Fadista Duarte combina fado e cante alentejano em temporada de concertos

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O fadista Duarte terminou, no domingo, 13 de Dezembro, a primeira temporada de concertos em França, depois de sete noites a apresentar vários fados e alguns cantes alentejanos no «Vingtième Théâtre», em Paris.
O terceiro álbum do cantor, «Sem dor nem piedade – Fados para uma relação acabada em quatro actos», deverá ser editado em Portugal «em princípios de 2015», enquanto o disco de estreia em França poderá vir a ser «uma compilação com um bocadinho de todos os discos», disse Duarte à agência Lusa, no final de um dos concertos no teatro parisiense.

«A ‘coisa’ começou a ser pensada também pelo sucesso que estes concertos estão a ter e pela forma como fomos recebidos», justificou o fadista, precisando que os espectáculos superaram «em muito» as expectativas, surpreendendo-o a si e aos músicos.

Ainda que o disco «Sem dor nem piedade» não deva incluir cantes alentejanos, não está excluída a possibilidade de o álbum para o mercado francês vir a contar com o cante, classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, no final de Novembro.

O fadista de 34 anos, natural de Évora, abriu e fechou os concertos com os cantes alentejanos «Vai de Roda» e «Vou-me embora, vou partir», tendo ainda cantado temas como «Quadras soltas», «Maria da Rocha» e «Fui colher uma romã», porque diz não poder deixar de cantar o Alentejo onde nasceu.

«Gosto de cantar os lugares e de cantar as pessoas que se vão cruzando comigo», daí fazer sentido que, a meio do concerto, «houvesse esta parte em que fico sozinho em palco», para trazer «as canções da minha terra», disse à Lusa.

«Já tínhamos o fado há três anos como Património Imaterial da Humanidade e agora veio o cante». «Portanto, mais sentido faz que nós possamos ter esses dois espaços durante o concerto, o espaço do cante e o espaço do fado», explicou.

Nos fados, foram interpretados alguns temas dos discos anteriores, como «Évora doce», «Terra da melancolia», «Fado Novembro», «Eu sei que foste eterna numa hora», «Aquelas coisas da gente» e «7 (ou outra coisa qualquer)», assim como «Mistérios de Lisboa», escrito e composto pelo fadista para o filme «Os Mistérios de Lisboa, or what the tourist should see», do realizador José Fonseca e Costa, a partir da obra de Fernando Pessoa.

Na capital francesa, que é um destino histórico da emigração portuguesa, Duarte também interpretou «Cantar de emigração», uma «canção antiga, que retratava outras gentes que partiam, mas que agora se encaixa na perfeição nestas novas gentes que partem e que continuam a partir».

No alinhamento do concerto, houve ainda «Fado escorpião» e «Desassossego», temas do próximo álbum cujo título [«Sem dor nem piedade – Fados para uma relação acabada em quatro actos»] remete para o que o fadista chamou de «disco temático-conceptual».

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