Grupo madeirense emprega quase 3.000 pessoas na Venezuela

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Uma das maiores redes de lojas na Venezuela comemora 60 anos de existência, um símbolo da presença dos portugueses no retalho do país, admitiu o administrador.

Cinco madeirenses, da mesma família, criaram, há 60 anos, a rede de Automercados Plaza’s, que hoje tem 22 sucursais, 2.900 empregados, uma fundação social, uma escola de gastronomia e um centro de formação em processamento de alimentos e carnes.

“Somos uma empresa líder no retalho venezuelano. Estamos a preparar-nos para celebrar o 60.º aniversário e cumprimos a função específica de manter a alimentação dos nossos clientes e da população em geral”, explicou o presidente da Plaza’s à Agência Lusa.

José de Sousa salientou que a rede de supermercados é “uma empresa familiar, de segunda geração” que foi criada com o propósito de ser “uma estrutura sustentável e rentável”.

“Temos 2.900 trabalhadores, 22 sucursais e queremos continuar a abrir mais lojas. Ainda este ano vamos a abrir a n.º 23. Apesar dos inconvenientes (crise e pandemia) que afetaram o país, continuamos a investir”, frisou.

Natural de Câmara de Lobos e emigrado na Venezuela desde os seis meses de idade, José de Sousa explicou que 20% dos trabalhadores de Plaza’s são portugueses.

“Estamos orgulhosos do que estamos a fazer, apoiamos a comunidade portuguesa. A minha mãe faz parte da Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas Senhoras da Caridade portuguesas e temos uma fundação social”, disse.

José de Sousa explicou ainda que, ao chegar à Venezuela, os seus familiares começaram primeiro por trabalhar na área de restauração, um deles como sapateiro, outro numa mercearia e outro numa loja de ferragens.

Depois decidiram fazer uma sociedade e abriram um supermercado em Prados del Este (sudeste de Caracas), que marcou o começo da rede.

“Os portugueses que chegavam no (navio) Santa Maria juntaram-se a nós. Foi um esforço conjunto para fazer crescer a empresa. Estamos orgulhosos de ser portugueses e somos reconhecidos pelo Governo venezuelano como pessoas trabalhadoras e comprometida com a alimentação do povo. Somos parte da economia, do Produto Interno Bruto da Venezuela”, disse.

Segundo José de Sousa “setenta por cento do setor retalhista é gerido pela comunidade portuguesa. Agora estão a entrar novos atores (no setor), mas somos reconhecidos e respeitados, como trabalhadores e isso é motivo de orgulho”.

“Somos um exemplo de compromisso. Superámos a pandemia (da covid-19), chuvas, greves, tempos muito difíceis, e nunca fechámos, porque a alimentação e uma prioridade e os nossos trabalhadores compreenderam isso e apoiaram-nos”, disse. No final, “a comunidade, os nossos clientes, vizinhos agradeceram-nos”.

Por outro lado, a origem dos fundadores, agricultores na Madeira, levou a um critério muito apertado na avaliação da qualidade dos produtos do campo e dos serviços.

Por outro lado, José Marcelino da Ressurreição Gonçalves, diretor de Finanças e Planeamento Estratégico de Plaza’s, explicou que a marca é hoje um centro de formação reconhecido, com mais de 7.000 formandos, entre empregados, colaboradores e fornecedores.

“Temos uma parceria com a Universidade Católica Andrés Bello da Venezuela e um programa de formação social”, frisou.

Sobre a Fundação Plaza’s, criada há 13 anos, o projeto está centrado na nutrição e ajuda a quem tem dificuldades económicas.

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