Madeira da integração e da solidariedade

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Carlos Fernandes

Assinalou-se, a 21 de março, o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, uma data que lamentavelmente ainda necessita de ser relembrada.

Ainda existem pessoas irracionais que promovem o racismo numa prática execrável de tentar separar a raça humana. Nelson Mandela conhecia bem esta realidade e dizia que “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, também podem ser ensinadas a amar”.

Seguindo este mesmo raciocínio – de aprender a conhecer verdadeiramente o outro – devemos refletir, esta semana, sobre a eliminação da xenofobia e o seu urgente combate.

O retrato desse sentimento é a atual situação de guerra que se vive atualmente com o povo ucraniano, que se viu obrigado a sair do próprio país para sobreviver a ataques que, até à data, decorrem. Outros foram obrigados a ficar na Ucrânia para salvar o que dela resta e, também devido à xenofobia dos governantes vizinhos, correm perigo de vida.

Estas histórias, que são relatadas diariamente nos meios de comunicação social, confirmam a necessidade de refletirmos sobre o combate à xenofobia, através de um sentimento de empatia numa situação complicada como a atual. Muitos madeirenses já mostraram uma grande disposição para ajudar ucranianos, incluindo um grupo que passou de turistas a refugiados. Esta ajuda é necessária e continuará a ser importante com o avançar dos confrontos.

Há vários anos que o Mundo tem assistido a crises de refugiados provocadas pela falta de respeito pelo outro, nomeadamente venezuelanos, congoleses, afegãos, sudaneses, sírios, entre outras. As pessoas são obrigadas a sair do seu país e a enfrentar um recomeço. Na maioria dos casos, fica apenas a esperança de voltar.

Nesta reflexão, temos que fechar os olhos por um momento e pensar o que pode estar a sentir um refugiado. Um emigrante que sai do seu país, na maioria das vezes porque sente que não tem condições para estar na terra onde cresceu e que a vê destruído por máquinas. E se esta guerra acontecesse na Madeira? Como Madeirenses temos que continuar a dar o exemplo de uma terra que sabe acolher, de um povo que não é racista, de um povo que sabe o que é ver a sua família espalhada nos quatro cantos do Mundo.

Temos que continuar a preparar a nossa bonita Madeira para uma região cada vez mais cosmopolita. A Madeira tem mostrado que é capaz, pois tem vindo a acolher pessoas de qualquer etnia ou nacionalidade: por exemplo, os retornados das ex-colónias portuguesas, os mais de onze mil madeirenses regressados da Venezuela e, agora, os ucranianos que, aqui, encontraram conforto e segurança. Temos que continuar a ser a Madeira da integração, da solidariedade e, sobretudo, uma região-exemplo no combate ao racismo, desigualdade e xenofobia.

Aproveito este espaço para dar os parabéns à Secretaria Regional de Inclusão Social e Cidadania pela iniciativa do passado dia 21 de março, que assinalou o Dia Internacional para a Eliminação do Racismo e Discriminação Racial, na Biblioteca Municipal de Câmara de Lobos e onde tive o gosto de estar presente.

São iniciativas como esta que ajudam a sensibilizar a nossa população nestas matérias de assustadora sensibilidade, nomeadamente junto das escolas, dos mais jovens que são os futuros líderes da nossa região.

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