A imagem desta semana mostra aquela que foi uma das fundadoras do PS, activista dos direitos humanos, professora, actriz… Foi ainda primeira dama de Portugal de 1986 a 1996, esposa do ex-presidente da República Mário Soares, Maria Barroso. Nasceu em Olhão, Fuseta, a 2 de Maio de 1925, e morreu recentemente, no dia 7 de Julho.

Os pais foram Alfredo José Barroso, militar nativo de Mortimão, Alvor, e Maria da Encarnação Simões, professora da educação primária. É tia do cronista, ex-deputado e ex-secretário de Estado Alfredo Barroso e do médico cirurgião Eduardo Barroso.

Estudou na escola secundária nos liceus D. Filipa de Lencastre e Pedro Nunes, em Lisboa, obtendo um diploma em Arte Dramática, na Escola de Teatro Conservatório Nacional de Portugal em 1943. Em 1951, obteve a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, lugar onde conheceu Mário Soares, com quem contraiu núpcias a 22 de Fevereiro de 1949, quando ele estava na prisão (registado na 3ª Conservatória do registo Civil de Lisboa).

Foi actriz no Teatro Nacional Dona Maria II, na companhia teatral Amélia Rey Colaço Robles Monteiro, e a estreia foi em 1944, na obra de Jacinto Benavente, ‘Aparências’, tendo sido dirigida por Palmira Bastos. No cinema, teve participações em filmes de Paulo Rocha (1966 – Mudar de Vida) e de Manoel de Oliveira (1985 – Le Soulier de Satin, 1979 – Amor de Perdição, 1975 – Benilde ou a Virgem Mãe).

Foi directora do Colégio Moderno, fundado pelo seu sogro, João Lopes Soares. Depois disso, foi substituída pela filha, Isabel Barroso Soares, que nasceu em 1951. Durante o Estado Novo, não pôde exercer a docência, nem em colégios privados nem públicos.

Esteve na cidade alemã de Bad Münstereifel quando foi criado o Partido Socialista de Portugal, em 1973. Foi escolhida para deputada na Assembleia da República pelos círculos de Santarém, Porto e Algarve e permaneceu neste cargo até 1982. Antes da Revolução dos Cravos, já tinha sido deputada pelo partido Oposição Democrática, em 1969, e participou no 3º Congresso de Aveiro em 1973. Como dado curioso, foi a única mulher que participou na Sessão de Abertura.

Como primeira dama de Portugal, fez um importante trabalho na defesa do sentido da família, intervindo nos países de língua portuguesa. Em 1990 criou o Movimento de Emergência Moçambique, outorgando, no ano seguinte, a escritura da Associação para o Estudo e Prevenção da Violência. Em 1995, presidiu à abertura do ciclo de iniciativas do Ano Internacional de Luta contra o Racismo, a Xenofobia, o Anti-semitismo e a Exclusão Social. Em 1997, presidiu à Cruz Vermelha Portuguesa, funções que cessou em 1993. Foi sócia fundadora e presidente do Conselho de Administração da ONGD Pro Dignitate – Fundação de Direitos Humanos, desde 1994.

Maria Barroso faleceu na madrugada do passado dia 7 de Julho, aos 90 anos, como consequência de uma queda que lhe provocou um derrame cerebral.

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