Jhon da Silva: Entre a publicidade, a fotografia e o cinema

Há cinco anos que é CEO (Director Executivo) de uma multinacional publicitária. Antes fez outras coisas

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A comunidade portuguesa conseguiu deixar marca em diferentes áreas da sociedade venezuelana. Inclusive a publicidade tem tido a influência de lusos ou de luso-descendentes. É o caso de Jhon da Silva, proprietário da empresa Lo que Nos Gusta. Tem quase 20 anos de carreira nesta área profissional.

Jhon da Silva nasceu em Caracas a 10 de Fevereiro de 1977. Os pais e os cinco irmãos mais velhos são de São Martinho, em Câmara de Lobos, na ilha da Madeira. “Nós somos de Antímano, fomos criados aí, metade da minha infância foi lá. Depois mudámo-nos para Montalbán. Ou seja, foi por essa zona do oeste da capital. Os meus pais tinham os seus negócios por aí”, comentou Jhon da Silva.

Parte dos seus estudos foi feita perto de casa. “Eu fiz a primária no San José de Tarbes. Depois fiz a secundária no Liceu Bicentenário. Depois estudei Publicidade e Marketing no Instituto Técnico e Marketing e Negócios na Universidade Metropolitana”, disse.

Há cinco anos que é CEO (Director Executivo) de uma multinacional publicitária. Antes fez outras coisas. “Eu trabalho desde os 8 anos com a minha família num supermercado que o meu pai tinha. Depois fui trabalhar com o meu irmão como empregado de mesa e até aos 17 estive no ramo do comércio. Comecei a trabalhar em publicidade na empresa Walter Thompson, que é de Londres. Em 1996, tornei-me independente, ainda que continue a trabalhar com esse grupo. Actualmente, sou CEO e gerente geral da Divisão de Meios”, contou.

Mas não é a única coisa que faz. “Divido-me entre as minhas duas empresas. É 50% do tempo para cada uma delas. Graças a Deus ficam no mesmo edifício, e isso ajuda a que possa fazê-lo”, apontou.

A família ajudou-o de diferentes formas quando entrou no mundo do trabalho. “Eu tenho a sorte de ter cinco irmãos mais velhos que me ajudaram a impulsionar a possibilidade de estudo. Eles não tiveram a mesma sorte que eu, ou seja, sofreram por não terem considerado o estudo como uma alternativa. Eu fui uma espécie de mistura entre a visão dos meus irmãos e a dos meus pais. Quando comecei na publicidade, trabalhava com o meu irmão e tinha um salário, mas fui para uma companhia como ajudante onde não tinha salário. Isso era inconcebível em casa, não era compreendido pelos meus pais o facto de não seguir os negócios familiares. Mas apoiaram-me e entenderam que podia ser também uma forma de vida. Os meus pais estão muito orgulhosos do que se fez aqui. Há pouco aconteceu a inauguração da exposição (de fotografia) e a minha mãe estava impressionada. É uma forma diferente de ganhar a vida, porque eles estavam no ramo da transacção de produtos e eu estou no dos serviços”, explicou.

Em 1996, surgiu a ideia de criar Lo que Nos Gusta. “Surge por altura de 1996. Nesse momento, era vice-presidente e director de investigações da MindShare para a Venezuela. Estava submerso numa série de viagens por toda a América Latina, ia a muitos países para reuniões, fazia até duas viagens por mês. Levou-me a muito esgotamento mental. Sou muito tecnológico e na Venezuela havia apenas 200 mil pessoas ligadas à Internet. Eu tinha muita vontade de fazer uma agência digital. Nessa companhia, não havia muito interesse de envolvimento na parte digital nessa altura, porque não o viam como algo atractivo. Então decidi sair do trabalho, de fazer viagens, e dediquei-me a pensar em como fazer uma agência digital. É aí que nasce Imán, que foi a minha primeira agência, onde criámos o conceito de fazer publicidade pela Internet num mundo onde não se falava disso, nem de plataformas sociais. O conceito foi bem recebido e foi uma oportunidade. A ideia era publicitar marcas através de plataformas digitais”, relatou.

Depois deu-se a expansão. “Dois anos depois, criámos outra agência, La Web, dedicada a plataformas sociais e tecnológicas. Graças a Deus tivemos um grande êxito no país. Criei-a com o meu sócio, Juan Carlos. Ambas as agências cresceram em conjunto com o crescimento da Internet e dos consumidores”, assinalou. Actualmente, tem o escritório em Chuao, no Cubo Negro. Antes disso, estiveram em Los Palos Grandes.

A sua empresa tem clientes como Banesco, Domino´s Pizza, Nestlé ou Empresas Polar e tem à sua responsabilidade 100 pessoas. E imaginavam, no início, ter o crescimento que conseguiram. “Dizer que não seria mentira. Desde o início que pensámos nisso. O que não imaginávamos era que fosse acontecer tão rápido porque nos últimos anos houve muitas particularidades em plena crise e para além disso, com a situação actual e um contexto como o nosso, era complicado. Mas acho foi a vontade de trabalhar do português que trazemos no sangue que fez com que tivéssemos um produto novo e inovador”, contou.

A fotografia é outra das suas paixões. “Há 10 anos que faço fotografia, estudei na Oficina de Roberto Mata. Gosto de fotografia documental. Comecei a assumir a fotografia como parte da minha vida e tento fazê-lo com a maior seriedade possível. Há seis anos que fotografo a Península de Paria. Numa selecção que fiz de fotos que tirei lá, fiz uma mostra que se chama Portas de Paria, que é uma observação das fachadas das casas, das texturas e das cores, com 13 fotos. Está aqui no escritório e também pode ser vista no meu sítio da Internet, em www.jhondasilva.com”.
Mas o luso-descendente tem outras coisas para expor. “Tenho três trabalhos pendentes, um que se chama Seres e Estares. Com uma imagem dessas ganhei um prémio nacional de fotografia no Estado de Aragua, que é também um trabalho em Paria. Estou a fazer um trabalho sobre os alimentos, como se produzem e como é o processo. E por último um trabalho sobre os jogos tradicionais e as reacções das pessoas”.

Há três anos fez uma mostra sobre salsa. “Tenho uma ligação muito íntima por ter sido criado em Antímano e gosto muito. Passei quatro anos num local de salsa brava em Caracas. Fotografei músicos, dançarinos, entre outras coisas. Chamou-se La Clave, foi a preto e branco. Tem três anos”, apontou.

Mas também o cinema está entre as áreas de que gosta. “Sempre me chamou a atenção. Comecei há 5 anos. Estudei na escola da Bolívar Films durante um ano. O cinema de que gosto é o documental. Montámos uma produtora que se chama 5 y Acción. Estamos a desenvolver duas produções. Uma trata de um encontro que se realiza em Petare, em Mesuca, sobre um tributo a Ismael Rivera. A outra é ‘Morao’ e é sobre o Nazareno de San Pablo e a tradição que existe em redor da visita da Quarta-feira Santa à Igreja de Santa Teresa”.

Destaque

“Foi a vontade de trabalhar do português que trazemos no sangue que fez com que tivéssemos um produto novo e inovador”.

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