Manuel dos Santos: Lutador a toda linha

Terapeuta, maratonista, comerciante, “mas sobretudo um homem alegre e optimista”, apesar das adversidades

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Esta é a história de um lutador que enfrentou com valentia dois golpes na vida e demonstrou que há sempre algo ou alguém por quem lutar.

O pai morreu quando a mãe ainda estava em gestação, e um ano mais tarde, o mesmo aconteceu à mãe. Apesar do que aconteceu com os pais (oriundos do Porto), encontrou “duas pessoas maravilhosas que me deram todo o seu amor e me criaram como a um filho: A minha irmã Aida e o marido, Augusto”, que nessa altura eram recém-casados e decidiram assumir o desafio.

Já em plena juventude, Santos formou a sua própria família, e aos 32 anos, exactamente a 24 de Julho de 2004, outra viragem no destino colocou-o à prova. Naquele dia, jogavam Portugal e Espanha, no Euro 2004, e enquanto todos celebravam, ele estava na parte de trás de um carro, assistindo a toda a movimentação. “De repente entrou um foguete no carro, caiu nas minhas pernas, e agarrei-o para lançá-lo para longe, mas explodiu a pouca distância”. As consequências foram fatais: Perdeu ambas as mãos e quase morreu.

“Transportaram-me para o Centro Diagnóstico de San Bernardino, em Caracas, e foi um dia de luta comigo mesmo nas urgências: Rezava, pensava, falava com Deus”, recorda. “A certa altura, quando a dor física era demasiado grande, disse: Bom, Deus, já não posso mais, não vou lutar, se queres que vá, irei, mas se quiseres deixar-me ficar, aceitarei”.

Santos chegou a estar do outro lado do caminho. Via as suas pulsações no aparelho, e quando entrava em convulsão, dizia a si mesmo: “’Manny, acalma-te senão vais partir a cama’. Nisso ouvi que vou para a cirurgia e penso: Abre os olhos porque vais conhecer um cirurgião e isso não se vê todos os dias”, conta.

E o que aconteceu então? No dia seguinte, decidiu que a sua vida continuava, e ao ter-se salvo, entendeu que essa era a resposta à pergunta que tinha feito a Deus horas antes, agora cabia-lhe descobrir porquê. “Passei pelo processo de não responsabilizar Deus, a ninguém, e concentrar-me apenas no facto de estar vivo.”

Conta que o mais difícil “foi enfrentar o meu filho de 2 anos, e para isso tive a ajuda de um psiquiatra, que me advertiu que a criança perguntaria por isso a todo o momento até entender.” Passaram 10 anos desde esse momento, e agora essa fonte de inspiração, que o ajudou a erguer-se, tornou-se no seu melhor amigo. “Eu tinha dito que ou me abandono, e ele vê que o pai está deprimido, ou agarro o destino com vontade, sigo em frente, e ele fica orgulhoso de mim. Segui a segunda opção, e hoje o meu filho sente admiração por mim”.

Tem um outro filho, do segundo casamento, e essa foi também uma história de valentia, porque separou-se da sua primeira companheira e enfrentou o mundo sozinho, e sem mãos . “Precisava de estar um tempo só para testar-me a mim mesmo, saber que era capaz de cuidar de mim, para depois começar outra relação, do zero.”

Ao fim de um mês, já estava a trabalhar, inclusive com vendas. Deixou de fumar, começou a praticar desporto, e tanto empenho imprimiu que hoje é maratonista. Já participou na competição de Chicago, também correu em Atlanta, Madrid e Caracas (evento organizado pela CAF). Este ano, vai participar na maratona do Porto e de Bueno Aires, e para isso continua a treinar todo o tempo disponível, e até mesmo a revista Fortune já o incluiu numa das suas edições.

Também estudou Psicoterapia Gestalt, com especialização em Dependências, e, o mais importante, hoje pode ajudar muitas pessoas, porque primeiro aprendeu a entender-se e a aceitar-se a si mesmo. Assim é ‘Manny’, um optimista, um homem que faz dos seus sonhos realidade.

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