Mary Flores: «Os portugueses têm desempenhado um papel importante no desenvolvimento da Venezuela».

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Após a Assembleia Nacional da República Bolivariana da Venezuela ter aprovado a nomeação de Mary Eglys Flores Mora como nova Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária em terras portuguesas, para continuar a administração de Lucas Enrique Rincón Romero, a diplomata apresentou esta semana as suas credenciais ao Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.

Durante o evento, realizado na Sala dos Embaixadores do Palácio de Belém, sede da Presidência da República Portuguesa, Flores reiterou o compromisso da Venezuela em promover a Diplomacia Bolivariana da Paz, centrada no diálogo e no respeito mútuo com este país europeu, salientando também a importância de estabelecer conjuntamente espaços de cooperação em vários domínios.

Em entrevista ao Diário de Notícias de Madeira, Flores manifestou a vontade do Estado venezuelano em colaborar com Portugal em questões relacionadas com a comunidade luso-venezuelana, dada a importância que os portugueses têm tido no desenvolvimento do país, bem como a intenção de reforçar ainda mais os laços de cooperação.

Segue-se a transcrição da entrevista completa, conduzida pelo jornalista Victor Hugo e publicada na edição impressa do DN Madeira na sexta-feira 31 de Março.

Porque demorou tanto a apresentação das credenciais?

Porque tivemos de acertar as agendas das personalidades envolvidas no processo de nomeação e de aprovação. Foi isso.

Logo à primeira vista nota-se que o seu governo opta por não indicar um militar, é uma viragem na política ou na diplomacia e do relacionamento com Portugal?

A Venezuela, o nosso ministro das Relações Exteriores, Yván Gil e o nosso presidente, Nicolás Maduro, apostam sempre numa diplomacia de paz, através da união cívico-militar.

Quais serão as suas prioridades?

Estreitar laços, segundo A nossa diplomacia de Paz, sempre dentro dos marcos de respeito as instituições e leis.

Esta sua ascensão de cônsul-geral é o reconhecimento por tudo o que fez no nosso país?

Este novo desafio é só um encargo do povo venezuelano para normalizar as relações com a República Portuguesa e estreitar os laços de cooperação.

Como classifica as relações entre Venezuela e Portugal?

Acho que os nossos países querem retomar o caminho da cooperação e respeito. Neste sentido é o que estamos neste momento a fazer.

Foi precipitado o governo português reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela?

Acho que é sempre preciso respeitar as leis dos países e as decisões dos povos. O presidente Nicolás Maduro foi eleito numa eleição popular e é o legitimo presidente da Venezuela.

Isso beliscou a amizade entre os dois países?

O facto de não aceitar as decisões dos povos e não respeitar as leis acaba sempre por ferir as relações entre quaisquer países.

Quais os maiores problemas que os venezuelanos enfrentam em Portugal?

Há diferentes problemas que os venezuelanos enfrentam em Portugal. Alguns deles têm que ver com os processos no SEF, com patrões que tentam burlar as leis por serem imigrantes.

Muitas vezes se diz que os empresários fazem mais pela diplomacia do que a própria diplomacia portuguesa, concorda ou é exagerado?

Devemos reconhecer o que o sector privado e o sector público faz. Os empresários gostam de fazer negócios mas sem relações estáveis entre os países isso não é possível. Portanto, cada um faz o seu trabalho e nesse pressuposto todos conseguimos avançar.

Encontra culpados para a Venezuela ter mergulhado numa crise económica e social?

Todos os países têm crise numa altura ou outra. O caso de ser alvo de agressões e sanções por parte dos Estados Unidos e da União Europeia contribuíram muito para essa situação. Mas o nosso presidente e sua equipa económica, liderado pela vice-presidente da área económica, Delcy Rodriguez, têm trabalhado para ultrapassá-la e felizmente estamos a consegui-lo.

O seu governo queixa-se de que Portugal retém ilegalmente mais de 1,7 mil milhões de dólares. Em que ponto está esse dossier?

A Venezuela está a superar uma crise que por causa das sanções agravou-se mais do esperado. É normal que nosso governo se queixe pelo bloqueio ilegal dos fundos que dariam para comprar produtos básicos.

Porque não faz sentido sanções da União Europeia?

As sanções contra um governo legitimamente eleito pelo povo venezuelano é uma interferência no nosso estado de direito.

Que opinião tem dos emigrantes madeirenses radicados na Venezuela?

São pessoas que têm trabalhado muito pela Venezuela e suas famílias. Tenho um enorme respeito por elas e suas famílias.

Acha que têm o devido reconhecimento do seu país?

Acho que a comunidade lusa na Venezuela é importante e tem o reconhecimento da sociedade toda.

Podem estar tranquilos numa Venezuela diferente?

Todas as pessoas que trabalhem pelo país, respeitando as leis e o ordenamento jurídico podem ficar tranquilas em Venezuela.

Já tem agendado uma visita à Madeira?

Ainda não, mas irei brevemente.

Pretende efectuar algumas mudanças no Consulado ou tudo funciona bem?

Sempre se pode melhorar. Cada cônsul é autónomo no seu escritório e poderá implementar as soluções que ache mais convenientes.

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