Lesados esperam “receber algum dinheiro” em 2022

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Marco António Sousa

Sara Freitas, presidente da Associação de Emigrantes Lesados da Venezuela e África do Sul, congratula a anunciada constituição de grupos de trabalho com o Banco de Portugal e a CMVM para procurar dar resposta às perdas. Os lesados esperam “receber algum dinheiro no próximo ano”.

“Estamos à espera que este seja, em definitivo, o caminho para a resolução da situação, porque é a promessa que o Governo fez”, afirmou perentória ao JM Sara Freitas, presidente da Associação de Emigrantes Lesados da Venezuela e África do Sul (ALEV).

A presidente da associação comentava a notícia da constituição de um grupo de trabalho com o Banco de Portugal e a CMVM para procurar dar resposta às perdas dos lesados do BES e do BANIF.

“O Governo demorou muito em concordar em criar estes grupos de trabalho, mas já foram designadas as pessoas que vão assistir a estas reuniões e nós (ALEV) também vamos estar. Esperamos que dessas reuniões resulte uma solução”, disse esperançosa.

Ainda sem solução

Sara Freitas explicou que “haverá um grupo de trabalho para os lesados que ainda ficam do BES e um grupo de trabalho para os lesados do BANIF”, no entanto, os lesados ainda não sabem qual será a solução.

“Esperamos que seja um fundo de recuperação de créditos tal como foi feito para o papel comercial, mas obviamente que estamos abertos a ouvir qualquer outra solução que o Governo proponha”, garantiu.

A presidente da ALEV contou ainda que a promessa do Governo é a de que, este ano, ficará decidida qual será a solução. Neste sentido, os lesados esperam que já no próximo ano possam “receber algum do dinheiro”. “A pandemia afetou muitas coisas e nós também ficámos por fora daquilo que tínhamos concordado em dezembro de 2019. Agora, finalmente, parece que vamos retomar o que deixámos naquele momento”, rematou visivelmente satisfeita.

A concluir, Sara Freitas disse esperar que em dezembro de 2021 a solução esteja devidamente acordada por todas as partes. Recorde-se que o Governo promoveu a constituição de um grupo de trabalho com o Banco de Portugal e a CMVM para procurar dar resposta às perdas dos lesados do BES e do BANIF, prevendo o seu início em setembro. “[…] O Governo promoveu a constituição de um grupo de trabalho com o Banco de Portugal e a CMVM [Comissão do Mercado de Valores Mobiliários], com o objetivo de analisar e de procurar dar resposta às questões relacionadas com as perdas sofridas pelos clientes com produtos do BES e do BANIF, em particular aqueles residentes nas Regiões Autónomas, África do Sul e Venezuela”, anunciou, em comunicado, o gabinete do ministro das Finanças. A criação deste grupo já tinha sido avançada pelo primeiro-ministro, António Costa, aquando das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. As associações representativas dos clientes do BES e do BANIF (como a ALEV, ABESD e ALBOA) vão ser chamadas a participar nas reuniões do grupo, em função das matérias que estejam a ser discutidas. O início dos trabalhos está previsto para setembro.

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