EUA oferecem asilo temporário a 145 mil venezuelanos

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Foto: Cortesia

AGÊNCIA LUSA .- Os Estados Unidos vão conceder asilo temporário a cerca de 145 mil refugiados venezuelanos, devido aos “tumultos” no país governado por Nicolas Maduro, de onde fugiram já quatro milhões de pessoas.

“As condições de vida na Venezuela revelam um país em tumulto, incapaz de proteger os seus próprios cidadãos”, afirmou hoje o secretário norte-americano para a Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, em comunicado em que anunciou a decisão da Administração.

Cidadãos venezuelanos a viver nos Estados Unidos poderão beneficiar do estatuto de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês), por 18 meses, até 9 de setembro do próximo ano.

O estatuto TPS permite a estrangeiros residir e trabalhar nos Estados Unidos, se os seus países de origem forem devastados por desastre natural ou guerra, e as autorizações estendem-se até haver condições para o seu regresso.

Segundo as Nações Unidas, nos últimos anos quatro milhões de venezuelanos abandonaram o seu país, sobretudo para países vizinhos como a Colômbia, devido à crise económica e insegurança.

A Administração de Donald Trump havia já oferecido em janeiro proteção aos refugiados venezuelanos, ao abrigo de um programa de autorização de permanência, sendo na altura o seu número estimado pela AP em 145 mil pessoas.

Segundo Alejandro Mayorkas, os Estados Unidos irão “apoiar venezuelanos habilitados (ao estatuto TPS) que já se encontrem nos Estados Unidos, enquanto o seu país procura ultrapassar as atuais crises”.

Na semana passada, o líder opositor venezuelano Juan Guaidó pediu hoje a união dos para exigir a entrada do Programa Alimentar Mundial (PAM), da ONU, na Venezuela, para ajudar a enfrentar a crise, sublinhando que cada vez há mais pobreza extrema.

“Faço um apelo, novamente às organizações não-governamentais, à sociedade civil e aos milhões de venezuelanos que hoje não têm alimentos diariamente, para começar a exigirem a entrada do PAM na Venezuela”, disse.

Juan Guaidó falava durante uma conferência de imprensa em Caracas, em que questionou os representantes dos partidos políticos que o acompanhavam se os venezuelanos se preocupavam mais pela “covid-19 ou a fome” recebendo em uníssono a resposta pela “fome”.

Durante a conferência de imprensa, Juan Guaidó instou ainda os venezuelanos a consolidarem “a maior unidade possível” para enfrentar o Governo do Presidente Nicolás Maduro e para conseguir a pressão internacional necessária para a realização de eleições livres e justas no país.

“É parte do que falamos nas reuniões com os nossos aliados”, frisou.

Segundo Juan Guaidó, o atual regime “pretende sequestrar o poder para usá-lo em benefício próprio e não para salvar vidas” e “por isso a União Europeia sancionou (recentemente) os que hoje atentam contra a democracia”.

Segundo a imprensa venezuelana, entre julho e setembro de 2019, o PAM analisou a situação alimentar na Venezuela, na sequência de um convite feito pelo Governo do Presidente Nicolás Maduro, tendo registado que 7,9% da população (2,3 milhões) está no nível de insegurança alimentar severa e 24,4% (7 milhões) em insegurança alimentar moderada.

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