II Encontro Virtual de Escritores Lusófonos aproximará sete autores contemporâneos ao público venezuelano

A programação faz parte das celebrações pelo centenário do nascimento do Prémio Nobel de Literatura, José Saramago e reunirá intelectuais contemporâneos de Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Portugal, Timor Leste e Venezuela

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Os amantes da literatura têm a oportunidade de conhecer melhor as obras de sete autores contemporâneos durante o II Encontro Virtual de Escritores Lusófonos na Venezuela, preparado para enaltecer a língua portuguesa e toda a sua riqueza literária que se estende a diferentes pontos do planeta onde a língua foi adotada e que mantém unidos diversos povos.

A programação deste ano será realizada de dia 14 a 20 de dezembro através de diferentes plataformas na Internet, sob a organização da Embaixada de Portugal na Venezuela, Camões, Instituto da Cooperação e da Língua e a Coordenação de Ensino Português no Estrangeiro (CEPE Venezuela), com o apoio do Instituto Português de Cultura, do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Brasil), Porto Editora, Correio da Venezuela, Centro de Língua Portuguesa da UPEL Maracay e do Centro de Língua Portuguesa UCV Caracas.
Este II Encontro de Escritores Lusófonos na Venezuela une-se ao começo das celebrações pelo centenário do nascimento de José Saramago (Portugal, 16.11.1922 – Espanha, 18.06.2010), com a finalidade de prestar homenagem a um dos escritores mais importantes da literatura portuguesa de todos os tempos: um intelectual lúcido, reconhecido pela sua obra como narrador, poeta e ensaísta, assim como pelo seu compromisso indiscutível para com as causas sociais. Para falar do autor, contaremos com uma convidada especial, que possui uma visão particular da vida e da obra do escritor, isto é, Pilar del Rio, presidente da conhecida Fundação José Saramago e viúva do escritor.
Da mesma maneira, este encontro internacional permitirá que o público venezuelano tenha a oportunidade de conhecer, não somente as visões e detalhes do autor de “Ensaio sobre a cegueira” ou “A Caverna”, mas também ter a oportunidade de descobrir “uma língua e um mundo rico em cultura, com diversas vozes, realidades diferentes, as quais usam a mesma língua para comunicar essas mesmas realidades”, explicou Rainer Sousa, coordenador para o Ensino de Língua Portuguesa do Instituto Camões.
Para reconhecer a riqueza das letras lusas, o Professor Sousa revelou que o encontro reunirá seis escritores e intelectuais contemporâneos de Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Portugal, Timor Leste e Venezuela. A diversidade dos autores convidados pretende apresentar ao público bons exemplos de escrita contemporânea em língua portuguesa, junto de criadores que já contam com importantes reconhecimentos.
Os convidados de Guiné-Bissau e Timor Leste escrevem tanto em português como em línguas nativas e foram convidados “para demostrar que o português, longe de ser uma imposição, convive pacificamente com outras línguas”, afirmou Rainer Sousa, que insiste que o idioma dos seus antepassados “une povos diversos que estão submersos em diferentes realidades”.
Do dia 14 a 20 de dezembro, às 18h (hora venezuelana), o público poderá conectar-se gratuitamente e conhecer cada um dos convidados através de entrevistas, nas quais também serão abordados os contributos que Saramago deu à literatura universal. Estes diálogos, apresentados pelo Professor Sousa, serão transmitidos através de diferentes contas nas redes sociais das instituições responsáveis pela organização do evento.

PILAR E JOSÉ
A programação do encontro será inaugurada na próxima terça-feira, 14 de dezembro, com a voz da jornalista e tradutora espanhola Pilar del Rio (1950), viúva de José Saramago e presidente da fundação que leva o nome do Prémio Nobel de Literatura de 1998. A finalidade desta agradável conversa foi conhecer o legado do célebre escritor que rompeu paradigmas e venceu os obstáculos de uma vida marcada pelas dificuldades para mais tarde nos deixar um conjunto de obras literárias de grande singularidade.
A conversa com Pilar del Rio, na que estará acompanhada pelo Embaixador de Portugal na Venezuela, Carlos de Sousa Amaro e Rainer Sousa, é uma extraordinária ocasião para se aproximar do autor desde a visão íntima da sua companheira. Passámos a conhecer então detalhes da sua vida e a celebrar a suas criações literárias, assim como o seu pensamento social, político e ético.
Críticos de todo o mundo aclamam a obra de Saramago e situam-na entre as mais importantes da literatura contemporânea. É particularmente querido na América Latina e entre as suas obras mais famosas encontram-se “O ano da morte de Ricardo reis”, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, “Claraboia”, “Memorial do Convento”, “Ensaio sobre a lucidez”, “ As intermitências da morte”, entre outras.
Além de ser a custódia e promotora da obra de Saramago, Pilar del Rio é conhecida como uma ativista das “ideias mais bonitas”, que está ao lado daqueles que exigem direitos para cada habitante da terra e, à semelhança do seu falecido marido, acredita que os “deveres humanos também devem ser cumpridos por todos”. A sua entrevista será retransmitida no dia 19 de dezembro, às 19h (hora venezuelana).

