Mia Couto e o primeiro encontro com os livros

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António Emílio Leite Couto (Moçambique, 5 de Julho de 1955), melhor conhecido como Mia Couto, é um apaixonado da literatura desde a infância. “O meu pai não tinha muito dinheiro, mas adorava os livros, e quando chegava com um a casa, eu fazia de contrabandista e escondia-o antes de que a minha mãe se desse de conta. Tornei-me num apaixonado pela poesia espanhola, da vida e poesia de Miguel Hernández”. Outro dos seus escritores favoritos é a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6 de Novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004), distinguida com o Prémio Camões em 1999 e, em 2003, com o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana. Também já expressou a sua admiração pelo novelista brasileiro João Guimarães Rosa (Cordisburgo, Minas Gerais, 27 de Junho de 1908 – Rio de Janeiro, 19 de Novembro de 1967), que também foi médico, escritor e diplomata. Era um apaixonado da leitura e não apenas em português, já que lia muitos autores franceses, holandeses, alemães, espanhóis, italianos e até esperanto, sânscrito, latim e japonês, entre outros idiomas, algo verdadeiramente impressionante que brilha na sua biografia. Guimarães resulta muito interessante porque utiliza uma multiplicidade de recursos: aliterações, rimas, elipses, metáforas, anáforas, metonímicas e um sem-fim de elementos que enriquecem as suas obras. Além disso, este brasileiro assume a literatura como uma forma de sobrevivência às mudanças e contradições da vida, algo que Couto tem experimentado desde sempre devido às suas raízes portuguesas em terras africanas, pelo sua amor à escrita numa cultura que valoriza a oralidade, pelo seu espírito literário e a sua dedicação às ciências… e por todas as influências que habitam na sua alma. “Narrar é resistir”, disse Guimarães Rosa e é assim que muito provavelmente pensa Couto.

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