A imagem desta semana, pertencente a Américo Ribeiro, mostra uma procissão que passa em frente ao Forte de Santiago do Outão, que se localiza na zona norte do rio Sado, no distrito de Setúbal.

No passado, integrou a linha defensiva da área litoral que se chama actualmente Costa Azul. No século XVII estendia-se de Albarquel a Sesimbra, complementando a defesa da importante protecção marítima de Setúbal.

Não foi a primeira edificação de defesa dessa zona. A mais antiga estrutura identifica na zona do Outão é uma torre de vigilância da costa levantada por ordem do rei D. João I (1385 – 1433) em 1430. Depois, aquando do reinado de D. Manuel I (1495 – 1521), foi melhorada.

No âmbito da completa remodelação da estratégia defensiva do reino implementada durante o reinado de D. João IV na zona de defesa de Setúbal, foram iniciadas novas e amplas obras de modernização e reforço. Nelas trabalhou Joannes Cieremans em 1642, com a primeira pedra a ser colocada a 30 de Julho de 1643.

A 4 de Agosto de 1644, Manuel da Silva Mascarenhas foi advertido para que concluísse as obras com a maior brevidade. Contribuíram para as obras de defesa da costa de Setúbal, neste período, os proprietários das marinhas de sal e os navegadores da Casa de Corpo Santo, que terminaram as obras deste forte em 1657.

Diante da progressiva perda das suas funções defensivas devido à evolução dos meios de guerra, foi desarmado no século XIX e as suas instalações foram utilizadas como prisão. Posteriormente, em 1890, sofre obras de adaptação para residência de Verão do rei D. Carlos I e a sua esposa, a rainha Maria Amélia de Orleans. Xavier da Silva foi o engenheiro encarregado dessas obras.

Características
Esta fortificação marítima combina elementos da arquitectura militar tardo -medieval (abaluartada), gótica, maneirista, acompanhada da evolução da artilharia. Apresenta uma linha poligonal irregular onde se situa a torre medieval de três pavimentos, apresentando janelas e balcões.

Em volta da torre, num terrapleno que dá acesso ao portão do lado norte, erguem-se as antigas dependências de serviço do forte com duas ou três calçadas, e onde se encontra a capela de invocação a Santiago, a oeste. Na cobertura do lado do mar encontram-se três baluartes com plataformas para artilharia; do lado de terra firme observa-se uma estrutura defensiva com dois baluartes elevados num muro. Nos ângulos salientes elevam-se guaritas circulares cobertas.

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here