Filme conta história do «templo do jazz» luso-venezuelano

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«Caracas Jazz», que começou a ser rodado na Venezuela, é um filme/documentário que conta a história local da música jazz e dos 50 anos do Juan Sebastián Bar (JSB), o “templo do jazz” latino-americano, propriedade de empresários portugueses. O filme, realizado por José Ernesto Martínez, combina os géneros documentário com ficção e será distribuído pelo Circuito Gran Cine, dirigido pela luso-venezuelana Maria Helena Freitas.

“Caracas Jazz é um documentário sobre a história do jazz. Como aparece, as suas raízes e como se desenvolve, nos anos 1970. Quando o JSB abriu as portas, começou um ‘boom’ de jazz na Venezuela. Todos os músicos internacionais que vinham à Venezuela depois dos seus concertos, no Teresa Carreño e no Teatro Municipal, vinham aqui para tocar, para ouvir música”, disse o cineasta.

“Na América Latina, a Venezuela foi um dos primeiros países onde o jazz se desenvolveu. Com a abertura do JSB, o jazz começou a crescer, a tornar-se popular e isso é o que estamos agora a tentar fazer novamente”, explicou, sublinhando que se trata de “um dos lugares icónicos e emblemáticos do género jazz”, da região.

José Ernesto Martínez explicou ainda que, “durante a investigação e desenvolvimento do projeto», apercebeu-se «que havia muito poucos lugares para ouvir jazz na Venezuela».

«Na década de 1990, foram encerradas as estações de rádio e programas específicos de jazz e a popularidade começou a decrescer. Deixou de ouvir-se jazz em Caracas”, constatou.

No entanto, explicou, “continua a haver músicos muito importantes que têm projetos pessoais, individuais, de fusão, de jazz latino, mas algo coletivo não”. Por isso, estão a ser programados «uma série de concertos no âmbito do Dia Mundial do Jazz, que é no domingo 30 de abril”.

“A essência do projeto é popularizar, fazer o jazz soar novamente em todas partes da Venezuela”, frisou.

Por outro lado, a luso-descendente Maria Helena Freitas explicou que “é muito importante participar neste filme».

«Fazemos parte, criámos e desenhámos a história do jazz na Venezuela e isso é um orgulho que temos mantido durante 50 anos de tradição artística nos espaços do JSB”, disse.

“Nos nossos palcos, atuaram grandiosos músicos de jazz de todo o mundo e venezuelanos que fazem hoje parte da elite do jazz nos melhores cenários do planeta (…). Tenho um duplo sentimento de emoção por ser diretora-geral do Circuito Gran Cine e por ser sócia do JSB”, disse.

A lusodescendente explicou que na Venezuela houve alguns locais dedicados ao jazz durante a «era de ouro», entre os anos 1970 a 1090, mas que nenhum sobreviveu aos dias de hoje.

“O JSB é mais do que um bar de jazz, um templo de jazz. A sua história tem a ver com a formação, a educação, o apoio a novos talentos. Estes espaços permitiram que os jovens se apresentassem e também com o facto de grandes talentos do jazz universal terem vindo aqui para apresentar os seus espetáculos e mostrar o universo do jazz”, frisou.

O mais importante, continuou, “são as grandes figuras e músicos de jazz venezuelanos que são hoje importantes no mundo», que se lançaram nos palcos venezuelanos, onde tocaram com «17 e 18 anos, experimentando, aprendendo, e que foram aqui impulsionados”.

“O JSB é uma universidade de jazz na Venezuela e desempenha um papel muito importante na sociedade venezuelana e na promoção deste género para as novas gerações”, frisou.

Por outro lado, o empresário luso-venezuelano Juan Carlos de Freitas explicou que o JSB nasceu em 1973, celebrando a 16 de junho 50 anos. O bar foi inicialmente propriedade de um neto do ex-presidente da Venezuela Eleazar Lopez Contreras, que o acabou por vender aos portugueses José Mata de Ornelas, António Abreu, Ángel Ernesto Freitas, Adelino Correia e João de Freitas.

“Aqui tocaram muitos músicos do estrangeiro, de Nova Iorque e de Cuba. Da Europa, vieram de França e de Itália. De Portugal, lembro-me de um saxofonista muito conhecido, Carlos Martins”, disse.

Juan Carlos de Freitas sublinhou que gostaria que a «embaixada de Portugal colaborasse um pouco, trazendo músicos de Portugal».

«Apresentamos muitos [músicos] de França, Itália, Estados Unidos, Cuba, (…) mas muito pouco de Portugal. Também seria bom promover a cultura portuguesa através do jazz”, disse.

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