Jogos Feceporven não se realizam este ano

Federação decidiu suspender a realização dos jogos desportivos até pelo menos 2016

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“As decisões estão aí para serem tomadas, e esta foi uma das mais difíceis de tomar nos anos que tenho à frente dos clubes. Custou-me aceitá-lo, mas era o melhor para todos”, diz Víctor Vieira do outro lado do telefone, confirmando ao CORREIO a decisão tomada na tarde terça-feira, 21 de Julho, pela Federação de Centros Portugueses da Venezuela (FECEPORVEN), que através de um comunicado anunciou a suspensão dos Jogos Nacionais FECEPORVEN 2015, cuja realização havia sido agendada de 9 a 12 de Outubro na cidade de Puerto Ordaz, com o Centro Português Venezuelano de Guayana como anfitrião.

Segundo o texto do comunicado, que reafirma a postura da Federação desde a realização dos últimos jogos, há quase dois anos, “o Comité Organizador sempre teve como premissa a realização dos jogos, mas depois de analisar com cada clube quanto a sua participação, era evidente que muitas modalidades e em várias categorias não chegariam ao número mínimo necessária para realizar a competição, razão pela que nos vemos obrigados a adiar os jogos”.

Provavelmente devido à situação económica que o país enfrenta – a mesma que faz com que os patrocínios diminuam, e que inclusivamente leva a que jornais lutem por papel -, dificulta a mobilização de atletas ao nível dos eventos anteriores. Os jogos não iam ser os mesmos, sobretudo no que diz respeito à dimensão e validade registada em outras oportunidades. Difícil de entender? Pois bem, nas modalidades como a natação, houve categorias às quais apenas se candidataram três nadadores, e do mesmo clube, quando noutras contendas cada prova podia contemplar uns vinte atletas.

Seguramente a suspensão não era a melhor saída sob o ponto de vista de todos os clubes, mas poderá ser a mais correcta quando se fala de riscos económicos, já que a realização de uns jogos desta magnitude implicam um investimento considerável em logística, troféus, hidratação, aluguer de campos alternativos, entre muitos outros gastos, ao que se soma o gasto individual de cada atleta que representaria para o seu clube.

Uns jogos diferentes
Se bem que é certo que os jogos foram “suspensos” até o ano de 2016, numa data a decidir pela Federação numa próxima reunião, esta contenda teria logrado apenas congregar um número de clubes pequenos, que foram os primeiros a activar a sua participação, inclusivamente quando não haviam participado antes nestes jogos. Mas, além disso, foram os representantes destes pequenos centros sociais que mais se envolveram com a organização, assistindo aos ‘congresillos’, e inclusivamente tendo que viajar quase dois dias para poder chegar a tempo às reuniões, como foi o caso de Carlos Ramírez, presidente do Centro Português de Barinas.

A 11 de Julho, já haviam confirmado a assistência 11 clubes, entre os quais a Casa Portugal de Ciudad Bolívar, Club Porto de Caracas, Centro Virgem de Fátima de Clarines, Centro Virgem de Fátima de Guatire, e os mais equidistantes Centro Português de Barinas e Centro Português de Punto Fijo. O grande ausente dos clubes grandes, foi o Centro Social Madeirense de Valência, organizadores da edição de 2013 e actuais campeões da Feceporven, e que são quem leva parte do crédito pelo adiamento dos jogos, já que era necessário que as suas delegações se apresentassem para poder concretizar a realização de algumas disciplinas desportivas como o futebol, karaté e a natação.

Quem mais lamenta não poder participar são os clubes grandes que já estavam preparados para viajar, como o Centro Luso Larense, Centro Marítimo da Venezuela, que inclusivamente já havia pagado na totalidade a hospedagem em Puerto Ordaz, a Casa Portuguesa de Aragua e a AC Casa Portuguesa Venezuelana do Estado de Carabobo.

O que é que se perde com a suspensão dos jogos?
Se bem que todos os participantes enfrentam um dilema económico pela situação do país, Puerto Ordaz apresentava-se como um destino apto para todos os bolsos, ao contrário das grandes cidades da região central do país, onde os custos de hospedagem são consideravelmente mais elevados que noutras regiões, onde pela elevada demanda turística, não só existe uma ampla gama de hotéis, como que também se contava com uma base de dados de pousadas e outro tipo de hospedagens.

Pode ser que tenha evitado um mal maior ao nível dos gastos dos clubes, mas desde finais de 2014, quando se alertou para as dificuldades que poderia trazer 2015, em termos sociais e económicos para o país, a bandeira da Feceporven foi a realização de um evento que não só faria com que a comunidade se unisse ainda mais, como também serviria de distracção e lazer mental face ao momento que o país enfrenta. Perde-se a essa oportunidade de ver o país com mais esperança antes das eleições legislativas.

O que poderá não ter sido considerado é que também haverá quem, sentindo-se ofendidos, venham a abster-se de participar noutros eventos da organização.

“Humildemente, como o disse anteriormente, se pelo benefício da continuidade desta tradição, os jogos têm de realizar-se noutra zona do país, responsavelmente o assumiria, com muita dor, mas tal seria feito pelo bem-estar dos Jogos Desportivos Feceporven. Falando como presidente do Centro Português Venezuelano de Guayana, nós nunca tivemos problemas em nos deslocarmos até onde se ia jogar competir, e gostaríamos também de receber os nossos irmãos de outros clubes na nossa casa, mas estamos abertos ao que seja melhor para todos”, realçou Victor Vieira, no mesmo contacto telefónico. “Só estamos pedindo seriedade e compromisso, da parte de todos os clubes da nossa federação”, concluiu.

Agora, nas vésperas do Festival da Canção Feceporven 2015, que se realizará em Novembro próximo no Centro Marítimo de Venezuela, a pergunta sobre quantos clubes assistirão ao evento fica em aberto. Esperamos que nesta oportunidade, não seja a insegurança uma desculpa para não marcar presença, senão que, pelo contrário, a suspensão dos jogos, sirva de motor de propulsão para este evento, emulando a unidade dos clubes portugueses da Venezuela.

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