Ler está na moda: José Terra

0
799

Devido à morte recente de José Terra, com 83 anos, dedicamos esta coluna à sua obra. O seu verdadeiro nome era José Fernandes da Silva e nasceu a 24 de Maio de 1928 em Prozelo, Arcos de Valdevez.

Foi filólogo, tradutor, historiador, ensaísta e crítico. Para além disso, foi professor desde 1984 até à sua reforma na Universidade da Sorbonne, em Paris. Licenciou-se em Filologia Clássica pela Universidade de Lisboa e fez o doutoramento na Sorbonne, com a tese ‘João Rodrigues de Sá de Meneses e o Humanismo Português.’

Como tradutor, tem um trabalho reconhecido com as obras do inglês David Garnett (escritor e crítico literário), dos italianos Giovanni Papini (membro da Real Academia de Itália, a maior instituição cultural do país) Elio Vittorini (novelista, tradutor e crítico) e Vasco Pratolini (um dos iniciadores do neo-realismo); dos franceses Albert Camus (novelista, dramaturgo e ensaísta, filho de emigrantes franceses na Argélia), François Mauriac (vencedor do Prémio Nobel da Literatura), Pierre Teilhard de Chardin (religioso, paleontólogo e filósofo que contribuiu com a sua visão da evolução) e André Maurois (conhecido pelas biografias, pertencia a uma família de judeus que viajaram para a Normandia); entre outros autores que traduziu para português.

Como ensaísta, deu um grande contributo para a história do Renascimento, um movimento cultural que se desenvolveu sobretudo na Europa Ocidental nos séculos XV e XVI. Terra começou a publicar em 1949, com ‘Canto da Ave Aprisionada’. Depois, saíram outros textos como ‘Vou até ao fim do mundo’ (1951) e ‘Espelho do Invisível’(1959), considerada por Ramos Rosa, na revista Seara Nova, como «um dos mais notáveis livros de poesia portuguesa», e dois anos antes foi nomeado pelo Instituto de Alta Cultura como Leitor de Português para uma universidade francesa. Foi co-fundador da revista Árvore – Folhas de Poesia (1951-53), com António Luís Moita, António Ramos Rosa, Raul de Carvalho e Luís Amaro.

A quem desejar aprofundar conhecimentos sobre a obra de Terra, vale a pena destacar que existe um compêndio de quatro volumes chamado ‘Obra Poética de José Terra’, que foi publicado com organização de Luís Amaro (ex-director adjunto da revista Colóquio Letras) e com o selo da Modo de Ler, editora portuense de José da Cruz Santos.

Dejar respuesta

Please enter your comment!
Please enter your name here