Instituto de Desenho de Moda quer exportar talento venezuelano para a Europa

0
226

Fundado há 40 anos, o Instituto de Desenho de Moda Brivil, por onde passaram profissionais destacados, atribui parte do sucesso a alunos portugueses e espanhóis e está empenhado em exportar a moda venezuelana para a Europa.

«Queremos exportar a moda venezuelana para a Europa e isso conseguir-se-á porque vamos continuar a aproximar-nos das embaixadas. É o momento de exportar talento e estamos à disposição na Venezuela», disse à Lusa a diretora-geral do Brivil, por onde passaram importantes modistas e desenhadores, que hoje possuem ateliers em vários países.

Elvira de Parés afirma que o sucesso está garantido porque portugueses e descendentes e venezuelanos podem «continuar a fazer coisas como irmãos», vincando o contributo da comunidade lusitana à Venezuela.

«Deus deu de tudo à Venezuela e depois deu-nos a imigração luso-venezuelana, que está enraizada aqui e que constrói o país com o seu trabalho, com a sua dedicação», salientou.

Por outro lado, explicou que no Brivil, «os alunos portugueses e espanhóis se caracterizam por dominar as ferramentas físicas e digital e por isso podem coser perfeitamente numa máquina e fazer uma ficha técnica num computador».

Como exemplo, explica que «não é a mesma coisa uma peça de vestuário feita por Adúlia [Alves]» – uma costureira e professora de moda luso-venezuelana do Brivil – «cortada à mão com um padrão em papel na mesa de corte, que uma feita à máquina que com três empregados».

Por outro lado, a coordenadora do Brivil, Carmen Celes Parés, explicou à Lusa que «a moda é uma necessidade inerente ao ser humano, que precisa de se vestir, de usar sapatos, que tem uma tendência artística, um gosto pela estética que pode ser canalizado através da moda, que é uma manifestação cultural global».

A moda, disse «torna-se também um negócio, porque as roupas, acessórios e complementos são desenhadas, confecionadas e depois vendidas», precisando que, no Brivil, a carreira de designer de moda profissional tem um currículo teórico-prático abrangente e adaptado às necessidades do mercado global e internacional, que se complementa com estágios profissionais.

Uma das professoras é a costureira luso-venezuelana Adúlia Alves, que com mais de 30 anos de carreira, concretizou o sonho de fazer o que mais gosta na vida: coser, mas sobretudo de ensinar a coser.

«Quando se gosta do que se faz, é muito gratificante. Eu estou a fazer o que gosto, a ensinar, porque gosto muito de coser, de fazer moldes, mas gosto muito mais de ensinar», disse à agência Lusa.

Filha de portugueses do Porto, Adúlia Alves Soares explicou que aos 13 anos fez o primeiro curso de costura, com uma vizinha conhecida da mãe, e que hoje dá aulas a jovens e adultos, homens e mulheres, e até já ensinou crianças a fazer alguns pequenos pontos.

Por outro lado, explicou que quando começou «gostava muito da cor preta», uma preferência que mudou com tempo e hoje opta por «vestir-se com cores mais claras».

Adúlia Alves Soares não esconde as suas raízes e diz gostar muito de Portugal e «vibrar muito» com as tradições portuguesas.

«Tenho muito orgulho em ser portuguesa, pertenço a um grupo folclórico daqui, ‘Os Lusíadas’, fazendo parte das tradições de Portugal», vincou.

Esta costureira insiste que há que mudar alguns preconceitos porque «há pessoas que pensam que a moda é coisa de mulheres, mas não é só para as mulheres, também para os homens».

«Por vezes, os pais querem que os filhos estudem algo de que não gostam. (…) Há filhos que dizem que vão estudar design de moda e os pais olham para eles de uma forma estranha porque não conhecem esta parte da vida, esta bela carreira», lamentou.

E insiste que «os rapazes têm de fazer aquilo de que gostam para terem sucesso». «Temos de fazer aquilo que nos apaixona», rematou.

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here