DIVERSIDADE E RIQUEZA CULTURAL
O Encontro de Escritores Lusófonos continuará na quarta-feira 15 de dezembro para conhecer o escritor, poeta e jornalista luso-angolano Vitor Burity da Silva (1961), autor do livro “Rua dos Anjos” – usado como texto base em alguns manuais escolares de Angola – e de outros livros como “Novembro” e “Este lago não existe”. O seu nome está impresso em várias coleções de prosa poética como “Poiesis”, “Intemporal” e “A Arte pela escrita”. Já obteve vários prémios e menções honrosas pelos seus textos.
Outro autor para conhecer durante este encontro literário é o multifacetado artista Ernesto Dabo (1949), da Guiné Bissau, numa conversa marcada para quinta-feira 16 de dezembro. É um advogado, músico e fotógrafo que tem publicado prosa e poesia em livros, revistas e jornais do seu país e internacionais.
O narrador português Manuel Jorge Marmelo (1971), autor de romances, crónicas, contos e livros infantis é o convidado de sexta-feira, 17 de dezembro. Entre as suas publicações destaca-se o romance “Uma mentira Mil Vezes repetida”, ganhadora do Prémio Literário “Casino da Póvoa”. Outros dos seus livros são “Correntes d’Escritas”, “Macaco infinito”, “Todos somos um bocado ciganos”, “O Silêncio de um homem só” e “O tempo morto é um bom lugar”.
No sábado 18 de dezembro será transmitida a entrevista à legendária escritora e jornalista brasileira Nélida Piñón (1937), famosa tanto por ter sido a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras, como pela sua produção literária, que a converteram em referência das letras latino-americanas. Já foi reconhecida com vários prémios, entre os quais há que destacar os prémios “Virgílio Ferreira” de Portugal, “Jorge Isaacs” da Colômbia, “Gabriela Mistral” do Chile e “Príncipe das Astúrias” da Espanha.
A entrevista com o luso venezuelano Denis Miraldo (1970) será no domingo 19 de dezembro. Este integrante da Academia da Língua do estado de Carabobo tem-se destacado como ativista sócio-cultural, com uma intensa atividade teatral e musical. Realizou visitas literárias no Chile e na Colômbia e tem publicado as suas obras, sobretudo no campo da dramaturgia.
O II Encontro Virtual de Escritores Lusófonos finalizará com a intervenção de Luís Costa (1945), de Timor Leste, um ex-sacerdote, tradutor e férreo ativista da causa timorense. É autor do “Dicionário Tétum-Português”, da “Guia de Conversação Português-Tétum” e de “Borja da Costa – Seleções de Poemas”. Além disso, tem-se desempenhado como assessor no programa de estudos do idioma tétum para a educação no seu país.

UMA LÍNGUA DO MUNDO MODERNO
A presença da língua portuguesa no mundo atingiu uma maior exposição em tempos digitais e de pandemia. De acordo com Rainer Sousa, “houve um aumento significativo de cursos em vários países. O português é hoje uma das principais línguas do mundo moderno”. No caso da Venezuela afirmou que o número de estudantes atingiu 7.300 no presente ano letivo.
O Professor Sousa referiu, ainda, que a Venezuela conta com uma das comunidades portuguesas mais numerosas da diáspora lusa e que o ensino do português continua a crescer consideravelmente. “O interesse pela língua portuguesa e as culturas dos países que falam este idioma tem vindo a aumentar”, acrescentou.
No ano passado, por iniciativa da Embaixada de Portugal e da Coordenação para o Ensino da Língua Portuguesa na Venezuela, foi iniciada a organização destes encontros de escritores lusófonos com a finalidade de dá-los a conhecer ao público venezuelano e hispânico em geral, abrindo as portas a universos fascinantes, carregados de histórias, poesias, ficções e utopias.
Todas as entrevistas do II Encontro Virtual de Escritores Lusófonos serão transmitidas nos dias indicados, às 18h, pelos canais de YouTube: Coordenação de Ensino Português no Estrangeiro Vzla e Correio da Venezuela; as contas de Facebook: Cepe.vzla, Correio da Venezuela e Embaixada de Portugal em Caracas; pelos usuários de Twitter: @CepeVzla e Instagram: @cepe.vzla e @EmbPortugalCcs. Para maior informação, visite a web www.cepe-venezuela.org.

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