Presidenciais: Luso-venezuelanos apoiaram a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa

Cidadãos portugueses na Venezuela exerceram o seu direito de voto em nove consulados

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Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito Presidente de Portugal numas eleições marcadas pela abstenção: 60,51% do universo eleitoral não votou, o que torna estas eleições no processo eleitoral presidencial com a menor afluência de pessoas na história democrática lusitana. Esta ausência nas secções de voto aumenta na diáspora portuguesa, se tivermos em conta que, dos 1.476.543 cidadãos autorizados a votar no estrangeiro, apenas 27.615 pessoas exerceram o seu direito, o que representa uma participação de 1,87% e uma abstenção de 98,13%.

Apesar dos portugueses na Venezuela poderem votar nos Consulados Gerais e Honorários de Portugal, o nível de participação registada foi baixo: no total, só votaram 1.484 pessoas das 52.582 recenseadas, o que representa uma participação de 2,82% e uma abstenção de 97,18%. Do total de votos registados, 677 eleitores (3,61%) compareceram às mesas de voto na secção eleitoral de Valência – Oeste (58 pessoas menos do que em 2016), enquanto 807 (2,39%) fizeram o mesmo na secção Caracas – Oriente (mais 227 pessoas do que nas eleições presidenciais anteriores).

Inicialmente, haviam dez centros de votação autorizados na Venezuela. No entanto, o Consulado Honorário de Portugal na ilha de Margarita, estado de Nueva Esparta, não abriu as suas portas devido a problemas com o envio do material eleitoral. Por outro lado, os cidadãos criticaram o facto do Consulado Honorário de Portugal em Maracaibo não ter sido incluído na lista das assembleias de voto e os seus cidadãos terem de se deslocar a Barquisimeto, no estado de Lara, para exercer o seu direito.

Na Venezuela, o resultado favoreceu Marcelo Rebelo de Sousa que convenceu 86,84% do eleitorado radicado em terras de Bolívar (1.274 votos), seguido por André Ventura (6,34% e 93 votos), Ana Gomes (3,07% e 45 votos), Marisa Matias (1,50% e 22 votos), João Ferreira (0,95% e 14 votos), Tiago Mayan (0,75% e 11 votos) e Vitorino Silva (0, 55% e 8 votos). Também foram emitidos 17 votos nulos, o que representa 1,15% do total da participação.

Na comparação dos dados com as eleições presidenciais de 2016, verifica-se um ligeiro aumento do número de eleitores: nas eleições anteriores, votaram 1.285 pessoas, o que representa um aumento de 199 eleitores. Porém, o crescimento no universo de eleitores devido ao recenseamento automático (passou de 19.802 em 2016 para 52.582 em 2021), fez com que a participação descesse em termos percentuais de 6,49% (2016) para 2,82% (2021) e que a abstenção aumentasse de 93,51% (2016) para 97,18% (2021).

Em declarações ao CORREIO, o Cônsul Geral de Portugal em Caracas valorizou positivamente a jornada eleitoral, destacando o aumento do número de eleitores. “É pertinente realçar a participação da comunidade portuguesa. Subiu bastante face aos atos eleitorais anteriores”, indicou Licínio Bingre do Amaral.

Caracas, Barcelona e Los Teques foram as localidades onde se registrou o maior número de votantes. “Nós fizemos um trabalho importante nas últimas duas semanas, a contactar aos cidadãos inscritos nesta seção consular, com a finalidade de os a incentivar a exercer o seu direito ao voto, principalmente aos residentes na zona norte do estado, nomeadamente Barcelona, Puerto La Cruz, Lechería e Guanta, pois sabemos das dificuldades das pessoas do resto do estado para se deslocar devido à falta de gasolina e de transporte, além da pandemia e da quarentena. Valeu a pena os dias que investimos em fazer chamadas e a contactar as pessoas” afirmou Rui Pereira, Cônsul Honorário de Portugal no estado Anzoátegui.

Por sua vez, os conselheiros eleitos pela Venezuela agradeceram às sedes consulares pelo seu trabalho. “Os Conselheiros das Comunidades Portuguesas felicitam o Estado Português e todos os Consulados Gerais e Honorários no nosso país, que receberam e atenderam os nossos cidadãos durante estes dois dias, prestando aquele serviço e apoio tão necessários para que os cidadãos pudessem exercer o voto consagrado na Constituição portuguesa” lê-se nas redes sociais dos cidadãos eleitos para o Conselho das Comunidades Portuguesas pela nação do Bolívar.

Entre os corredores da comunidade, alguns dirigentes associativos mostram-se satisfeitos com o aumento do número de pessoas que exerceram o seu direito, mas não escondem a sua tristeza com o desinteresse dos cidadãos pela política portuguesa. A grande maioria concorda que os venezuelanos estão ocupados a resolver as dificuldades que representam viver na Venezuela, razão pela qual os processos eleitorais portugueses são por vezes esquecidos ou ficam em segundo plano. Soma-se a isso a escassez de gasolina e os problemas de transportes públicos, o que dificultou a deslocação de um maior número de eleitores para as urnas. Todos concordam que para exigir mais direitos e apoio do governo português, é necessário que os seus compatriotas em terras de Bolívar se lembrem que votar também é um dever, pois ser luso-venezuelano não é apenas ter um passaporte para viajar.

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Editor - Jefe de Redacción / Periodista sferreira@correiodevenezuela.com Egresado de la Universidad Católica Andrés Bello como Licenciado en Comunicación Social, mención periodismo, con mención honorífica Cum Laude. Inició su formación profesional como redactor de las publicaciones digitales “Factum” y “Business & Management”, además de ser colaborador para la revista “Bowling al día” y el diario El Nacional. Forma parte del equipo del CORREIO da Venezuela desde el año 2009, desempeñándose como periodista, editor, jefe de redacción y coordinador general. El trabajo en nuestro medio lo ha alternado con cursos en Community Management, lo que le ha permitido llevar las cuentas de diferentes empresas. En el año 2012 debutó como diseñador de joyas con su marca Pistacho's Accesorios y un año más tarde creó la Fundación Manos de Esperanza, en pro de la lucha contra el cáncer infantil en Venezuela. En 2013 fungió como director de Comunicaciones del Premio Torbellino Flamenco. Actualmente, además de ser el Editor de nuestro medio y corresponsal del Diário de Notícias da Madeira, también funge como el encargado de las Comunicaciones Culturales de la Asociación Civil Centro Portugués.

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