Há 35 mil eleitores que não moram na Região

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Já foram cerca de 45 mil os eleitores ‘fantasma’ na Região, mas a generalização do cartão de cidadão e o consequente acerto da residência oficial de cada eleitor fez diminuir o número de inscritos nos cadernos eleitorais que não residem nas freguesias onde deveriam votar. No entanto, na Madeira, o número de eleitores que, sem margem para dúvidas, não moram na Região, ainda estará, no mínimo, nos 35 mil.

Na prática, dos 255.092 recenseados, até Junho deste ano – serão mais alguns nas listas finais – entre 14 a 16% não estão na Região e, ao que tudo indica, farão parte da abstenção estrutural. Ou seja, a abstenção real, nas próximas eleições de 1 de Outubro, deverá ser inferior ao número de ‘faltas’ registadas.

Por comparação, nas eleições regionais de 2015, em que a abstenção atingiu os 50,4%, o valor real terá sido pouco superior a 36%.

Estes números, como já foi referido em eleições anteriores, são calculados com base nos dados estatísticos existentes. Comparando a população residente estimada, distribuída por escalões etários, como consta dos dados do Instituto Nacional de Estatística, com os números do recenseamento, é fácil concluir que há muito mais eleitores do que residentes em condições de votar.

Como os dados do INE são de 2014, à população total, residente na Região ou em cada concelho, subtraem-se os cidadãos com idade inferior a 14 anos, admitindo que acima (15 anos ou mais) já terão atingido a idade mínima para votar (18 anos).

Assim, na Região, deverão residir mais de 40 mil pessoas com menos de 18 que, por isso, não podem votar. Subtraindo este valor ao total de residentes – o INE refere 261.313, mas há estimativas inferiores que já contam com a emigração – conclui-se que só poderia haver pouco mais de 220 mil eleitores. Ou seja, dos 255.092 inscritos, 35 mil não moram cá.

As situações mais curiosas acontecem em seis concelhos que, mesmo antes de qualquer conta, apresentam mais eleitores do que residentes: Calheta, Ponta do Sol, Porto Moniz, Ribeira Brava, Santana e São Vicente.

Emigrantes e subsídio

Esta diferença entre os residentes em cada concelho e os inscritos nos cadernos eleitorais é explicada, em primeiro lugar, pela emigração. Muitos emigrantes renovam o cartão de cidadão na Região e continuam a ter residência na Madeira. Uma situação que poderá ter efeitos nas próximas eleições, uma vez que o regresso de muitos emigrantes na Venezuela também significa um aumento dos eleitores reais.

Outro factor que ajuda a explicar estes valores é o facto de muitos naturais da madeira, que trabalham no continente ou nos Açores, continuarem a ter a residência na Região, para efeitos de benefício do subsídio de mobilidade.

A estes 35 mil, juntam-se os muitos estudantes madeirenses que continuam nos cadernos eleitorais mas que, a 1 de Outubro, dificilmente participarão nas eleições autárquicas.

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