Governo e oposição agendam nova ronda de negociações para setembro

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O Governo do Presidente Nicolás Maduro e a oposição venezuelana, aliada do ex-presidente do parlamento Juan Guaidó, anunciaram hoje que, após «reuniões construtivas» sob a égide da Noruega, agendaram nova ronda de negociações para setembro.

«Informamos que nos reuniremos de novo de 03 a 06 de setembro», pode ler-se num comunicado conjunto sobre o processo de negociação e de diálogo na Venezuela, divulgado na rede social Twitter pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega, que está a mediar os encontros.

O documento começa por explicar que, «no seguimento do Memorando de Entendimento assinado a 13 de agosto na Cidade do México (…), o Governo da República Bolivariana da Venezuela e a Plataforma Unida da Venezuela» confirmam que realizaram «reuniões construtivas com a facilitação do Reino da Noruega, a 14 e 15 de agosto».

«Reconhecendo a importância da inclusão, discutimos o estabelecimento de um mecanismo de consulta com atores políticos e sociais que seja o mais inclusivo possível», lê-se ainda no comunicado.

«Queremos reiterar o nosso compromisso com as diretrizes estabelecidas, inclusive adotando a máxima precaução no que diz respeito ‘à reserva’ [sigilo] do processo, e sendo prudentes e concisos nos nossos comentários sobre esse assunto”, prossegue a nota.

«Finalmente, gostaríamos de expressar o nosso profundo apreço pelas expressões de apoio ao processo de negociação e diálogo, por parte dos membros da comunidade internacional», conclui.

Representantes do Governo do Presidente e da oposição aliada de Juan Guaidó iniciaram na sexta-feira uma nova ronda de negociações, no México, com a mediação da Noruega, com a assinatura de um acordo de entendimento.

No documento, manifesta-se a intenção de chegar a um acordo sobre «as condições necessárias para que se realizem os processos eleitorais consagrados na Constituição, com todas as garantias, entendendo que é uma necessidade levantar as sanções internacionais» impostas a Caracas.

Na agenda estão temas relacionados com «direitos políticos para todos, garantias eleitorais para todos, o levantamento das sanções, o respeito pelo Estado constitucional, a coexistência política e social, proteção da economia venezuelana e garantias para a implementação e acompanhamento dos acordos».

A crise política, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando o então presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de Presidente interino do país até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um Governo de transição e eleições livres e democráticas.

Segundo diversas organizações, 5,6 milhões de venezuelanos abandonaram o país desde 2015, fugindo da crise.

A Organização de Estados Americanos (OEA) alertou recentemente que o emigração de venezuelanos poderá atingir os sete milhões até ao primeiro trimestre de 2022, superando os 6,7 milhões do êxodo da Síria.

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