Loafing Hero apresenta “Jabuti”

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Jabuti é o primeiro álbum de Loafing Hero, o alter ego musical do filósofo e professor universitário Bartholomew Ryan, nascido na Irlanda. Mas a sua carreira como músico não começou agora… «The Loafing Heroes foi (e é) o meu principal projecto internacional de música durante muitos anos (mais de 10 anos). Lançaram 6 álbuns entre 2009 e 2019», explica-nos o músico.

Contudo, agora, nasceu Jabuti um disco criado de uma forma inesperada como nos diz Loafing Hero «no fim de 2019 visitei o Brasil e no início de 2020 morava numa residência artística num mosteiro Zen budista no meio da Floresta Atlântica no estado de Espírito Santo. Estava completamente sozinho na minha casa de vidro como residência, mas com macacos, pássaros, sapos, cobras e jabutis como companhia, e havia alguns monges morando em uma casa a poucos quilômetros de distância. Não sabia o que iria fazer no mosteiro até lá chegar. Talvez escrever poemas, ou começar um livro, ou talvez compor canções … Assim que cheguei, fiquei impressionado com a beleza e energia do lugar, e de repente estava a escrever uma música do nada, tabula rasa, todos os dias sem exceção. Quando saí do mosteiro, tinha uma coleção de músicas novas, mas ainda não sabia o que faria com estas músicas. Simplesmente, continuei as minhas viagens ao norte do Brasil – pelo Espírito Santo e Bahia até ao interior do Ceará».

Mas a ligação entre Loafing Hero e o Brasil não começou aqui. Começou há mais tempo «sempre tive e senti uma forte relação e conexão com Brasil – especialmente com o interior. Quando fui para o mosteiro, foi a quarta vez  que estava de visita ao país. A minha ideia de alegria, paz, aventura e magia sempre foi estar com rios e florestas enormes – onde vivem muitos e diversos animais. E, apesar da destruição contínua das florestas do mundo, o Brasil ainda tem extraordinários rios e florestas, e imensa diversidade de vida. Também, a literatura de modernismo do Brasil ajuda-me o espírito e a abrir a minha imaginação – com os grandes autores como João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e os irmãos Campos. E a música do movimento Tropicália (com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes e Tom Zé) me inspirou muito para tocar e escrever música (e aprender e sentir a flexibilidade e sonoridade da língua portuguesa)».

Existe até mesmo uma história familiar entre Loafing Hero e este país como o próprio nos diz «fiz uma grande viagem através do Rio Amazônia (de Letícia até Belém do Pará) em 2017 para seguir o caminho do grande humanitarista e revolucionário irlandês Roger Casement que trabalhou no Brasil durante alguns anos no início de século vinte e que expôs atrocidades perpetradas contra o povo indígena na região de Putumayo na Amazônia. E no período da escrita do Jabuti, fui para Iguatu no estado do Ceará para investigar a história de meu primo Patrick que era um padre em Iguatu e se afogou quando tinha só 27 no rio Jaguaribe. Quando cheguei em Iguatu, descobri com surpresa que a cidade tinha uma rua chamado Rua Padre Patrício na memória dele, e Patrick esta enterrado no altar da igreja principal da cidade!»

E qual a origem do nome do álbum Jabuti? Loafing Hero explica-nos detalhadamente o porquê …»o título do álbum é importante – depois de considerar as inspirações e a disposição que tive quando estava no mosteiro. Jabuti é uma palavra Tupi-Guarani. É a palavra para a tartaruga que vive nos rios no interior do Brasil. Na etimologia, pode significar “o que nada respira” ou “o que não respira nada”; mas também pode significar “o que é persistente”, ou talvez, “o que não bebe”. Encontrei esta palavra no Manifesto Antropófago do poeta brasileiro Oswald de Andrade (publicado em 1928). Um verso do Manifesto que menciona a palavra “jabuti” foi outra inspiração para o álbum. Andrade escreveu: “Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti”. Fiz vários desenhos na capa do álbum que têm ligações de minhas inspirações e de meus temas no álbum – entre ‘verdade tropical’ é ‘verdade céltica’, contra a colonização, entre línguas, com natureza e a presença de símbolos. Ponto final: viviam dois jabutis lindos com várias cores no mosteiro.»

Bartholomew Ryan, vive em Lisboa há mais de uma década onde dá aulas numa universidade e, já editou e escreveu inúmeros livros sobre filosofia e literatura, inclusive sobre Fernando Pessoa. Em termos musicais, foi um dos elementos fundadores do grupo The Loafing Heroes (que editaram 6 álbuns entre 2009 e 2019) e, toca também no grupo de música experimental Headfoot (com Colm O’Ciosoig – membro dos My Bloody Valentine, e Rosie O’Reilly).

Antes do lançamento de Jabuti foram editados os singles Darkening Flame e Subterranean.

Jabuti já está disponível nas plataformas digitais e em formato físico.

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