Ler está na moda / Ode ao futuro

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Jorge de Sena

Falareis de nós como de um sonho

 Crepúsculo dourado. Frases calmas.

 Gestos vagarosos. Música suave.

 Pensamento arguto. Subtis sorrisos.

Paisagens deslizando na distância.

 Éramos livres. Falávamos, sabíamos,

 e amávamos serena e docemente.

Uma angústia delida, melancólica,

 sobre ela sonhareis (…)

Assim começa um dos poemas de Jorge (Cândido) de Sena, que nasceu em Lisboa a 2 de Novembro de 1919. Foi um poeta, ensaísta, novelista, dramaturgo, tradutor, crítico e professor de português. Provinha de uma família da alta burguesia, filho de um comandante da marinha mercante de Ponta Delgada e de uma dona de casa descendente de comerciantes ricos do Porto.

Sena era licenciado em engenharia civil, mas dedicou-se à carreira de escritor, com uma posição política bastante marcada, tanto que isso lhe valeu repercussões durante a ditadura salazarista. Exilou-se no Brasil em 1959, e depois nos Estados Unidos em 1965, onde foi professor, e ali morreu, em Santa Barbara, Califórnia, a 4 de Junho de 1978.

Os seus restos foram traslados para o Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, a 11 de Setembro de 2009, depois da cerimónia de homenagem na Basílica da Estrela, que contou com a participação de diversas personalidades, como o então primeiro-ministro português José Sócrates.

Fixou a base estrutural da crítica literária portuguesa com ‘Dialécticas Teóricas da Literatura’ e os seus contributos para a história da cultura foram cruciais para a análise de ícones como Camões ou Pessoa.

A sua obra literária mais famosa é a novela autobiográfica ‘Sinais de Fogo’ (adaptada ao cinema por Luís Filipe Rocha em 1995), ainda que sejam muitas as que compõem o seu legado. Por exemplo, na poesia tem ‘Perseguição’ (1982, póstumo), ‘Cora da Terra’ (1947), ‘Pedra Filosofal’ (1950), ‘Visão Perpétua’ (1982, póstumo) e ‘Dedicácias’ (1999, póstumo), para nomear apenas algumas.
Na prosa, podemos encontrar ‘Andanças do Demónio’ (1960), ‘Novas Andanças do Demónio’ (1966), ‘Os Grão-Capitães ‘(1976), ‘O Físico Prodigioso’ (1977) e ‘Génesis’ (1983, póstumo). Tem ensaios reconhecidos como ‘O Poeta é um Fingidor’ (1961), ‘O Reino da Estupidez’ (1961) e ‘Uma Canção de Camões’ (1966), entre outros.

Em relação a prémios, obteve o Prémio Internacional de Poesia Etna-Taormina, a Ordem do Infante D. Henrique, Grã-Cruz da Ordem de Sant’iago, a título póstumo. Para além disso, em 1980, foi inaugurado o Jorge de Sena Center for Portuguese Studies, na Universidade de Califórnia, Estados Unidos.

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