovens empreendedores que estão há pouco tempo na ilha, mas que reconhecem que a Região tem algum potencial para investimento. Afinal, o espírito empreendedor corre naturalmente no sangue destes filhos de portugueses também emigrantes.

Carlos Silva, de 34 anos de idade, está na Madeira há um ano e, após trabalhar oito meses como empregado no Recheio Cash & Carry, decidiu avançar com um snack-bar na zona da Ajuda, por detrás do Fórum Madeira. O estabelecimento, denominado “La Gran Caracas”, ainda nem fez um mês desde que abriu as portas e oferece variedade de comida típica venezuelana, como arepas, cachapas, pabellón criollo, hambúrgueres tipicamente crioulas, pepitos e chicha, entre outros.

O jovem, pai de dois filhos, veio com a mulher e decidiu vir para a Madeira devido à situação do país. Tinha uma ‘arepena’. Os meninos frequentam o primeiro ciclo e, segundo ele, «falam melhor o português do que o pai».

A empresa que abriu criou, no total, seis postos de trabalho.

Também Elizabeth Pereira é uma jovem empreendedora de 26 anos, solteira, que veio com os seus pais e decidiu investir na Ponta do Sol, terra natal dos seus ascendentes. A decisão de vir, o que implicou vender os bens de uma vida (os pais tinham uma charcutaria) teve por base a situação do país, a insegurança, os roubos e sequestros no seio familiar.

Há um ano e meio que está na Região sendo que, muito recentemente, inaugurou um espaço inovador no centro histórico daquele município, denominado “”HANDCRAFT BAR”. Formada pela Academia Profissional Bartender de Venezuela, com vários cursos, o conceito inovador da luso-venezuelana consiste em «dar a conhecer produtos que têm muito sucesso ao nível europeu mas que ainda não são muito conhecidos na ilha. Se bem que ofereça diferentes tipos de alimentos, como qualquer outro snack-bar, nomeadamente sandes, hambúrgueres e outros. Do menu, consta uma seleção de trinta cocktails que se destacam pela variedade e diferença.

No total, esta nova empresa criou cinco novos postos de trabalho, embora alguns sejam em regime de part-time.

Ainda no concelho da Ponta do Sol, na Madeira há um ano, Daniel Marques, 24 anos, solteiro, abriu o snack-bar Deli Burger, localizado no Centro Comercial da Ponta do Sol (junto à saída da via rápida). O motivo de tentar fazer vida na ilha é o mesmo que os restantes entrevistados. Veio sozinho, mas seis meses depois conseguiu trazer a mãe e a irmã.

Na Venezuela, trabalhou na padaria do pai, que ainda lá reside, e geriu um restaurante com 33 funcionários. Tem formação e experiência na área de pastelaria, pelo que chegou à Madeira já com trabalho, como pasteleiro, mas agora decidiu avançar com o seu próprio negócio. Neste, vende comida típica venezuelana e iguarias de pastelaria, entre outras coisas. «Eu não sou conformista», assegura, com muitos projetos em mente relacionados com formação na área de panificação e pastelaria.

Esta nova empresa criou três postos de trabalho.

Finalmente, falamos com Rossana Gomes, outra jovem luso-venezuelana com espírito empreendedor. Na Madeira há mais tempo, recentemente, em janeiro deste ano, abriu uma nova empresa, que oferece um novo conceito de ATL, o ateliê infantil “Go Go Kids”.

Veio para a Região em 2005. Estudou em Portugal e trabalhou como Educadora de Infância até 2014. O desemprego fez com que tivesse que arranjar uma solução. «O meu pai tinha empreendimentos de comércio de licores», conta, sublinhando que os luso-venezuelanos «são lutadores, empreendedores e sujeitos».

Esta nova empresa gerou dois postos de trabalho e prevê para breve gerar outro.

CRIAÇÃO DE NOVOS POSTOS DE TRABALHO

O espírito empreendedor destes quatro jovens é uma pequena amostra que permite refletir uma realidade que é facilmente percetível por qualquer um. Em muitas ruas do Funchal e arredores, em muitas localidades e municípios, vemos um novo café, uma nova loja, um novo empreendimento que abriu portas recentemente e estes têm pontos em comum: nos ‘bastidores’ fala-se o castelhano e as histórias são infindáveis.

Merece, contudo, destaque o facto de apenas termos entrevistado quatro dos muitos novos empreendedores que, um pouco por toda a ilha, têm vindo a criar o seu próprio negócio e constatamos que, apenas estes, contribuíram para criar 14 novos postos de trabalho.

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