Lusodescendente lidera projeto de impressão 3D único na Venezuela

O lusodescendente João de Gouveia lidera o projeto de criação de um laboratório de impressão tridimensional, único na Venezuela, país onde dirige há dez anos a Escola de Engenharia Industrial da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB).

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«A UCAB está iniciando um novo projeto de impressão tridimensional, um conceito que, para a Universidade, não é novo», mas que agora inclui uma série de novos equipamentos, que permitem «manufatura aditiva ou de impressão 3D», explicou à Agência Lusa.

Segundo João Gouveia, a UCAB decidiu abrir a possibilidade aos aos alunos e interessados de «converter ideias em desenho e levar esse desenho à impressão 3D, na vida real».

«Nas redes sociais, na Internet, parece que é algo muito simples, mas na realidade há uma ciência nisso. Não é muito difícil e a impressão está baseada no movimento, aquecimento de um material que é moldado e depois seco. É preciso ter pequenas habilidades e a universidade dá a oportunidade de fazer isso de uma forma certificada», explicou.

Segundo este investigador, os alunos vão aprender a transformar as ideias em desenhos que são depois convertidos em arquivos STL especiais para as impressoras.

«Qualquer coisa que se desenhe num computador pode ser convertida em objetos de impressão 3D, mas nem todas as impressoras oferecem os mesmos serviços. As mais comuns imprimem em materiais de polímero como o Poliácido Lático (PLA, Ácido Poliático) e o Acrilonitrila Butadieno Estireno (ABS) que é um tipo de nylon, mas existem impressoras que, com mais energia, podem imprimir em metais», explicou.

«Já existem máquinas de alumínio e titânio que podem fazer este tipo de peça (metal). O futuro é isto, substituirá muitos dos processos de manufaturação tradicionais por um processo em que a máquina é que constrói a peça», explicou.

Segundo João de Gouveia, a UCAB decidiu avançar com este projeto, que constitui uma «oportunidade perfeita para mostrar que perante as adversidades em vez de ficarmos a pensar no negativo, é hora de dar o melhor de nós para avançar».

«O laboratório foi construído em tempo recorde. É único a nível nacional e pelas investigações que fiz, também a nível latino-americano. A UCAB dá a oportunidade de ter uma certificação de que sabes fazer isso», salientou.

Filho de um emigrante natural da Camacha, Madeira, João de Gouveia, diz ter herdado do pai «a cultura do trabalho e inovação, de fazer coisas diferentes», procurando, «perante os problemas, encontrar soluções e dar o melhor de si».

«Isso levou-me a estudar engenharia industrial, depois a ser professor e, finalmente, a diretor da escola onde me formei. Não sou o único português que dirige uma escola. A UCAB tem lusovenezuelanos em cargos importantes, porque somos gente boa, dedicada ao trabalho», frisou.

Insistiu que tem orgulho das suas raízes portuguesas, porque os seus antepassados «venceram historicamente as adversidades e estão sempre na linha da frente».

«A nossa cultura, enraizada no trabalho, nos bons costumes, no fazer o bem, faz dos portugueses uma comunidade unida, que contribui muito para o mundo, na educação, na tecnologia. Os lusitanos e descendentes devemos não apenas ter saudade das coisas, mas orgulho do que fazemos, porque o fazemos com trabalho e determinação», concluiu.

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